Vai aí minha homenagem à todas as mães. Este ser tão singular que, ao se fazer homem em Jesus Cristo, Deus quis ter uma.
M A M Ã E
Luiz Eduardo Caminha
Suave, aos poucos, a música tomava o ar lentamente,
Da luz, as centelhas, enchiam de magia, o ambiente,
Trazido por anjos, um arco-íris depunha, qual tesouro, o berço iluminado,
Envolta em alvas roupas, trombetas a anunciar, ela nascia.
De tudo tomou conta, o silêncio,
Dos grilos e cigarras, o cantar,
Dos pássaros, o chilreio, das cascatas, o espolcar.
Até das matas, o barulho se fez calar.
Do berço, as mãos de Deus a tomaram (pequeno ser),
Anjos, potestades, querubins se prostraram,
À gentil palmada, um choro, rasgou aquele mágico instante.
Uma voz, tonitroante, sacudiu todas as estruturas.
Nascestes, oh! Criança! Fruto da semente plantada ao ventre,
Broto da rama, angelical expressão do Amor.
És a lúcida imagem da mulher que te gerou, há de te ver crescer,
És o prêmio, troféu de alegrias, glórias e dores,
Daquela que, por ti, se fez mãe.
Agora, és adulto indócil, irrequieto,
Seguistes tua vida,
Depois que a segurança, da barra de sua saia,
Se tornara, para ti, um estorvo.
Em ti, porém, uma semente divina foi plantada,
Semente da árvore da doce saudade,
Do querer insistente daqueles dias,
Do tempo em que todo o seu tempo, seu vigor, ela dispensava,
Guardiã majestosa do teu crescer.
Em ti, esta semente,
Gerará a árvore da lembrança,
Do querer sempre latente,
De voltar a ser criança.
Nem que seja para desfrutar momentos,
Por ti curtidos, ou sequer vividos,
Instantes inocentes, alegres, joviais,
Sonhos, devaneios, da infância revivida.
Hiatos, em que tu chegavas,
Sem que se ouvisse o ladrar dos cães,
E lá estava ela, sorridente, cálida,
Pronta prá te permitir balbuciar: mamãe!!!
Floripa, Ratones, 03.05.2009
caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Crônica
Depois de 3 meses de marchas e contramarchas com meu probleminhas de saúde (desta vez a anemia foi severa e nem conseguia concatenar as ideias), sinto-me um pouco melhor e ouso recomeçar umas “escrevinhadas”.
Segue, então, mais uma de minhas crônicas.
Desculpem a ausência. E me aturem! Estou começando a voltar. Devagarito como enterro de viúva rica.
Sobre a hipocrisia e a verdade
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Rui Barbosa.
22 de Abril de 2009. Assisto mais dois episódios da comédia chamada Brasil. O bate-boca no Supremo Tribunal Federal e no Congresso. Na Câmara Federal o episódio toma tons de picardia. O chamado baixo clero, agora com alguns aliados do alto clericalismo se digladiam por causa da “farra das passagens aéreas”. Mas o pitoresco Vossa Excelência é que dá o tom. Vossa Excelência prá lá, Vossa Excelência pra cá. Jogo de oratória, briga de terreiro ou rinha de galo? Sei não!!!.
Culpa do português, a nossa língua, última flor do lácio, cheia de sutilezas e nuances, hoje com a nova roupagem da reforma ortográfica. Em que pese esta “débâcle” ultrajante do nosso modo de escrever, a prática oral continua a mesma. Máscaras e vernizes denotam a hipocrisia do palavreado de efeito, cheio de firulas, de construções fricotadas que tentam atenuar a única obsessiva verdade: o que se diz não é bem o que se quer dizer, Vossas Excelências que não se ofendam.
Tentam esconder o que não se pode mitigar. Amo nossa língua. Nela, o branco não é bem branco é, quiçá, perdoem-me Excelências, uma pálida ausência de cor. O preto não é bem preto, nem negro, é um afro desiderato dos tempos modernos onde proferir uma verdade parece ofender e ser real, uma afronta. E por aí vão as excelências e hipocrisias como se falar a sério, defender o justo, ser honesto, íntegro e ético, fosse coisa de encrenqueiros, mal humorados e radicais. É seu Rui, começo a ter vergonha de ser assim. No tempo de minha avó, “Excelências” era uma oração cantada em dias de tempestades, raios e trovoadas. Para espantá-las. Hoje é um requinte lingüístico para doirar a hipocrisia.
Vejamos algumas destas idiossincrasias do vernáculo. Antigamente, homem que se deixava sodomizar por outro homem era bicha mesmo, frutinha ou, sem usar a finesse que os hipócritas de hoje exigem, viado. Viado sim, com i. Porque veado era aquele bicho cheio de galhos na cabeça. A nova norma é chamá-los homossexuais ou, importando a macaquice, “gays”. Posso até levar um processo por causa disso. Sei lá! Chamar quem é traído de corno, chifrudo, nem pensar. Melhor dizer, pessoa que usa enfeites na cabeça. Mulheres praticantes do baixo meretrício, as meretrizes, não são mais putas, são profissionais do sexo. Os dicionários que tirem este verbete de sua lista.
Nesta nova versão do português hipócrita, em substuição ao casto, não se pode mais chamar ninguém de mentiroso. Mesmo que este seja o maior de todos. O correto, agora, é dizer: Vossa Excelência me respeite! Vossa Excelência está faltando com a verdade. Como se faltar com a verdade não fosse o mesmo que mentira.
Ladrão, não é mais ladrão. Ainda mais se for da alta sociedade. Ladrão agora não é mais criminoso. Afinal ele só furta ou subtrai um bem ou bens de outrem. Bem feito!
Ética, então, nem falar. O que fizeram dela, da Moral, do decoro, temas tão estudados por filósofos como Platão, Aristóteles, Hipócrates? Isto para não apelarmos para o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo ou para Francisco de Assis, Lutero, Ghandi, Martim Luther, entre outros que pregaram a respeito. Hoje, nada mais são que práticas em extinção ou, na melhor das hipóteses, fugindo deste veredito, soam à gozação, baboseira, ingenuidade.
É, a coisa está feia. Ou melhor, despida de beleza, Vossa Excelência que me perdoe. Parece que os sentidos despertaram para a prática do reino da mentira, da falsidade, da cupidez, da imoralidade, da vergonha. O mundo virou. De ponta-cabeça. Os ianques, começando pelos “cow-boys” Reagan e Busch Pai mataram Brentwood e a mentira americana do consumo vai gerar 4,1 trilhão de dólares de prejuízo. Dinheiro? Que nada! Papéis! Títulos! Até o Bispo Fernado Lugo, enquanto padre, confessa ter tido um filho. Já são seis! Opash assume um filho de Raji fora do casamento e Maya está grávida de um Dalit. A Globo corrompendo os costumes hindus. Ainda tem alguma coisa de pé? Tem sim. A mentira ou, data vênia, a falta com a verdade.
Porém, nem tudo está perdido. De onde menos se espera vem a solução. Aquela parcela da classe política que domina estes meandros, a turma do baixo clero, dá um drible no português, na verdade, nesta coisa “démodé” e edita uma nova reforma. A receita? Antepor a cada verdade, a cada princípio moral, a cada enunciado ético, a cada palavra ou palavrão algumas magníficas e eloqüentes figuras de linguagem que conferem uma nova farda polida e cortez – embora hipócrita – ao discurso. Simples.
Alguns exemplos: use sistematicamente os termos Vossa Excelência, Vossa Senhoria, digníssimo senhor, eminente senhora, honroso cidadão e por aí vai. Antes de deitar palavrão, xingar, avacalhar, ou coisa pior tente o charmoso “data vênia” ou “com a devida vênia”. Ô, coisa linda que fica! Coisa de lordes ingleses. Experimente. Sim porque, agora, está definitivamente decidido: Só se pode dizer verdades, soltar palavrão, xingar, ou usar de termos diretos, na veia, se recorrermos a estes adornos retóricos.
Aliás o modelo já fez escola, haja vista o imbróglio do Supremo. “Lex sed lex”. Pois, façamos o mesmo. Quando quisermos, por exemplo, dizer que um determinado humanóide é um filho de uma prostituta, digamos: Com a devida vênia à digníssima senhora sua genitora, Vossa Senhoria é um eminente f.d.p. (com todas as onze letras), ou quem sabe, Vossa Excelência me perdoe, o nobre e eminente colega é um grandessíssimo e digníssimo filho da puta.
Nunca é tarde lembrar que a forma mais contusa ainda faz gênero, desde que se disfarce como o matuto mineiro, que para dizer a mesma coisa, pergunta ao incauto: “Ocê num é fio da Candinha? Cumi muuunto a sinhora sua mãe!” Sou mais o matuto. Rui Barbosa tinha razão. Tenho dito.
Luiz Eduardo Caminha, Ratones, Floripa, 23.04.2009
Segue, então, mais uma de minhas crônicas.
Desculpem a ausência. E me aturem! Estou começando a voltar. Devagarito como enterro de viúva rica.
Sobre a hipocrisia e a verdade
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Rui Barbosa.
22 de Abril de 2009. Assisto mais dois episódios da comédia chamada Brasil. O bate-boca no Supremo Tribunal Federal e no Congresso. Na Câmara Federal o episódio toma tons de picardia. O chamado baixo clero, agora com alguns aliados do alto clericalismo se digladiam por causa da “farra das passagens aéreas”. Mas o pitoresco Vossa Excelência é que dá o tom. Vossa Excelência prá lá, Vossa Excelência pra cá. Jogo de oratória, briga de terreiro ou rinha de galo? Sei não!!!.
Culpa do português, a nossa língua, última flor do lácio, cheia de sutilezas e nuances, hoje com a nova roupagem da reforma ortográfica. Em que pese esta “débâcle” ultrajante do nosso modo de escrever, a prática oral continua a mesma. Máscaras e vernizes denotam a hipocrisia do palavreado de efeito, cheio de firulas, de construções fricotadas que tentam atenuar a única obsessiva verdade: o que se diz não é bem o que se quer dizer, Vossas Excelências que não se ofendam.
Tentam esconder o que não se pode mitigar. Amo nossa língua. Nela, o branco não é bem branco é, quiçá, perdoem-me Excelências, uma pálida ausência de cor. O preto não é bem preto, nem negro, é um afro desiderato dos tempos modernos onde proferir uma verdade parece ofender e ser real, uma afronta. E por aí vão as excelências e hipocrisias como se falar a sério, defender o justo, ser honesto, íntegro e ético, fosse coisa de encrenqueiros, mal humorados e radicais. É seu Rui, começo a ter vergonha de ser assim. No tempo de minha avó, “Excelências” era uma oração cantada em dias de tempestades, raios e trovoadas. Para espantá-las. Hoje é um requinte lingüístico para doirar a hipocrisia.
Vejamos algumas destas idiossincrasias do vernáculo. Antigamente, homem que se deixava sodomizar por outro homem era bicha mesmo, frutinha ou, sem usar a finesse que os hipócritas de hoje exigem, viado. Viado sim, com i. Porque veado era aquele bicho cheio de galhos na cabeça. A nova norma é chamá-los homossexuais ou, importando a macaquice, “gays”. Posso até levar um processo por causa disso. Sei lá! Chamar quem é traído de corno, chifrudo, nem pensar. Melhor dizer, pessoa que usa enfeites na cabeça. Mulheres praticantes do baixo meretrício, as meretrizes, não são mais putas, são profissionais do sexo. Os dicionários que tirem este verbete de sua lista.
Nesta nova versão do português hipócrita, em substuição ao casto, não se pode mais chamar ninguém de mentiroso. Mesmo que este seja o maior de todos. O correto, agora, é dizer: Vossa Excelência me respeite! Vossa Excelência está faltando com a verdade. Como se faltar com a verdade não fosse o mesmo que mentira.
Ladrão, não é mais ladrão. Ainda mais se for da alta sociedade. Ladrão agora não é mais criminoso. Afinal ele só furta ou subtrai um bem ou bens de outrem. Bem feito!
Ética, então, nem falar. O que fizeram dela, da Moral, do decoro, temas tão estudados por filósofos como Platão, Aristóteles, Hipócrates? Isto para não apelarmos para o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo ou para Francisco de Assis, Lutero, Ghandi, Martim Luther, entre outros que pregaram a respeito. Hoje, nada mais são que práticas em extinção ou, na melhor das hipóteses, fugindo deste veredito, soam à gozação, baboseira, ingenuidade.
É, a coisa está feia. Ou melhor, despida de beleza, Vossa Excelência que me perdoe. Parece que os sentidos despertaram para a prática do reino da mentira, da falsidade, da cupidez, da imoralidade, da vergonha. O mundo virou. De ponta-cabeça. Os ianques, começando pelos “cow-boys” Reagan e Busch Pai mataram Brentwood e a mentira americana do consumo vai gerar 4,1 trilhão de dólares de prejuízo. Dinheiro? Que nada! Papéis! Títulos! Até o Bispo Fernado Lugo, enquanto padre, confessa ter tido um filho. Já são seis! Opash assume um filho de Raji fora do casamento e Maya está grávida de um Dalit. A Globo corrompendo os costumes hindus. Ainda tem alguma coisa de pé? Tem sim. A mentira ou, data vênia, a falta com a verdade.
Porém, nem tudo está perdido. De onde menos se espera vem a solução. Aquela parcela da classe política que domina estes meandros, a turma do baixo clero, dá um drible no português, na verdade, nesta coisa “démodé” e edita uma nova reforma. A receita? Antepor a cada verdade, a cada princípio moral, a cada enunciado ético, a cada palavra ou palavrão algumas magníficas e eloqüentes figuras de linguagem que conferem uma nova farda polida e cortez – embora hipócrita – ao discurso. Simples.
Alguns exemplos: use sistematicamente os termos Vossa Excelência, Vossa Senhoria, digníssimo senhor, eminente senhora, honroso cidadão e por aí vai. Antes de deitar palavrão, xingar, avacalhar, ou coisa pior tente o charmoso “data vênia” ou “com a devida vênia”. Ô, coisa linda que fica! Coisa de lordes ingleses. Experimente. Sim porque, agora, está definitivamente decidido: Só se pode dizer verdades, soltar palavrão, xingar, ou usar de termos diretos, na veia, se recorrermos a estes adornos retóricos.
Aliás o modelo já fez escola, haja vista o imbróglio do Supremo. “Lex sed lex”. Pois, façamos o mesmo. Quando quisermos, por exemplo, dizer que um determinado humanóide é um filho de uma prostituta, digamos: Com a devida vênia à digníssima senhora sua genitora, Vossa Senhoria é um eminente f.d.p. (com todas as onze letras), ou quem sabe, Vossa Excelência me perdoe, o nobre e eminente colega é um grandessíssimo e digníssimo filho da puta.
Nunca é tarde lembrar que a forma mais contusa ainda faz gênero, desde que se disfarce como o matuto mineiro, que para dizer a mesma coisa, pergunta ao incauto: “Ocê num é fio da Candinha? Cumi muuunto a sinhora sua mãe!” Sou mais o matuto. Rui Barbosa tinha razão. Tenho dito.
Luiz Eduardo Caminha, Ratones, Floripa, 23.04.2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Sou, mesmo, um otimista!
Prezados Amigos,
Aí vai minha primeira incursão no Blog em 2009. Como acredito que cada um de nós, desde que faça a sua parte, pode somar esforços para mudar este mundão de Deus, vou de poema. Um poema que retrata nada mais que este óbvio que, de tanto, ulula (Epa! não é o Lula, nem a lula, aquele molusco que se confunde, às vezes, com o Presidente). Ulula do verbo ulular, que o Aurélio assim define:
ulular [Do lat. ululare.] - Verbo intransitivo.
1.Soltar (o cão) voz triste e lamentosa; ganir, uivar.
2.Gritar ou uivar, produzindo som plangente.
Então tá dito. Aí vai:
Ah! Um recadinho: "Tudo o que desejares que o outro te faça, fazei-o, tu, primeiro a ele" (Evangelho de Mateus 7,12)
Que Deus abençoe a todos.
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém.
Otimista
Sim, sim!
Eu sei que sou!
Um otimista prepotente.
Compulsivo e compulsório.
Forjado no talhe da ideologia,
No malho da consciência.
Ideológica, idiosincrásica,
Idiopática...mente.
Que, às vezes, mente,
Para dizer verdades,
Ou verbetes,
De uma vida.
Sou crítico,
Mordaz
Lúgubre,
Mas poço profundo,
De sonhos
E esperanças.
Quem disse que não vou mudar o mundo?
Vou sim! Se vou!
Você vai ... também!
Ele vai, nós vamos!
Cada um de nós,
Erráticos cidadãos
Deste planeta Gaya, vai!
Para melhor...
Ou para pior.
Basta querer,
Basta viver,
Dia após dia.
Não há um só
Que ao ocaso chegue,
Sem que marcas fiquem
De nossa passagem,
De nossas ações.
Como rastros
De nossos pés,
Rastejantes,
O sol por testemunha,
O pó como rastilho.
O que virá?
Depende do rumo,
Do norte que
Quisermos singre,
A nossa nau,
A nossa nave mãe...
Terra.
Tenho (ainda) esperança,
Sou otimista!
Luiz Eduardo Caminha
Ratones, Floripa, 06.01.2009
Aí vai minha primeira incursão no Blog em 2009. Como acredito que cada um de nós, desde que faça a sua parte, pode somar esforços para mudar este mundão de Deus, vou de poema. Um poema que retrata nada mais que este óbvio que, de tanto, ulula (Epa! não é o Lula, nem a lula, aquele molusco que se confunde, às vezes, com o Presidente). Ulula do verbo ulular, que o Aurélio assim define:
ulular [Do lat. ululare.] - Verbo intransitivo.
1.Soltar (o cão) voz triste e lamentosa; ganir, uivar.
2.Gritar ou uivar, produzindo som plangente.
Então tá dito. Aí vai:
Ah! Um recadinho: "Tudo o que desejares que o outro te faça, fazei-o, tu, primeiro a ele" (Evangelho de Mateus 7,12)
Que Deus abençoe a todos.
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém.
Otimista
Sim, sim!
Eu sei que sou!
Um otimista prepotente.
Compulsivo e compulsório.
Forjado no talhe da ideologia,
No malho da consciência.
Ideológica, idiosincrásica,
Idiopática...mente.
Que, às vezes, mente,
Para dizer verdades,
Ou verbetes,
De uma vida.
Sou crítico,
Mordaz
Lúgubre,
Mas poço profundo,
De sonhos
E esperanças.
Quem disse que não vou mudar o mundo?
Vou sim! Se vou!
Você vai ... também!
Ele vai, nós vamos!
Cada um de nós,
Erráticos cidadãos
Deste planeta Gaya, vai!
Para melhor...
Ou para pior.
Basta querer,
Basta viver,
Dia após dia.
Não há um só
Que ao ocaso chegue,
Sem que marcas fiquem
De nossa passagem,
De nossas ações.
Como rastros
De nossos pés,
Rastejantes,
O sol por testemunha,
O pó como rastilho.
O que virá?
Depende do rumo,
Do norte que
Quisermos singre,
A nossa nau,
A nossa nave mãe...
Terra.
Tenho (ainda) esperança,
Sou otimista!
Luiz Eduardo Caminha
Ratones, Floripa, 06.01.2009
sábado, 20 de dezembro de 2008
FELIZ NATAL!!! oh!oh!oh!
Feliz Natal
Gente, me desculpem, tá? Mas acho uma tolice esta história de copiarmos tudo o que os americanos fazem. Tá certo! Tá certo! O Papai Noel não é invenção deles. Dizem que vem de São Nicolau Taumaturgo, Arcebispo de Mira na Turquia em 280 d.C. Homem de bom coração, costumava ajudar anonimamente as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi declarado santo, pela Igreja Católica, depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. A transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e correu o mundo inteiro.
Até o final do século XIX o Papai Noel era representado por um velhinho de barba branca e roupas marrom (uma bata como as que são usadas pelos bispos e pelo papa até hoje).
É aí que entram os americanos. Foi a Coca-cola que, em 1881, numa campanha publicitária inventou o Papai Noel Vermelho, de gorro com pom-pom branco e tudo mais.
Até aí tudo bem! O velhinho é mesmo simpático e agrada adultos e crianças. Mas aí vem a macaquice: Esse tal de Ho! Ho! Ho! que, em inglês, se escreve com a letra aga (H), mas se pronuncia como um erre (R) vindo da garganta. Pois não é que os macaquitos escrevem em inglês (com H) e ao pronunciar, ao invés de O! O! O! (já que a letra aga, em português não tem som) o fazem imitando os americanos, ou seja Ro! Ro! Ro! Convenhamos, é ridículo!
Mas eu comecei a escrever este texto não para tocar o pau no Papai Noel ou nos macaquitos. Afinal, como já referi, acho o velhinho simpático e, quanto a questão dos macaquitos e macaquices, não adianta espernear. Somos assim mesmo. Brasileiros! Com uma potencialidade enorme para imitar. Sem precisar, é lógico, porque em tudo e por tudo somos melhores que muitos. Bem, deixa isto prá lá.
O meu questionamento é que essa massificação do Papai Noel, fruto de um mercantilismo exagerado e de uma vocação escrava para o consumo, tem feito o homem esquecer o centro das celebrações de Natal. Gente!!! Natal é data cristã, que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Deus que se fez homem, no ventre de uma mulher, para nos trazer a mensagem de Salvação.
Pois é! Eu sei! Tem gente até que vai dizer: Mas o Caminha, hein? Se sair com esta agora? É porque, realmente, os sentimentos trazidos por este ato da bondade de Deus estão sendo jogados prá escanteio. Existem crianças, famílias inteiras, que passam o período natalino sem lembrar do Menino Jesus, da família de Nazaré, sem nem saber o que é um presépio, sem sequer pensar em Deus. Tá lá isto certo?
E a respeito da fraternidade, dos pobres desvalidos, dos excluídos da sociedade? Será que Natal é só presente? É só consumo?
Pois foi pensando neste blá-blá-blá todo que resolvi fazer um poema, este que segue abaixo, sobre o Natal. Tá certo! A motivação também foi a dureza por que passou a gente de Blumenau e região e pela qual, agora, passam cariocas e mineiros. Daí, pode parecer que eu esteja sendo meio chato, casmurro, mas fica a mensagem para reflexão. E, ao fim ao cabo, Blumenau vem mostrando, mais uma vez, a sua inequívoca vocação para a tenacidade, a luta, o re-nascimento, a re-construção.
Que Deus os ilumine e lhes propicie um Santo e Feliz Natal e um Novo Ano cheio de Paz, Saúde e Felicidade. Mas, acima de tudo, que vocês, meus amigos, possam, por pouco que seja, pensar neste menino, Jesus, e em tantos outros meninos que não tiveram a sorte que temos.
Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!!!
Caminha,
Floripa, Ratones, 19.12.2008 - Ah! Aí vai a poesia:
Natal
Eu quis escrever Natal.
Num berço, uma gruta,
Um menino,
Emanuel,
Deus Conosco!
Eu quis fazer Natal!
Na calçada, na rua,
Um maltrapilho,
João, José,
Quem sabe?
O Homem desfigurado.
Eu quis entender Natal.
O homem imagem
Semelhança de Deus,
Ali, cheio de chagas,
Ferido
Ultrajado,
Mais parecia o Jesus da Cruz!
Eu quis pensar Natal,
Não ouso, não posso,
A dor, tristeza,
Não me permite,
A dura realidade,
Não deixa,
Que eu veja,
Deus, nos homens.
Ao lado do homem,
Uma criança,
Um cachorro sarnento,
Um brinquedo quebrado.
Suas mãozinhas afagavam,
Aqueles cabelos desgrenhados,
Sua fome balbuciava,
Papai, quero um pão.
Uma lágrima seca,
Marcava o rosto molhado,
Pela chuva da miséria.
Aí eu soube, compreendi,
Havia um Natal a construir.
Saio da pasmaceira,
Ergo os olhos aos céus,
Atravesso a rua,
Em meio a fogos,
Papais Noéis bordados,
A festa rolava numa casa.
Entro, grito,
Gente! Do outro lado da rua,
Eu vi o menino!
Eu vi Jesus!
Um prato, por favor,
Mesmo que seja de migalhas,
Quero entender o Natal!!!
Quero estender o prato,
Enxugar o pranto,
Dar feições àqueles seres,
Pobres, desvalidos,
Que nada têm.
Em meio à noite,
Madrugada alta,
A chuva, enxurrada,
A terra encharcada,
Treme.
Tudo desmorona.
Em poucos minutos, Tudo é igual,
Ninguém tem nada,
Como o homem,
Como a criança,
A lama, misturava,
Os pedaços de móveis,
Aos retalhos daquelas vidas,
Tudo se foi,
Água abaixo.
Todos, então, compreenderam,
Há um Natal a construir!!!
Luiz Eduardo Caminha,
Floripa, 15.12.2008
Gente, me desculpem, tá? Mas acho uma tolice esta história de copiarmos tudo o que os americanos fazem. Tá certo! Tá certo! O Papai Noel não é invenção deles. Dizem que vem de São Nicolau Taumaturgo, Arcebispo de Mira na Turquia em 280 d.C. Homem de bom coração, costumava ajudar anonimamente as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi declarado santo, pela Igreja Católica, depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. A transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e correu o mundo inteiro.
Até o final do século XIX o Papai Noel era representado por um velhinho de barba branca e roupas marrom (uma bata como as que são usadas pelos bispos e pelo papa até hoje).
É aí que entram os americanos. Foi a Coca-cola que, em 1881, numa campanha publicitária inventou o Papai Noel Vermelho, de gorro com pom-pom branco e tudo mais.
Até aí tudo bem! O velhinho é mesmo simpático e agrada adultos e crianças. Mas aí vem a macaquice: Esse tal de Ho! Ho! Ho! que, em inglês, se escreve com a letra aga (H), mas se pronuncia como um erre (R) vindo da garganta. Pois não é que os macaquitos escrevem em inglês (com H) e ao pronunciar, ao invés de O! O! O! (já que a letra aga, em português não tem som) o fazem imitando os americanos, ou seja Ro! Ro! Ro! Convenhamos, é ridículo!
Mas eu comecei a escrever este texto não para tocar o pau no Papai Noel ou nos macaquitos. Afinal, como já referi, acho o velhinho simpático e, quanto a questão dos macaquitos e macaquices, não adianta espernear. Somos assim mesmo. Brasileiros! Com uma potencialidade enorme para imitar. Sem precisar, é lógico, porque em tudo e por tudo somos melhores que muitos. Bem, deixa isto prá lá.
O meu questionamento é que essa massificação do Papai Noel, fruto de um mercantilismo exagerado e de uma vocação escrava para o consumo, tem feito o homem esquecer o centro das celebrações de Natal. Gente!!! Natal é data cristã, que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Deus que se fez homem, no ventre de uma mulher, para nos trazer a mensagem de Salvação.
Pois é! Eu sei! Tem gente até que vai dizer: Mas o Caminha, hein? Se sair com esta agora? É porque, realmente, os sentimentos trazidos por este ato da bondade de Deus estão sendo jogados prá escanteio. Existem crianças, famílias inteiras, que passam o período natalino sem lembrar do Menino Jesus, da família de Nazaré, sem nem saber o que é um presépio, sem sequer pensar em Deus. Tá lá isto certo?
E a respeito da fraternidade, dos pobres desvalidos, dos excluídos da sociedade? Será que Natal é só presente? É só consumo?
Pois foi pensando neste blá-blá-blá todo que resolvi fazer um poema, este que segue abaixo, sobre o Natal. Tá certo! A motivação também foi a dureza por que passou a gente de Blumenau e região e pela qual, agora, passam cariocas e mineiros. Daí, pode parecer que eu esteja sendo meio chato, casmurro, mas fica a mensagem para reflexão. E, ao fim ao cabo, Blumenau vem mostrando, mais uma vez, a sua inequívoca vocação para a tenacidade, a luta, o re-nascimento, a re-construção.
Que Deus os ilumine e lhes propicie um Santo e Feliz Natal e um Novo Ano cheio de Paz, Saúde e Felicidade. Mas, acima de tudo, que vocês, meus amigos, possam, por pouco que seja, pensar neste menino, Jesus, e em tantos outros meninos que não tiveram a sorte que temos.
Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!!!
Caminha,
Floripa, Ratones, 19.12.2008 - Ah! Aí vai a poesia:
Natal
Eu quis escrever Natal.
Num berço, uma gruta,
Um menino,
Emanuel,
Deus Conosco!
Eu quis fazer Natal!
Na calçada, na rua,
Um maltrapilho,
João, José,
Quem sabe?
O Homem desfigurado.
Eu quis entender Natal.
O homem imagem
Semelhança de Deus,
Ali, cheio de chagas,
Ferido
Ultrajado,
Mais parecia o Jesus da Cruz!
Eu quis pensar Natal,
Não ouso, não posso,
A dor, tristeza,
Não me permite,
A dura realidade,
Não deixa,
Que eu veja,
Deus, nos homens.
Ao lado do homem,
Uma criança,
Um cachorro sarnento,
Um brinquedo quebrado.
Suas mãozinhas afagavam,
Aqueles cabelos desgrenhados,
Sua fome balbuciava,
Papai, quero um pão.
Uma lágrima seca,
Marcava o rosto molhado,
Pela chuva da miséria.
Aí eu soube, compreendi,
Havia um Natal a construir.
Saio da pasmaceira,
Ergo os olhos aos céus,
Atravesso a rua,
Em meio a fogos,
Papais Noéis bordados,
A festa rolava numa casa.
Entro, grito,
Gente! Do outro lado da rua,
Eu vi o menino!
Eu vi Jesus!
Um prato, por favor,
Mesmo que seja de migalhas,
Quero entender o Natal!!!
Quero estender o prato,
Enxugar o pranto,
Dar feições àqueles seres,
Pobres, desvalidos,
Que nada têm.
Em meio à noite,
Madrugada alta,
A chuva, enxurrada,
A terra encharcada,
Treme.
Tudo desmorona.
Em poucos minutos, Tudo é igual,
Ninguém tem nada,
Como o homem,
Como a criança,
A lama, misturava,
Os pedaços de móveis,
Aos retalhos daquelas vidas,
Tudo se foi,
Água abaixo.
Todos, então, compreenderam,
Há um Natal a construir!!!
Luiz Eduardo Caminha,
Floripa, 15.12.2008
sábado, 13 de dezembro de 2008
Sessão de autógrafos de meu livro
Sessão de Autógrafos
Querido Amigos,
Com uma ponta de felicidade e prazer comunico e convido-os para a Sessão de Autógrafos que marca o lançamento de meu livvro "Saboreando Crônicas" em Florianópolis.

Além das crônicas, tenho certeza que cada um de vocês vai se deliciar com as receitas incluídas, que eu mesmo fiz questão de testar, já que fazem parte de minhas receitas favoritas.
Ver algumas delas em http://www.stmt.com.br/nacozinha.htm
O evento está marcado para o dia 18.12.2008, Quinta-Feira próxima, a partir das 18:30 horas na Livraria Livros & livros, na Rua Jerônimo Coelho, 215 - Centro.Espero contar com sua presença e agradeço a divulgação.
Contra-capa:
Saboreando Crônicas nasceu cerca de dez anos atrás, fruto de crônicas e contos que vi, ouvi, vivi ou, algumas vezes, imaginei.
Como sempre tive uma intensa atividade sócio-comunitária partilhada com amigos e uma atividade profissional frenética, de 30 anos, que compartilhei, na privacidade de meu consultório, com meus pacientes, os fatos aqui narrados tiveram como nascedouro este fantástico intercâmbio de experiências que fui, pouco a pouco, colocando nos arquivos de meu computador.
A par disto, meu gosto por cozinhar me fez relacionar as crônicas e contos com algum tipo de iguaria. Assim, fatos e pratos foram sempre se misturando em minha mente, como se um sabor me servisse de estímulo cognitivo para um caso.
Daí pra frente, foram inúmeras as crônicas, inúmeros sabores que ouso trazer aos meus potenciais leitores.
É minha terceira incursão na experiência benfazeja de expor em prosa ou em verso, os retalhos de minha vida.Espero que gostem, literalmente falando. Que as crônicas e contos despertem, em todos, o sabor das receitas.
O Autor.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Os cães e gatos abandonados
Prezados Amigos,
Esta crônica é dedicada à uma prima, Eleonora Campos Schlemper Mendonça, bióloga, moradora, como eu, dos Ratones, que além de suas atividades profissionais e domésticas, ainda se dedica à árdua missão de tirar das ruas os animais de estimação (especialmente cachorros) que alguns desavisados, mal intencionados e irresponsáveis "donos" (ou seriam carrascos?) insistem em abandonar em nosso bairro e em outros bairros de Floripa.
Prendam suas cabritas
Nosso matuto tem algumas tiradas filosóficas, baseadas no que observa da vida, que são sensacionais. “Prendam suas cabritas que meu cabrito tá solto” é uma delas. O conselho busca eximir de culpa o filho adolescente, com os hormônios sexuais a mil, que não pode ver um “rabo de saia”, sem que não se enrabiche atrás! Daí, como diz o popular: “criança que faz criança, não é mais criança!”, é muito claro o conselho do matuto aos pais das moçoilas namoradeiras: Cuidem de suas filhas porque meu filho tá solto. Se algo acontecer não tenho culpa.
Assim como não há cantor que faça sucesso sem que haja quem o escute, também não há cantada – por melhor que seja – que termine numa cama sem que haja a conivência de quem é cantada ou cantado.
Também é assim no reino animal. Um cabrito só cobre uma cabrita se esta der o sinal – conivente ou não – de que está no cio. O mesmo se dá com cães, gatos, e todos os outros animais, à exceção dos símios que, neste aspecto, parecem seguir a cartilha sexual do bicho homem: bobeou? Babau!
Fujo deste intróito para adentrar ao pacato vilarejo onde vivo, cá na região norte de Florianópolis, no bairro rural – melhor, distrito - conhecido por Ratones.
Nosso distrito passou a ser desova de filhotes de cachorros, fruto de escapulidas de alguma cadela de raça, ou o destino de cães e gatos cujos donos, por pura irresponsabilidade, resolveram deles dar cabo seja por que a “madame” aborreceu-se com o pobre animal, seja por um casório desfeito, seja pela mudança de uma casa para um apartamento, ou outro motivo qualquer. E creiam, há muitos! Isto sem contar os que são jogados do alto de uma ponte, em um saco qualquer, nos diversos ribeirões que irrigam nossa paradisíaca ilha - um ato covarde e selvagem próprio de ignominiosa deturpação de alguns espécimes de nossa raça humana. O mais comum, dentre tantos, é a desova de filhotes de 2 a 6 meses – coitadinhos! – nascidos de uma cadela de pura raça com um vira-lata qualquer ou com um belo espécime de outra raça que, vendo-a à rua, depois de uma escapadela, acoita-a no cio e, acaba por, digamos, fazer-lhe mal – ou bem, sei lá!!!
Às vezes, a ninhada é um mimo. Outras, uns bichinhos vira-latas não tão jeitosos, embora quando ainda bebês – é assim que se diz? – pareçam todos uns amores.
O que me dá nos nervos é a desfaçatez, a irresponsabilidade, a selvageria - seja lá que nome se dá - destes ex-donos inescrupulosos e irresponsáveis. Não cuidam de seus bichos – ditos de estimação! Pois eu digo: estimação os cambau!!! – e quem paga o pato, além dos filhotes, é uma comunidade que nada tem a ver com estes energúmenos cidadãos de araque.
Inconformados com a traição de sua estimada cadela impõem à sua indesejável ninhada um destino cruel: o abandono – isto se não tiverem alguns filhinhos pudicos que resolvem vê-los crescer, “só prá ver no que vão dar”! Se forem mimosinhos, procuram parentes e amigos para presentear. Se forem feinhos – e muitos o serão – condenam-nos às ruas, à própria sorte, se é que pode se chamar a isto de sorte!. Deveriam ser presos!
Vai daí que ouso sugerir a esta corja de malandros:
1 - se você quer dar fim a um de seus bichos, telefone ou procure as inúmeras associações de proteção a animais abandonados – tem gente na fila esperando para adotar um bicho destes;
2 - se não quiser uma ninhada indesejada, providencie a castração de sua cadela ou bichana;
3 – se ainda assim não for de seu agrado, doe o bichinho para alguém porque você está entre aqueles que não tem a menor capacidade de assumir uma responsabilidade destas. Cuide apenas de seus filhos, que já é muito!
Agora se nada disto servir, siga o conselho do matuto: amarre sua cabrita (ou cadela, ou gata, ou o bicho que o carregue) porque tá cheio de cabrito solto e nós não temos que estar consertando um ato que é fruto de sua omissão.
Nem nós, nem os bichos merecem isto! Tá certo, seu coió?!
Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Ratones, 10.11.2008
Esta crônica é dedicada à uma prima, Eleonora Campos Schlemper Mendonça, bióloga, moradora, como eu, dos Ratones, que além de suas atividades profissionais e domésticas, ainda se dedica à árdua missão de tirar das ruas os animais de estimação (especialmente cachorros) que alguns desavisados, mal intencionados e irresponsáveis "donos" (ou seriam carrascos?) insistem em abandonar em nosso bairro e em outros bairros de Floripa.
Prendam suas cabritas
Nosso matuto tem algumas tiradas filosóficas, baseadas no que observa da vida, que são sensacionais. “Prendam suas cabritas que meu cabrito tá solto” é uma delas. O conselho busca eximir de culpa o filho adolescente, com os hormônios sexuais a mil, que não pode ver um “rabo de saia”, sem que não se enrabiche atrás! Daí, como diz o popular: “criança que faz criança, não é mais criança!”, é muito claro o conselho do matuto aos pais das moçoilas namoradeiras: Cuidem de suas filhas porque meu filho tá solto. Se algo acontecer não tenho culpa.
Assim como não há cantor que faça sucesso sem que haja quem o escute, também não há cantada – por melhor que seja – que termine numa cama sem que haja a conivência de quem é cantada ou cantado.
Também é assim no reino animal. Um cabrito só cobre uma cabrita se esta der o sinal – conivente ou não – de que está no cio. O mesmo se dá com cães, gatos, e todos os outros animais, à exceção dos símios que, neste aspecto, parecem seguir a cartilha sexual do bicho homem: bobeou? Babau!
Fujo deste intróito para adentrar ao pacato vilarejo onde vivo, cá na região norte de Florianópolis, no bairro rural – melhor, distrito - conhecido por Ratones.
Nosso distrito passou a ser desova de filhotes de cachorros, fruto de escapulidas de alguma cadela de raça, ou o destino de cães e gatos cujos donos, por pura irresponsabilidade, resolveram deles dar cabo seja por que a “madame” aborreceu-se com o pobre animal, seja por um casório desfeito, seja pela mudança de uma casa para um apartamento, ou outro motivo qualquer. E creiam, há muitos! Isto sem contar os que são jogados do alto de uma ponte, em um saco qualquer, nos diversos ribeirões que irrigam nossa paradisíaca ilha - um ato covarde e selvagem próprio de ignominiosa deturpação de alguns espécimes de nossa raça humana. O mais comum, dentre tantos, é a desova de filhotes de 2 a 6 meses – coitadinhos! – nascidos de uma cadela de pura raça com um vira-lata qualquer ou com um belo espécime de outra raça que, vendo-a à rua, depois de uma escapadela, acoita-a no cio e, acaba por, digamos, fazer-lhe mal – ou bem, sei lá!!!
Às vezes, a ninhada é um mimo. Outras, uns bichinhos vira-latas não tão jeitosos, embora quando ainda bebês – é assim que se diz? – pareçam todos uns amores.
O que me dá nos nervos é a desfaçatez, a irresponsabilidade, a selvageria - seja lá que nome se dá - destes ex-donos inescrupulosos e irresponsáveis. Não cuidam de seus bichos – ditos de estimação! Pois eu digo: estimação os cambau!!! – e quem paga o pato, além dos filhotes, é uma comunidade que nada tem a ver com estes energúmenos cidadãos de araque.
Inconformados com a traição de sua estimada cadela impõem à sua indesejável ninhada um destino cruel: o abandono – isto se não tiverem alguns filhinhos pudicos que resolvem vê-los crescer, “só prá ver no que vão dar”! Se forem mimosinhos, procuram parentes e amigos para presentear. Se forem feinhos – e muitos o serão – condenam-nos às ruas, à própria sorte, se é que pode se chamar a isto de sorte!. Deveriam ser presos!
Vai daí que ouso sugerir a esta corja de malandros:
1 - se você quer dar fim a um de seus bichos, telefone ou procure as inúmeras associações de proteção a animais abandonados – tem gente na fila esperando para adotar um bicho destes;
2 - se não quiser uma ninhada indesejada, providencie a castração de sua cadela ou bichana;
3 – se ainda assim não for de seu agrado, doe o bichinho para alguém porque você está entre aqueles que não tem a menor capacidade de assumir uma responsabilidade destas. Cuide apenas de seus filhos, que já é muito!
Agora se nada disto servir, siga o conselho do matuto: amarre sua cabrita (ou cadela, ou gata, ou o bicho que o carregue) porque tá cheio de cabrito solto e nós não temos que estar consertando um ato que é fruto de sua omissão.
Nem nós, nem os bichos merecem isto! Tá certo, seu coió?!
Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Ratones, 10.11.2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
À Blumenau
Súplica
O choro,
Rangido
De dentes,
Dos entes
Gemidos,
Queridos,
Toldam
A mente,
De horror!
Casas,
Pontes,
Gentes,
Lama,
Dor,
Gritos,
Suspiros
Agônicos,
Tudo é pavor!
E a vida?
Continua?
Como esperar,
Agora,
A esperança?
Ajuda-nos
Senhor!
Tua Criação,
Ferida,
Ultrajada,
Não agüenta mais!
Nós, tampouco!!!
P.S.: Dedico estes versos à gente amiga e valorosa de nossa Blumenau e região, em especial a todos que perderam seus entes queridos, seus pertences e que, apesar de tudo, ainda teimam a teimosa certeza de construir um amanhã!!!
Luiz Eduardo Caminha
01.12.2008
O choro,
Rangido
De dentes,
Dos entes
Gemidos,
Queridos,
Toldam
A mente,
De horror!
Casas,
Pontes,
Gentes,
Lama,
Dor,
Gritos,
Suspiros
Agônicos,
Tudo é pavor!
E a vida?
Continua?
Como esperar,
Agora,
A esperança?
Ajuda-nos
Senhor!
Tua Criação,
Ferida,
Ultrajada,
Não agüenta mais!
Nós, tampouco!!!
P.S.: Dedico estes versos à gente amiga e valorosa de nossa Blumenau e região, em especial a todos que perderam seus entes queridos, seus pertences e que, apesar de tudo, ainda teimam a teimosa certeza de construir um amanhã!!!
Luiz Eduardo Caminha
01.12.2008
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