Amigos,
Assim que comecei a escrever este texto, eu pensei fazê-lo uma poesia. Depois virou Ensaio. E aí está, entre ganchos e garranchos, aos trancos e barrancos, este texto-poema, um pouco angústia, do que sinto, senti, ou fui sentindo, na medida em que os versos-semi-versos escapuliam de minha mente e declinavam, como a torrente das cascatas, pela ponta de meus dedos, no teclado de meu computador. Eles não têm nada de rima, de métrica, nem tampouco de estética. Neles, a métrica, a rima, a estética que me valeram foram aquelas que a própria Criação faz perceber, seja em nossas mentes, seja em nosso olhar.
Eu os dedico à escritora e poeta Lígia Leivas, não somente porque está assumindo este desafio de presidir a Academia Sulbrasileira de Letras, mas sobretudo, por sua incontida e incansável luta em defesa do Meio-Ambiente, da Criação!!!
ENSAIOS SOBRE A CRIAÇÃO
Luiz Eduardo Caminha
ENSAIO 1
“No princípio eram as trevas. A Terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam os abismos” (Gênesis 1, 1-2)
... E Deus se fez poeta e se pôs a pensar e agir!
No céu, os luzeiros,
Estrelas cintilantes,
Para pontilhar,
Como contas de diamantes,
O ébano manto de brigadeiro.
O Sol, calidamente,
Fará suas jornadas,
Para aquecer,
Com fagulhas doiradas,
Os seres caminhantes.
Águas para saciar a sede,
Sejam criadas,
Para vingar a criação,
Animais terrenos, das águas,
Toda a Terra, todo o verde.
O ar, de límpido azul,
Imaculado,
Píncaros, montanhas,
Florestas, mananciais.
Nas matas, o som da bicharada,
O canto dos pássaros,
Lembrarão uma sinfonia,
De anjos celestiais.
E pensou Deus: O berço,
Onde deitarei o ápice da Criação,
Está pronto. Falta preenchê-lo!!!
Falta-lhe minha obra prima,
O sumo fruto de minhas mãos,
Escultura de meus sentimentos,
Minha imagem e semelhança,
Reflexo de meu ser.
Formosa obra que guarde,
Na razão,
A fonte do equilíbrio,
Um ser tão perfeito
Quanto Eu que o crio.
E faço deitar neste berço,
A síntese de minha obra,
Um menino, um homem,
Minha Imagem,
Minha semelhança!!!
A Criação está pronta,
Deixemos que o Homem a cuide,
Zele por ela e... dela usufrua!!!
“...Tendo Deus terminado a obra que tinha feito, descansou de seu trabalho”.” (Gênesis 2, 2).
ENSAIO 2
“...e Deus viu que tudo isto era bom... Deus criou o homem, à sua imagem. Imagem de Deus o criou. Homem e mulher os criou” (Gênesis 1, 25; 27)
...Será que Deus se enganou?
Sou
A antítese do paradoxo
A lógica do irracional.
A água que passa o moinho,
E a gota que se fez oceano.
A corporificação do etéreo,
O éter da matéria,
E o pouco, quase nada,
Que sobra de concreto,
No abstrato.
O resultado adolescente da marginalidade
E a esperança do menino travesso.
A paz alvissareira da guerra
E o pipocar sanguinário da metralha.
Sou ensejo,desejo, inveja,
Do ódio dos amargurados.
Sou a luz numa caverna
E a solidão do ébano,
Nas noites sem luar.
Sou,
O início do fim,
E o epílogo do começo.
Sou,
O erro da bala perdida,
O alvo certo do tiro errado,
Eu sou produto desta sociedade,
Que prefere o sangue
Fora das veias, nas calçadas,
As ruas tingidas
De feridas pútridas,
A carniça fétida,
Que o abutre abandonou.
Eu sou o reflexo
De uma humanidade
Pérola prima do Pai eterno,
Riscada, toldada,
Amassada, pisoteada,
Desfigurada, desalmada.
Eu sou o Homem,
O bicho homem,
Criatura errática,
O erro
Que contrasta o belo,
A magnífica Criação.
Aliás, talvez eu seja,
O engano do Criador!!!
ENSAIO 3
“Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno? Eu vos envio profetas, sábios e doutores. Matareis e crucificareis uns e açoitareis outros... Em verdade vos digo: todos estes crimes pesam sobre esta raça” (Mateus 23, 33-36)
E Deus falou ao homem,..
Por sábios e profetas,
Tentou, em vão,
Corrigir seu rumo,
Aprumar-lhe a mente,
Fazê-lo recompor a Criação,
Da qual lhe confiara ser,
O Senhor
.... E o homem prosseguiu,
Sua errática caminhada,
Trilhando veredas de incertezas,
Descaminhos da sedução,
Sendas da cobiça,
Da inveja, ganância,
Da perdição!!!
ENSAIO 4
“E o Anjo Gabriel disse a Maria: o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lucas 1,35)
E Deus perdoou..
Não! Eu não posso deixar
Minha obra abandonada.
Salvá-los-ei,
Uma, duas,
Mais uma vez,
A última por certo:
Enviarei Meu Filho!!!
...E veio o Filho!
Que sequer ousou,
Tirar um único traço da Lei,...
E ensinou:
O caminho da volta é um só!
AMOR! Amar o Pai,
O Criador,
Amar o próximo,
A Criação...
ENSAIO 5
“Deus, o Senhor, viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos do seu coração estavam continuamente voltados para o mal” (Gênesis 6,5)
E o Homem O matou!!! ... E maculou a Criação!
Não parou aí!
Agora se dispõe,
Matar a Criação.
Irmãos, animais,
Florestas,
Mares e águas,
Planeta Terra, Gaia,
Uni-vos, todos!
Ele está aí.
A todo tempo!
O tempo todo!
E quer matar,
Destruir,
Queimar,
Dilapidar,
Poluir,
Assombrar!!!
ENSAIO FINAL
“Porque a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir” (Lucas 12, 48)
E continua ensandecido,
Nesta cruzada insana,
Matando, ultrajando,
Humilhando,
Plantando guerras,
DESAMOR!!!
Destruindo a Criação!
Opondo-se ao CRIADOR!
Até quando, oh! Senhor!
Até onde irá o homem
Para merecer,
De novo, Teu perdão?
Até o apocalipse?
Holocausto do planeta?
caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!
domingo, 14 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
MENSAGEM
Salvem o Planeta
por Luiz Eduardo Caminha
No livro do Gênesis, após concluída a Criação, salta aos olhos uma missão e um compromisso sério para o homem e a raça humana: “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E Deus disse: Eu vos dou todas as ervas que dão sementes e que estão sobre toda a superfície da terra; e todas as árvores, que dão fruto e que dão sementes: isto será vosso alimento” (Gênesis 1, 28-29). Esta era a missão.
Há, entretanto, um detalhe que precede a criação do próprio homem: “E Deus viu que tudo isto era bom” (Gênesis 1, 25). Este era o compromisso.
Ao conferir esta missão ao homem, Deus propiciou-lhe um lugar onde emanava leite e mel, um éden, um paraíso, como se estivesse a preparar um ambiente perfeito, equilibrado, para assentar a obra máxima de sua criação, feita à sua imagem e semelhança, o homem.
Mas o compromisso era um recado direto, objetivo: tudo isto, toda a terra eu criei para o vosso deleite, para o vosso sustento, para vossa sobrevivência. É preciso, pois, conservá-la, para que continue dando fruto, para que o equilíbrio seja completo, para que isto continue sendo bom.
O Homem, entretanto, nada entendeu e, desde os remotos tempos jamais se preocupou com o compromisso que estava embutido naquele mandado. Egoísta, prepotente, arrogante, se adonou de tudo sem medir qualquer conseqüência sobre os danos que viesse a causar àquele Paraíso criado. Foi em frente nas suas atrocidades. Caçou por caçar, matou para se divertir, rasgou o ventre da terra mãe para expor-lhe as entranhas, como se isto nunca pudesse chegar a um fim que prejudicasse a si próprio. E a sensação era esta mesma! A Terra era tão soberba que seus recursos pareciam infindáveis, inesgotáveis.
E o homem não parou! Foram inúmeros os avisos, notadamente depois da revolução industrial: as riquezas deste planeta não são infinitas. Mas o soberbo animal, na sua quase irracionalidade, continuou seu caminho de destruição, seu rastro de insanidade como se quisesse vingar-se daquele legado.
Hoje, em pleno nascedouro de um novo século, a Terra começa a esboçar seus sinais de cansaço, de esgotamento. O aviso é outro, muito mais contundente, sinistro: a Terra está morrendo!
Será que haverá ainda como reverter? Pergunta-se uma parte da humanidade estupefata com tamanha destruição. Efeito estufa, buracos negros, queimadas, poluição das fontes de água doce, emissão estarrecedora de gás carbônico, destruição das matas e de todo o seu sistema ecológico, espécies que desaparecem, pela ação nefasta do homem e pela ganância da sociedade. O resultado disto tudo é óbvio: as mudanças climáticas, os fenômenos naturais, verdadeiras hecatombes, jamais vistos com tal intensidade e freqüência, poluição, seca, geleiras, outrora perenes, que se derretem para não mais voltar e outros que tais.
É preciso fazer algo. Urge que se faça! A mãe terra não pode esperar mais. Não agüenta mais, sozinha, os golpes que lhe desferem. A Terra está sangrando e precisa da solidariedade dos homens, daqueles com consciência, que possam unir-se pelas mãos, pela voz, pelos atos e partirem para uma grande e imemorial batalha – talvez a última. Estandarte na mão, vamos à guerra! Não uma guerra de armas. Uma guerra onde a Paz, acima de tudo, seja a principal bandeira e a Esperança o nosso cajado.
Forças começam a se mexer. Discuta com seus amigos. Passe e-mails. Mande mensagens e... corra para a Praça, para as ruas de sua cidade e comece pelo mais humildes dos gestos: Peça perdão a Mãe Terra! Peça perdão ao Criador pelo mal que fizemos à toda a Criação.
Eu, você, somos apenas uma gotinha neste oceano todo de destruição. Neste incêndio feroz a que submeteram a natureza. Mas somos, cada um, uma gota. Como dizia Tereza de Calcutá “Sim, eu sou uma gota no oceano, mas ele seria menor sem mim”. Esta batalha não tem credo, raça, não tem ricos ou pobres. É a batalha da humanidade.
Revigoremos o mandado do Criador e salvemos o berço das criaturas. Sem ele, ou com ele destruído, não sobreviveremos!!!
Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha.
por Luiz Eduardo Caminha
No livro do Gênesis, após concluída a Criação, salta aos olhos uma missão e um compromisso sério para o homem e a raça humana: “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E Deus disse: Eu vos dou todas as ervas que dão sementes e que estão sobre toda a superfície da terra; e todas as árvores, que dão fruto e que dão sementes: isto será vosso alimento” (Gênesis 1, 28-29). Esta era a missão.
Há, entretanto, um detalhe que precede a criação do próprio homem: “E Deus viu que tudo isto era bom” (Gênesis 1, 25). Este era o compromisso.
Ao conferir esta missão ao homem, Deus propiciou-lhe um lugar onde emanava leite e mel, um éden, um paraíso, como se estivesse a preparar um ambiente perfeito, equilibrado, para assentar a obra máxima de sua criação, feita à sua imagem e semelhança, o homem.
Mas o compromisso era um recado direto, objetivo: tudo isto, toda a terra eu criei para o vosso deleite, para o vosso sustento, para vossa sobrevivência. É preciso, pois, conservá-la, para que continue dando fruto, para que o equilíbrio seja completo, para que isto continue sendo bom.
O Homem, entretanto, nada entendeu e, desde os remotos tempos jamais se preocupou com o compromisso que estava embutido naquele mandado. Egoísta, prepotente, arrogante, se adonou de tudo sem medir qualquer conseqüência sobre os danos que viesse a causar àquele Paraíso criado. Foi em frente nas suas atrocidades. Caçou por caçar, matou para se divertir, rasgou o ventre da terra mãe para expor-lhe as entranhas, como se isto nunca pudesse chegar a um fim que prejudicasse a si próprio. E a sensação era esta mesma! A Terra era tão soberba que seus recursos pareciam infindáveis, inesgotáveis.
E o homem não parou! Foram inúmeros os avisos, notadamente depois da revolução industrial: as riquezas deste planeta não são infinitas. Mas o soberbo animal, na sua quase irracionalidade, continuou seu caminho de destruição, seu rastro de insanidade como se quisesse vingar-se daquele legado.
Hoje, em pleno nascedouro de um novo século, a Terra começa a esboçar seus sinais de cansaço, de esgotamento. O aviso é outro, muito mais contundente, sinistro: a Terra está morrendo!
Será que haverá ainda como reverter? Pergunta-se uma parte da humanidade estupefata com tamanha destruição. Efeito estufa, buracos negros, queimadas, poluição das fontes de água doce, emissão estarrecedora de gás carbônico, destruição das matas e de todo o seu sistema ecológico, espécies que desaparecem, pela ação nefasta do homem e pela ganância da sociedade. O resultado disto tudo é óbvio: as mudanças climáticas, os fenômenos naturais, verdadeiras hecatombes, jamais vistos com tal intensidade e freqüência, poluição, seca, geleiras, outrora perenes, que se derretem para não mais voltar e outros que tais.
É preciso fazer algo. Urge que se faça! A mãe terra não pode esperar mais. Não agüenta mais, sozinha, os golpes que lhe desferem. A Terra está sangrando e precisa da solidariedade dos homens, daqueles com consciência, que possam unir-se pelas mãos, pela voz, pelos atos e partirem para uma grande e imemorial batalha – talvez a última. Estandarte na mão, vamos à guerra! Não uma guerra de armas. Uma guerra onde a Paz, acima de tudo, seja a principal bandeira e a Esperança o nosso cajado.
Forças começam a se mexer. Discuta com seus amigos. Passe e-mails. Mande mensagens e... corra para a Praça, para as ruas de sua cidade e comece pelo mais humildes dos gestos: Peça perdão a Mãe Terra! Peça perdão ao Criador pelo mal que fizemos à toda a Criação.
Eu, você, somos apenas uma gotinha neste oceano todo de destruição. Neste incêndio feroz a que submeteram a natureza. Mas somos, cada um, uma gota. Como dizia Tereza de Calcutá “Sim, eu sou uma gota no oceano, mas ele seria menor sem mim”. Esta batalha não tem credo, raça, não tem ricos ou pobres. É a batalha da humanidade.
Revigoremos o mandado do Criador e salvemos o berço das criaturas. Sem ele, ou com ele destruído, não sobreviveremos!!!
Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
ENSAIOS 2...
Queridos amigos e irmãos,
aí vai mais um de meus ensaios dando continuidade àquilo que propús no anterior. Talvez alguns encarem como uma provocação, afinal, da maneira como vão as coisas, está cada vez mais fácil admitir que o bicho homem tem feito de tudo para se desfigurar perante Deus e perante seus semelhantes.
Que Deus os abençoe sempre,
Caminha
O SOPRO DA DIFERENÇA
Por Luiz Eduardo Caminha
Continuo a falar sobre o problema das nuances lingüísticas, especialmente da dificuldade que têm as traduções de serem fiéis quando o termo ou a expressão a ser traduzida traz em sua essência um sentimento. Já me referi ao intraduzível “saudade”, de nossa língua, sem similar em outra qualquer. Em outro exemplo citei a tradução da passagem bíblica em que Jesus Cristo cobra de Pedro uma profissão de amor. leia aqui
Quero propor, agora, uma discussão sobre o termo ALMA que, a meu ver, é paupérrimo ao tentar propor o seu verdadeiro significado. ALMA vem do latim “anima”, que quer dizer “vida animada”. Mas o que vem a ser isto? O termo vem dos antigos escritos bíblicos, mais precisamente do Gênesis, quando descreve a criação do homem: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, do barro, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2,7).
Aqui aparece um componente que enriquece a origem do vocábulo que o nosso português traduz por alma. Mais uma vez, o esforço do tradutor acabou por não expressar a essência do termo. Na versão grega da Bíblia – que precede a vulgata latina – há uma confusão ao se tentar tornar claro o gesto do Criador: “o sopro, o fôlego da vida”. Os gregos já faziam uma distinção entre o corpo e a “psique”, o “ser psíquico”, que dominava o corpo, a “id” ou a mente. Ao tentar “cristianizar” a expressão o tradutor da vulgata utilizou-se do vocábulo “anima” (latino) que expressava uma diferenciação do homem (um animal animado) dos outros animais (inanimados).
Quanto rolo, não? Talvez fosse o momento de fazermos um parêntese para vermos aonde estamos pisando.
Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se sobretudo da língua grega. Foi nesta língua que todo o Novo Testamento foi redigido, incluindo a Carta aos Romanos de São Paulo, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes.
No século IV a Igreja já está consolidada em Roma e em todo o Império Romano e é então que São Jerônimo traduz, pelo menos, o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina. A Vulgata, originária deste trabalho, foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras.
Foi a primeira - e por séculos a única - versão da Bíblia para o latim e apresentou o Velho Testamento traduzido diretamente do hebraico, mas não sem deixar alguns vícios lingüísticos da tradução grega conhecida como Septuaginta.
A pedido do Papa Dâmaso I, São Jerônimo teve a liberdade de adaptar o texto ao latim vulgar e retirou do conjunto os livros considerados apócrifos. A esta versão deu-se o nome de Vulgata que foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções. Com o Concílio Vaticano II foi procedida uma revisão geral da Vulgata e o resultado disto foi a Nova Vulgata que serve de base para as bíblias modernas.
Feito este parêntese, voltemos ao âmago deste artigo.
Fica patente, na versão grega – traduzida do hebraico – o sentido daquele “sopro” que transformou o homem em ser vivente. Melhor dizendo: o homem, um dos animais da Criação, só se diferencia dos outros e é feito imagem e semelhança de Deus, no exato momento em que o próprio Criador sopra-lhe – pelas narinas – aquilo que viria a diferenciá-lo, torná-lo impar: a vida de Deus inserida num animal, no homem, em nós. É aí que somos “animados” como seres viventes, seres que possuem, dentro de si, a essência divina.
É isto também que nos torna “irmãos” porque todos, sem exceção, recebem este “componente genético” - o gen do Criador - se é que assim posso comparar.
É isto que nos torna únicos: este GEN que recebemos diretamente de Deus. Este é o sopro da diferença. Algo só concedido a nós como DOM GRATUITO de Deus. Portanto, não se trata de diferenciar o racional (nós, seres humanos) do irracional (os animais e vegetais). Até porque, não poucas vezes, somos nós os irracionais.
Agora, então, cabe-nos questionar: Quando invejamos, desejamos mal a um outro ser, atentamos contra a natureza, promovemos a violência, quando disputamos espaços e calcamos os outros como se fossem trampolins para nossas vaidades, nossas cobiças, nossas vantagens, nossos egoísmos, estamos sendo “diferentes”? Estamos sendo expressão da imagem que herdamos de Deus? Seguramente que não!
Ora, Deus é bondade, é Amor, é Equilíbrio, é Justiça, é Paz. Só quando trilhamos estes caminhos, estamos impondo aos outros esta diferença. Estamos sendo sua imagem. Sua semelhança. E, sem dúvida, o foco desta nossa maneira de ser é o próximo, o que convive conosco, primeiro na nossa família, depois entre os parentes, os amigos, a comunidade, o mundo que nos rodeia, inclusive a natureza, sim, porque não? Ela é a expressão de toda a obra, da qual somos os seres privilegiados, diferenciados.
Sempre que atentarmos contra um destes vetores estamos desfigurando a IMAGEM DE DEUS EM NÓS! A ALMA, como quer o português. Pior, estamos nos equiparando aos outros tantos animais que, embora obra do Criador, não receberam por parte d’Ele a atenção que nos foi concedida naquele “sopro da diferença”. E quanto não custou a Deus incluir na Criação esta criatura que somos nós? Difícil avaliar? Talvez não. Valeu a vida de Jesus Cristo, o Filho único de Deus. Será que alguém estaria disposto a entregar a vida de algum de seus filhos, mesmo que não o único, por qualquer ser humano? Pois é o que valemos. Apenas porque Deus nos escolheu para sermos a sua imagem e semelhança na Criação. É pouco? Talvez, para uns, não passe de um sopro!
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha
aí vai mais um de meus ensaios dando continuidade àquilo que propús no anterior. Talvez alguns encarem como uma provocação, afinal, da maneira como vão as coisas, está cada vez mais fácil admitir que o bicho homem tem feito de tudo para se desfigurar perante Deus e perante seus semelhantes.
Que Deus os abençoe sempre,
Caminha
O SOPRO DA DIFERENÇA
Por Luiz Eduardo Caminha
Continuo a falar sobre o problema das nuances lingüísticas, especialmente da dificuldade que têm as traduções de serem fiéis quando o termo ou a expressão a ser traduzida traz em sua essência um sentimento. Já me referi ao intraduzível “saudade”, de nossa língua, sem similar em outra qualquer. Em outro exemplo citei a tradução da passagem bíblica em que Jesus Cristo cobra de Pedro uma profissão de amor. leia aqui
Quero propor, agora, uma discussão sobre o termo ALMA que, a meu ver, é paupérrimo ao tentar propor o seu verdadeiro significado. ALMA vem do latim “anima”, que quer dizer “vida animada”. Mas o que vem a ser isto? O termo vem dos antigos escritos bíblicos, mais precisamente do Gênesis, quando descreve a criação do homem: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, do barro, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2,7).
Aqui aparece um componente que enriquece a origem do vocábulo que o nosso português traduz por alma. Mais uma vez, o esforço do tradutor acabou por não expressar a essência do termo. Na versão grega da Bíblia – que precede a vulgata latina – há uma confusão ao se tentar tornar claro o gesto do Criador: “o sopro, o fôlego da vida”. Os gregos já faziam uma distinção entre o corpo e a “psique”, o “ser psíquico”, que dominava o corpo, a “id” ou a mente. Ao tentar “cristianizar” a expressão o tradutor da vulgata utilizou-se do vocábulo “anima” (latino) que expressava uma diferenciação do homem (um animal animado) dos outros animais (inanimados).
Quanto rolo, não? Talvez fosse o momento de fazermos um parêntese para vermos aonde estamos pisando.
Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se sobretudo da língua grega. Foi nesta língua que todo o Novo Testamento foi redigido, incluindo a Carta aos Romanos de São Paulo, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes.
No século IV a Igreja já está consolidada em Roma e em todo o Império Romano e é então que São Jerônimo traduz, pelo menos, o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina. A Vulgata, originária deste trabalho, foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras.
Foi a primeira - e por séculos a única - versão da Bíblia para o latim e apresentou o Velho Testamento traduzido diretamente do hebraico, mas não sem deixar alguns vícios lingüísticos da tradução grega conhecida como Septuaginta.
A pedido do Papa Dâmaso I, São Jerônimo teve a liberdade de adaptar o texto ao latim vulgar e retirou do conjunto os livros considerados apócrifos. A esta versão deu-se o nome de Vulgata que foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções. Com o Concílio Vaticano II foi procedida uma revisão geral da Vulgata e o resultado disto foi a Nova Vulgata que serve de base para as bíblias modernas.
Feito este parêntese, voltemos ao âmago deste artigo.
Fica patente, na versão grega – traduzida do hebraico – o sentido daquele “sopro” que transformou o homem em ser vivente. Melhor dizendo: o homem, um dos animais da Criação, só se diferencia dos outros e é feito imagem e semelhança de Deus, no exato momento em que o próprio Criador sopra-lhe – pelas narinas – aquilo que viria a diferenciá-lo, torná-lo impar: a vida de Deus inserida num animal, no homem, em nós. É aí que somos “animados” como seres viventes, seres que possuem, dentro de si, a essência divina.
É isto também que nos torna “irmãos” porque todos, sem exceção, recebem este “componente genético” - o gen do Criador - se é que assim posso comparar.
É isto que nos torna únicos: este GEN que recebemos diretamente de Deus. Este é o sopro da diferença. Algo só concedido a nós como DOM GRATUITO de Deus. Portanto, não se trata de diferenciar o racional (nós, seres humanos) do irracional (os animais e vegetais). Até porque, não poucas vezes, somos nós os irracionais.
Agora, então, cabe-nos questionar: Quando invejamos, desejamos mal a um outro ser, atentamos contra a natureza, promovemos a violência, quando disputamos espaços e calcamos os outros como se fossem trampolins para nossas vaidades, nossas cobiças, nossas vantagens, nossos egoísmos, estamos sendo “diferentes”? Estamos sendo expressão da imagem que herdamos de Deus? Seguramente que não!
Ora, Deus é bondade, é Amor, é Equilíbrio, é Justiça, é Paz. Só quando trilhamos estes caminhos, estamos impondo aos outros esta diferença. Estamos sendo sua imagem. Sua semelhança. E, sem dúvida, o foco desta nossa maneira de ser é o próximo, o que convive conosco, primeiro na nossa família, depois entre os parentes, os amigos, a comunidade, o mundo que nos rodeia, inclusive a natureza, sim, porque não? Ela é a expressão de toda a obra, da qual somos os seres privilegiados, diferenciados.
Sempre que atentarmos contra um destes vetores estamos desfigurando a IMAGEM DE DEUS EM NÓS! A ALMA, como quer o português. Pior, estamos nos equiparando aos outros tantos animais que, embora obra do Criador, não receberam por parte d’Ele a atenção que nos foi concedida naquele “sopro da diferença”. E quanto não custou a Deus incluir na Criação esta criatura que somos nós? Difícil avaliar? Talvez não. Valeu a vida de Jesus Cristo, o Filho único de Deus. Será que alguém estaria disposto a entregar a vida de algum de seus filhos, mesmo que não o único, por qualquer ser humano? Pois é o que valemos. Apenas porque Deus nos escolheu para sermos a sua imagem e semelhança na Criação. É pouco? Talvez, para uns, não passe de um sopro!
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha
domingo, 24 de agosto de 2008
ENSAIOS
Prezados Amigos,
Desculpando minha ousadia, começo hoje um novo quadro deste Blog, onde pretendo colocar alguns de meus ensaios, resultado de estudos e elucubrações que passam em minha mente enquanto, orando, reflito... e daí, ponho tudo escritinho no papel.
Que Deus abençoe a todos.
Caminha
PROFISSÃO DE AMOR
Por Luiz Eduardo Caminha
Embora seja uma das línguas consideradas ricas em vocabulário o português passa dificuldade em expressar certos termos ou situações que a língua mãe, o latim, contém. É conhecido nosso intraduzível “saudade” e, talvez esteja neste vocábulo algo o mais próximo possível do que pretendo dizer. No vocábulo saudade está embutido um sentimento inerente ao estado de ser do agente que o vive (ou interpreta). As línguas oriundas dos povos bárbaros, entre elas o alemão e o inglês e outras nórdicas, não conseguem, por mais que tentem, exprimir sentimentos mais significativos que o próprio vocábulo. O uso do verbo “to miss” no inglês (sentir falta) não retrata, nem de longe, o conteúdo sentimental do vocábulo em questão. Quando o inglês fala “I miss you” está apenas e tão secamente dizendo “eu senti falta de você, da sua presença”. Ora sentir falta da presença de alguém, convenhamos, não é o mesmo que dizermos “eu senti saudades de você” ou mesmo, quando em qualquer referência à pessoa, tempo ou lugar, apenas balbuciamos com o coração próximo à boca: “que saudade”!
Os germânicos vão um pouco além na ânsia de exprimir este sentimento. Usam quase sempre uma palavra para cada situação, como é o caso de Heimweh para representar a “saudade” de casa ou da pátria. Na verdade Heimweh seria o equivalente ao nosso “banzo”, uma espécie de melancolia muito presente entre os negros africanos – até morriam disto – que sentiam saudades de sua tribo, sua nação, a África.
Fiz este preâmbulo para voltar a afirmar: comparada ao latim e ao grego, o português, em muitos casos deixa a desejar. Isto fica patente quando tentamos traduzir textos originalmente escritos nestas línguas que compõe um número significativo dos termos que utilizamos.
Por exemplo: na versão grega da Bíblia – a mais próxima do hebraico – quando ocorre a passagem em que Jesus Cristo reclama a confirmação do amor de Simão Pedro (João 21, 15-19), podemos ver a sutil diferença da pedagogia do Mestre. Na versão para o português, Cristo faz a mesma pergunta por 3 vezes: “Simão, filho de João, amas-me mais que estes?” Pedro responde, por duas vezes: “Sim Senhor tu sabes que te amo”. A cada resposta Cristo mostrava a missão que confiaria a Pedro: Apascenta as minhas ovelhas. Ao deparar-se com a insistente pergunta, pela 3ª. vez, a versão portuguesa mostra uma certa tristeza em Pedro e, desta vez, Simão Pedro lhe diz: “Senhor tu sabes tudo. Sabes também que te amo”. Mas aí trago à reflexão o que o texto hebraico nos reporta: Na verdade, nas duas primeiras vezes em que Jesus faz a pergunta o texto não tem nada a acrescentar.
As traduções expressam o mesmo sentido, são fiéis ao enunciado. Entretanto as duas primeiras respostas de Pedro é que foram traduzidas erroneamente. Pedro responde a Jesus com um vocábulo que não tem, em hipótese alguma, o significado do sentimento que quer o Mestre. Pedro apenas diz: “Senhor, tu sabes que eu gosto de ti”. Repararam na enorme diferença?
Cristo passou pregando o AMOR entre os homens como um mandamento tão poderoso como O AMOR A DEUS e, exige de Pedro a amplitude deste amor. Pedro, um homem rude, não capta esta sutileza. Só vem a percebê-la quando o Mestre inverte a pergunta, o que também não foi obedecido no texto grego e português.
Pergunta o Cristo, nesta 3ª. vez: Simão, filho de João, tu gostas de mim mais que estes outros”. Aí é que Pedro percebe a troca do verbo que concede à questão um sentimento muito mais amplo. Era como se Cristo apenas quisesse saber se Pedro gostava do Mestre como se gosta de um parente, de uma outra pessoa qualquer. Por isto ele se entristece.
Não é muito difícil entender porque a tradição quis ligar esta tripla profissão com a tríplice negação. Nem é de todo impossível perceber que Pedro tenha se lembrado do episódio em que negara o Mestre. Triste, por ser tardo em compreender ele corrige-se em tempo: “Senhor, tu tudo sabes. E sabes que eu te amo”.
É esta a resposta que a pedagogia do Mestre quer: AMOR, mais que tudo. Não o amor carnal, erótico. O AMOR de quem é capaz de trocar sua vida pela de um semelhante, exemplo que o Mestre acabara de dar na sua morte de Cruz.
Quando pois estivermos a refletir sobre a nossa condição humana e a outra que nos faz filhos diletos por quem o Pai Celeste, por AMOR a todas as criaturas, entregou seu próprio Filho é preciso que respondamos: Qual o sentimento que nutrimos por Deus, por Jesus Cristo? Apenas os admitimos e até temos uma grande admiração? Ou somos daqueles que “gostamos” deles? Quem sabe nós somos aqueles que dizem – bem alto ou baixinho – “eu os AMO”.
Qualquer que seja a resposta é bom saber que há uma outra lição que nos foi deixada pelo Mestre, além de seu ato de extremo AMOR por nós: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1ª. Carta de João 4,20).
São estas pequenas sutilezas linguísticas e das traduções que mudam a essência de toda a mensagem. Também assim o é quando tratamos do termo alma (do latim “anima”). Bem, mas disto eu falo na próxima...
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha
Desculpando minha ousadia, começo hoje um novo quadro deste Blog, onde pretendo colocar alguns de meus ensaios, resultado de estudos e elucubrações que passam em minha mente enquanto, orando, reflito... e daí, ponho tudo escritinho no papel.
Que Deus abençoe a todos.
Caminha
PROFISSÃO DE AMOR
Por Luiz Eduardo Caminha
Embora seja uma das línguas consideradas ricas em vocabulário o português passa dificuldade em expressar certos termos ou situações que a língua mãe, o latim, contém. É conhecido nosso intraduzível “saudade” e, talvez esteja neste vocábulo algo o mais próximo possível do que pretendo dizer. No vocábulo saudade está embutido um sentimento inerente ao estado de ser do agente que o vive (ou interpreta). As línguas oriundas dos povos bárbaros, entre elas o alemão e o inglês e outras nórdicas, não conseguem, por mais que tentem, exprimir sentimentos mais significativos que o próprio vocábulo. O uso do verbo “to miss” no inglês (sentir falta) não retrata, nem de longe, o conteúdo sentimental do vocábulo em questão. Quando o inglês fala “I miss you” está apenas e tão secamente dizendo “eu senti falta de você, da sua presença”. Ora sentir falta da presença de alguém, convenhamos, não é o mesmo que dizermos “eu senti saudades de você” ou mesmo, quando em qualquer referência à pessoa, tempo ou lugar, apenas balbuciamos com o coração próximo à boca: “que saudade”!
Os germânicos vão um pouco além na ânsia de exprimir este sentimento. Usam quase sempre uma palavra para cada situação, como é o caso de Heimweh para representar a “saudade” de casa ou da pátria. Na verdade Heimweh seria o equivalente ao nosso “banzo”, uma espécie de melancolia muito presente entre os negros africanos – até morriam disto – que sentiam saudades de sua tribo, sua nação, a África.
Fiz este preâmbulo para voltar a afirmar: comparada ao latim e ao grego, o português, em muitos casos deixa a desejar. Isto fica patente quando tentamos traduzir textos originalmente escritos nestas línguas que compõe um número significativo dos termos que utilizamos.
Por exemplo: na versão grega da Bíblia – a mais próxima do hebraico – quando ocorre a passagem em que Jesus Cristo reclama a confirmação do amor de Simão Pedro (João 21, 15-19), podemos ver a sutil diferença da pedagogia do Mestre. Na versão para o português, Cristo faz a mesma pergunta por 3 vezes: “Simão, filho de João, amas-me mais que estes?” Pedro responde, por duas vezes: “Sim Senhor tu sabes que te amo”. A cada resposta Cristo mostrava a missão que confiaria a Pedro: Apascenta as minhas ovelhas. Ao deparar-se com a insistente pergunta, pela 3ª. vez, a versão portuguesa mostra uma certa tristeza em Pedro e, desta vez, Simão Pedro lhe diz: “Senhor tu sabes tudo. Sabes também que te amo”. Mas aí trago à reflexão o que o texto hebraico nos reporta: Na verdade, nas duas primeiras vezes em que Jesus faz a pergunta o texto não tem nada a acrescentar.
As traduções expressam o mesmo sentido, são fiéis ao enunciado. Entretanto as duas primeiras respostas de Pedro é que foram traduzidas erroneamente. Pedro responde a Jesus com um vocábulo que não tem, em hipótese alguma, o significado do sentimento que quer o Mestre. Pedro apenas diz: “Senhor, tu sabes que eu gosto de ti”. Repararam na enorme diferença?
Cristo passou pregando o AMOR entre os homens como um mandamento tão poderoso como O AMOR A DEUS e, exige de Pedro a amplitude deste amor. Pedro, um homem rude, não capta esta sutileza. Só vem a percebê-la quando o Mestre inverte a pergunta, o que também não foi obedecido no texto grego e português.
Pergunta o Cristo, nesta 3ª. vez: Simão, filho de João, tu gostas de mim mais que estes outros”. Aí é que Pedro percebe a troca do verbo que concede à questão um sentimento muito mais amplo. Era como se Cristo apenas quisesse saber se Pedro gostava do Mestre como se gosta de um parente, de uma outra pessoa qualquer. Por isto ele se entristece.
Não é muito difícil entender porque a tradição quis ligar esta tripla profissão com a tríplice negação. Nem é de todo impossível perceber que Pedro tenha se lembrado do episódio em que negara o Mestre. Triste, por ser tardo em compreender ele corrige-se em tempo: “Senhor, tu tudo sabes. E sabes que eu te amo”.
É esta a resposta que a pedagogia do Mestre quer: AMOR, mais que tudo. Não o amor carnal, erótico. O AMOR de quem é capaz de trocar sua vida pela de um semelhante, exemplo que o Mestre acabara de dar na sua morte de Cruz.
Quando pois estivermos a refletir sobre a nossa condição humana e a outra que nos faz filhos diletos por quem o Pai Celeste, por AMOR a todas as criaturas, entregou seu próprio Filho é preciso que respondamos: Qual o sentimento que nutrimos por Deus, por Jesus Cristo? Apenas os admitimos e até temos uma grande admiração? Ou somos daqueles que “gostamos” deles? Quem sabe nós somos aqueles que dizem – bem alto ou baixinho – “eu os AMO”.
Qualquer que seja a resposta é bom saber que há uma outra lição que nos foi deixada pelo Mestre, além de seu ato de extremo AMOR por nós: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1ª. Carta de João 4,20).
São estas pequenas sutilezas linguísticas e das traduções que mudam a essência de toda a mensagem. Também assim o é quando tratamos do termo alma (do latim “anima”). Bem, mas disto eu falo na próxima...
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha
domingo, 17 de agosto de 2008
A Chave de Ouro
Pode parecer, meus amigos, que esteja um pouquinho longa. Quase duas laudas. É muito? Mas foi o espaço mínimo que consegui para resumir tudo - ou quase tudo - do que penso ser a presença de Deus em cada um de nós. Espero que gostem e postem seus comentáris. Se não gostarem, sem problemas, podem também postar sua crítica.
Que Deus abençoe a todos.
A Chave de Ouro
O Livro Sagrado ao descrever a criação do homem o faz desta forma : “E então Deus criou o homem, a sua imagem e semelhança, homem e mulher os criou, à imagem de Deus os criou”.
Ao tentarmos enveredar pelos magníficos campos que a interpretação pode dar a este momento impar da Criação, uma coisa fica clara: o homem foi criado para viver em plenitude, semelhantemente a seu Criador.
Deus é pleno, é harmonia, amor, equilíbrio, infinito, o bem. Por mais que tentemos, não existem palavra,s em dicionário algum, em qualquer língua, que consiga expressar a concepção de Deus. Nossa mente não consegue dimensionar este ser. Talvez a melhor expressão para definir Deus seja “Deus é tudo e o todo”. O homem é finito e não consegue mensurar o infinito, o absoluto. Entretanto, isto tem pouca importância. O que importa mesmo é sabermos a essência do porquê e para o que fomos criados. Ora, se fomos criados à imagem e semelhança de um ser pleno foi para isto que fomos criados.
Na verdade, este desejo, esta vontade do Criador, está impregnada em nós mesmos. Como uma sementinha esperando o momento de desabrochar, dentro de nós, a árvore que dá sentido à vida. Como uma marca, uma assinatura que o artista faz ao terminar sua obra. Dentro de cada um de nós há uma espécie de memória, um pequeno “chip” que tem armazenado esta noção do absoluto, de Deus. Uma matriz situada em alguma gaveta do subconsciente, onde está impresso que fomos criados para o bem, para a felicidade, para vivermos em paz, em harmonia, em equilíbrio, no amor.
O que precisamos, e aí está o grande segredo de quem consegue, é descobrirmos o nosso programa, o “software” que abre este “chip”, libera esta matriz e nos põe as condições para buscarmos estes paradigmas.
O próprio Jesus Cristo, quando esteve em nosso meio apontou este programa, nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de São Mateus - que nos reportam a uma síntese de todos os ensinamentos do Mestre. O Sermão da Montanha.
Faça uma experiência. Pegue a sua Bíblia, o seu Novo Testamento e procure ler pausadamente, refletindo, meditando sobre cada versículo. Faça isto com sua família. Você vai ter uma agradável surpresa. Só para lembrar Evangelho de São Mateus, capítulos 5 , 6 e 7.
Neste sermão Cristo dá a receita para começarmos a busca por uma vida feliz. Falando a seus seguidores Jesus pergunta ; “Qual dos mandamentos vos parece ser o maior? Um dos presentes respondeu “O maior dos mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas” Mas há um segundo mandamento, disse Jesus, que é tão grande como este “Ama o próximo como se fosse a ti mesmo” e segue, entre tantos ensinamentos, dizendo. “Eu não vim para tirar um jota ou um traço da lei . Eu só vim para subrogá-la”. Há que se dizer, a letra jota é a menor do alfabeto hebraico, a língua do povo escolhido por Deus, os hebreus, para quem o Mestre ensinava.
Mas, é no versículo 12, do capítulo 7, que Cristo revela o segredo, Chave de Ouro, que abrirá aquela gaveta do subconsciente e liberará a matriz que nos faz “imagem e semelhança de Deus” – “Tudo o que desejares que os homens vos façam, fazei-o vós primeiro a eles”.
Ora todos queremos, para nós próprios, coisas boas. Pois façamos para os outros coisas que sejam boas. Todos querem ser amados. Pois esqueçamos o ódio, a mágoa, o rancor. Amemos primeiro os outros, que são nossos irmãos nesta Criação. Todos queremos o bem. Pois façamos primeiro, para os outros, o bem. Todos queremos a paz. Pois sejamos apóstolos da paz. Gostamos da gratidão de nossos filhos de nossos amigos, das pessoas. Pois sejamos gratos por nossos filhos, nossos amigos. Saibamos ser gratos às pessoas que nos rodeiam. Todos apreciam um afago, um carinho, um abraço, um sorriso. Pois vamos, primeiro, ser ternos, afáveis, distribuir os braços a todos que precisam de abraços. Não sejamos amargos. Sejamos os primeiros a sorrir para os outros, para a vida. Muitas e muitas vezes precisamos de um ombro amigo. Pois estejam os nossos ombros sempre livres para quem quiser repousar sobre eles as suas angústias, as suas aflições.
Lembrem-se : fomos feitos para viver no amor, sem ódios, sem guerras, sem conflitos, sem inveja. Fomos moldados para a harmonia, o equilíbrio, a paz. Vivamos pois, assim com os nossos próximos mais próximos, a nossa família, o nosso vizinho, os nossos amigos, a comunidade, com todas as pessoas, com a natureza, com a água, o mar, os céus, o mundo que nos rodeia, porque, como nós, foram os seres e elementos concebidos como obra de uma só Criação.
Não importa a fé que você professa, a religião que você tem, busquemos todos a felicidade. Afinal, quem somos nós para julgar? É o próprio Mestre quem recomenda.: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com a mesma medida que porventura julgares sereis vós também julgados”.
Vejam a beleza destes pensamentos extraídos do livro “A arte da felicidade” de Howard C. Cutler, Médico Psiquiatra e de Tenzin Gyatso, o Dalai Lama : “Acredito que o objetivo de nossa vida seja a busca da felicidade. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta ou naquela religião, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto acho que a motivação de nossa vida é a felicidade”.
Quando você mantém um sentimento de compaixão, bondade e amor, algo abre automaticamente sua porta interna. Com isso, você pode se comunicar mais facilmente com as outras pessoas. E isto cria uma espécie de abertura. Você descobre que todos os seres humanos são exatamente iguais a você e tudo fica mais fácil para se relacionar com eles.
Você acredita nestas coisas? Pois eu acredito! Sabe aqueles momentos em que você está triste? Isto acontece pela saudade que você tem daquela matriz, daquela sementinha imagem de Deus que está plantada em você e, por algum motivo, você esqueceu ou não encontrou. Sabe aqueles momentos de angústia, de dúvida? São saudades desta sementinha. Saudades do Deus que habita em você.
Somos um templo. Um templo que abriga o Criador. Deus está em nós... e se faz! Basta que estejamos abertos a isto. Basta que queiramos.
Que Deus abençoe a todos.
A Chave de Ouro
O Livro Sagrado ao descrever a criação do homem o faz desta forma : “E então Deus criou o homem, a sua imagem e semelhança, homem e mulher os criou, à imagem de Deus os criou”.
Ao tentarmos enveredar pelos magníficos campos que a interpretação pode dar a este momento impar da Criação, uma coisa fica clara: o homem foi criado para viver em plenitude, semelhantemente a seu Criador.
Deus é pleno, é harmonia, amor, equilíbrio, infinito, o bem. Por mais que tentemos, não existem palavra,s em dicionário algum, em qualquer língua, que consiga expressar a concepção de Deus. Nossa mente não consegue dimensionar este ser. Talvez a melhor expressão para definir Deus seja “Deus é tudo e o todo”. O homem é finito e não consegue mensurar o infinito, o absoluto. Entretanto, isto tem pouca importância. O que importa mesmo é sabermos a essência do porquê e para o que fomos criados. Ora, se fomos criados à imagem e semelhança de um ser pleno foi para isto que fomos criados.
Na verdade, este desejo, esta vontade do Criador, está impregnada em nós mesmos. Como uma sementinha esperando o momento de desabrochar, dentro de nós, a árvore que dá sentido à vida. Como uma marca, uma assinatura que o artista faz ao terminar sua obra. Dentro de cada um de nós há uma espécie de memória, um pequeno “chip” que tem armazenado esta noção do absoluto, de Deus. Uma matriz situada em alguma gaveta do subconsciente, onde está impresso que fomos criados para o bem, para a felicidade, para vivermos em paz, em harmonia, em equilíbrio, no amor.
O que precisamos, e aí está o grande segredo de quem consegue, é descobrirmos o nosso programa, o “software” que abre este “chip”, libera esta matriz e nos põe as condições para buscarmos estes paradigmas.
O próprio Jesus Cristo, quando esteve em nosso meio apontou este programa, nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de São Mateus - que nos reportam a uma síntese de todos os ensinamentos do Mestre. O Sermão da Montanha.
Faça uma experiência. Pegue a sua Bíblia, o seu Novo Testamento e procure ler pausadamente, refletindo, meditando sobre cada versículo. Faça isto com sua família. Você vai ter uma agradável surpresa. Só para lembrar Evangelho de São Mateus, capítulos 5 , 6 e 7.
Neste sermão Cristo dá a receita para começarmos a busca por uma vida feliz. Falando a seus seguidores Jesus pergunta ; “Qual dos mandamentos vos parece ser o maior? Um dos presentes respondeu “O maior dos mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas” Mas há um segundo mandamento, disse Jesus, que é tão grande como este “Ama o próximo como se fosse a ti mesmo” e segue, entre tantos ensinamentos, dizendo. “Eu não vim para tirar um jota ou um traço da lei . Eu só vim para subrogá-la”. Há que se dizer, a letra jota é a menor do alfabeto hebraico, a língua do povo escolhido por Deus, os hebreus, para quem o Mestre ensinava.
Mas, é no versículo 12, do capítulo 7, que Cristo revela o segredo, Chave de Ouro, que abrirá aquela gaveta do subconsciente e liberará a matriz que nos faz “imagem e semelhança de Deus” – “Tudo o que desejares que os homens vos façam, fazei-o vós primeiro a eles”.
Ora todos queremos, para nós próprios, coisas boas. Pois façamos para os outros coisas que sejam boas. Todos querem ser amados. Pois esqueçamos o ódio, a mágoa, o rancor. Amemos primeiro os outros, que são nossos irmãos nesta Criação. Todos queremos o bem. Pois façamos primeiro, para os outros, o bem. Todos queremos a paz. Pois sejamos apóstolos da paz. Gostamos da gratidão de nossos filhos de nossos amigos, das pessoas. Pois sejamos gratos por nossos filhos, nossos amigos. Saibamos ser gratos às pessoas que nos rodeiam. Todos apreciam um afago, um carinho, um abraço, um sorriso. Pois vamos, primeiro, ser ternos, afáveis, distribuir os braços a todos que precisam de abraços. Não sejamos amargos. Sejamos os primeiros a sorrir para os outros, para a vida. Muitas e muitas vezes precisamos de um ombro amigo. Pois estejam os nossos ombros sempre livres para quem quiser repousar sobre eles as suas angústias, as suas aflições.
Lembrem-se : fomos feitos para viver no amor, sem ódios, sem guerras, sem conflitos, sem inveja. Fomos moldados para a harmonia, o equilíbrio, a paz. Vivamos pois, assim com os nossos próximos mais próximos, a nossa família, o nosso vizinho, os nossos amigos, a comunidade, com todas as pessoas, com a natureza, com a água, o mar, os céus, o mundo que nos rodeia, porque, como nós, foram os seres e elementos concebidos como obra de uma só Criação.
Não importa a fé que você professa, a religião que você tem, busquemos todos a felicidade. Afinal, quem somos nós para julgar? É o próprio Mestre quem recomenda.: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com a mesma medida que porventura julgares sereis vós também julgados”.
Vejam a beleza destes pensamentos extraídos do livro “A arte da felicidade” de Howard C. Cutler, Médico Psiquiatra e de Tenzin Gyatso, o Dalai Lama : “Acredito que o objetivo de nossa vida seja a busca da felicidade. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta ou naquela religião, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto acho que a motivação de nossa vida é a felicidade”.
Quando você mantém um sentimento de compaixão, bondade e amor, algo abre automaticamente sua porta interna. Com isso, você pode se comunicar mais facilmente com as outras pessoas. E isto cria uma espécie de abertura. Você descobre que todos os seres humanos são exatamente iguais a você e tudo fica mais fácil para se relacionar com eles.
Você acredita nestas coisas? Pois eu acredito! Sabe aqueles momentos em que você está triste? Isto acontece pela saudade que você tem daquela matriz, daquela sementinha imagem de Deus que está plantada em você e, por algum motivo, você esqueceu ou não encontrou. Sabe aqueles momentos de angústia, de dúvida? São saudades desta sementinha. Saudades do Deus que habita em você.
Somos um templo. Um templo que abriga o Criador. Deus está em nós... e se faz! Basta que estejamos abertos a isto. Basta que queiramos.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
domingo, 3 de agosto de 2008
Implacável tempo
Aí vai, meus queridos amigos, mais uma de minhas incursões poéticas fruto de uma reflexão sobre o tempo que tão sofregamente jogamos fora no corre da vida. Corre-corre que nos faz perder o rumo e a capacidade de dedicar mais tempo a tantos que merecem e nos fazem sentir bem.
Implacável e escasso tempo.
Tem sido tanto o corre-corre
Que mal me ocorre
Cruzar as sendas
Dos meus prazeres
Ah! se mais tempo eu tivesse,
Mais tempo disporia,
Prá viver a euforia,
De conviver vocês.
Tempo, entretanto,
É questão de preferência.
Hei de fazê-lo, por certo, acontecer,
Nem que o último sendero me reste,
Nem que me arraste.
Aí, quem sabe,
Não mais pedirei perdão,
Àqueles a quem gostaria de dividir mais,
Todo o escasso tempo,
Que me resta!!!
Luiz Eduardo Caminha, em 26.06.2008
Implacável e escasso tempo.
Tem sido tanto o corre-corre
Que mal me ocorre
Cruzar as sendas
Dos meus prazeres
Ah! se mais tempo eu tivesse,
Mais tempo disporia,
Prá viver a euforia,
De conviver vocês.
Tempo, entretanto,
É questão de preferência.
Hei de fazê-lo, por certo, acontecer,
Nem que o último sendero me reste,
Nem que me arraste.
Aí, quem sabe,
Não mais pedirei perdão,
Àqueles a quem gostaria de dividir mais,
Todo o escasso tempo,
Que me resta!!!
Luiz Eduardo Caminha, em 26.06.2008
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