caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

nem tentem me calar!!!

Amigos,

Um caniço na beira do lago, uma voz no deserto, um uivo na escuridão, sei lá, não importa. Não me curvo com o vento, o deserto não me cala (mesmo que ninguém me ouça!), as trevas não me amedrontam. Então: brademos!!!



Liberdade, liberdade!


Não me ponhas normas,

Preceitos, nem regra.

Depois de tanta refrega,

Não hei de obedecer!


Não me imponhas grades,

Grilhões, nem cadeia.

Depois de tanta peleia,

Não hei de me prender!


Não me coloques canga

Ferros, nem algema.

Depois de tanta pena,

Não hei de fenecer!


Não me cales, enfim,

Nem queiras qu’eu fique mudo.

O que sobra do meu mundo imundo,

É o meu jeito de dizer!


Liberdade, liberdade,

Ainda que seja tarde.

Ainda que duvidoso,

O porvir, o alvorecer!

...

Minha voz é filha do silêncio,

Minha escrita, enteada do vento,

Minha vida é um curso d’água,

Minha vocação, um oceano!


Luiz Eduardo Caminha

Floripa, Ratones, 03.05.2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Nova crônica

Uma nova ética na política

Luiz Eduardo Caminha

Ratones, Florianópolis, 13.05.2009


Na década de 1980, Chico Anísio criou o deputado Justo Veríssimo, seu único personagem político. Com ele, Chico fazia uma crítica social e, nas evasivas, criticava uma nova postura ética subjugada pelo corporativismo e pela corrupção. Justo Veríssimo era a caricatura do político imoral e aético chegado à armações e traquinagens. Qualquer semelhança era mera coincidência”.


Hoje, aquela caricatura parece real. Não são poucos os que utilizam, do povo, apenas e tão somente o voto para se eleger. A partir daí, divorciam-se do eleitor, tornam-se narcisistas e egocêntricos, criando, ao redor de seu umbigo uma órbita de favorecimentos pessoais ou que visam os seus apaniguados - desde que destes também tirem alguma vantagem.


Para Justo Veríssimo, o campo de atuação era aquele minado pelas falcatruas que definia como um novo regime político chamado “corruptocracia”. Ficou célebre seu discurso de lançamento deste novo regime num hipotético país chamado “Corruptolândia”, cuja capital era Corruptília”. Reparam a semelhança? Pois é mera coincidência com os tempos atuais:

“É com emoção e orgulho que me dirijo a esta constelação de ladrões, larápios, ladravazes, lalaus, especulatários, estelionatários e safados dos vários sexos hoje assumidos e conhecidos. Não estou querendo lisonjear os colegas de arrumação e locupletação...”, e por aí afora.


O emérito deputado (assim seria chamado hoje em dia, não?) cunhou dois bordões que ficaram conhecidíssimos: “Eu quero que o pobre se exploda” e “Pobre é que tem mania de ser honesto”. Foi fácil, depois, amplia-lo para os eleitores em geral: “O povo que se exploda”.


Pois agora, o nobre e douto (não é assim o tratamento?) deputado Sérgio Ivan Moraes (PTB/RS) resolveu plagiar Justo Veríssimo. Moraes foi nomeado relator, pelo Conselho de Ética da Câmara, no processo de falta de decoro parlamentar movido contra o deputado Edmar Moreira (MG), aquele do castelo de 25 milhões de reais, por suposto desvio de verbas indenizatórias de seu gabinete para pagar empresa de sua propriedade. Corre contra ele também um Processo no Supremo Tribunal de Justiça por sonegação de INSS – descontava dos empregados e não recolhia ao governo.


Nesta condição de relator Moraes, no alto de sua prepotência e divorciado do clamor popular, emitiu um juízo antecipado do colega: “estão querendo transformar o Deputado Edmar Moreira em “boi de piranha”. Inspirado na lide do tropeiro centro-oestino brasileiro, imprime uma nova dimensão ditada pelo corporativismo: a ética da boiada. Esquece que na ética do tropeiro o boi de piranha é sangrado e morto. Sacrfica-se um boi para as famintas piranhas, mas salva-se a boiada.


Não contente, Moraes ainda invade o mundo da desfaçatez, da indecência, imoralidade, da sacanagem mesmo, do caricato Justo Veríssimo, deixando no ar a fumaça e o cheiro de podridão que estamos cansados de ver e sentir em atos e arrumações de inúmeros iluminados de Brasília – ou seria Corruptília?


Instado pela imprensa e fiel à cartilha de Justo Veríssimo, Moraes pronuncia seu édito de imperador da indecência: “Estou pouco me lixando para a opinião pública” ou fazendo paralelo ao bordão:“O povo que se lixe”. Foi mais além. Em resposta à imprensa que o fustigava cunhou um novo bordão que pecha seus eleitores de burros: “Vocês batem, batem e a gente se reelege”.


O mais deplorável aconteceu na tarde desta quarta-feira. Reunidos, a maioria dos membros do Conselho de Ética e lideranças de partidos aliados, tentavam minimizar as declarações de Moraes, protegendo-o sob o manto do corporativismo, mesmo que o próprio tenha considerado infeliz a sua declaração, embora deixasse claro que não a retirava. O que importa, para eles, a ética na política? Que se danem todos que a defendem. Que se lixe o povo. Vivas à corporação!


A reação do Presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), não podia ser outra: usando da prerrogativa que lhe dá o cargo, destituiu o relator, nomeando o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) para substituí-lo.


Acabou? Não! Com a empáfia de um “cara de pau” e certo da impunidade que campeia neste Brasil, Moraes vai recorrer ao STF apelando para um Mandado de Segurança que lhe permita retomar o cargo. Ético seria se Sua Excelência, o nobre deputado (sim, porque ele continua sendo uma excelência e nobre) procurasse o STF, com a mesma vontade, a fim de esclarecer as dúvidas que pairam sobre ele nos processos que lá correm contra ele desde os tempos em que foi Prefeito de Santa Cruz do Sul.. Mas isto é outra história. De acordo com o corporativismo e com a prática tropeira, agora denominada ética da boiada, é “coisa pra boi dormir”. Só que salva-se boi e boiada e que morra o povo, transfigurado em famélicas piranhas. Dá para aguentar?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

poema

Vai aí minha homenagem à todas as mães. Este ser tão singular que, ao se fazer homem em Jesus Cristo, Deus quis ter uma.

M A M Ã E
Luiz Eduardo Caminha


Suave, aos poucos, a música tomava o ar lentamente,
Da luz, as centelhas, enchiam de magia, o ambiente,
Trazido por anjos, um arco-íris depunha, qual tesouro, o berço iluminado,
Envolta em alvas roupas, trombetas a anunciar, ela nascia.

De tudo tomou conta, o silêncio,
Dos grilos e cigarras, o cantar,
Dos pássaros, o chilreio, das cascatas, o espolcar.
Até das matas, o barulho se fez calar.

Do berço, as mãos de Deus a tomaram (pequeno ser),
Anjos, potestades, querubins se prostraram,
À gentil palmada, um choro, rasgou aquele mágico instante.
Uma voz, tonitroante, sacudiu todas as estruturas.

Nascestes, oh! Criança! Fruto da semente plantada ao ventre,
Broto da rama, angelical expressão do Amor.
És a lúcida imagem da mulher que te gerou, há de te ver crescer,
És o prêmio, troféu de alegrias, glórias e dores,
Daquela que, por ti, se fez mãe.

Agora, és adulto indócil, irrequieto,
Seguistes tua vida,
Depois que a segurança, da barra de sua saia,
Se tornara, para ti, um estorvo.

Em ti, porém, uma semente divina foi plantada,
Semente da árvore da doce saudade,
Do querer insistente daqueles dias,
Do tempo em que todo o seu tempo, seu vigor, ela dispensava,
Guardiã majestosa do teu crescer.

Em ti, esta semente,
Gerará a árvore da lembrança,
Do querer sempre latente,
De voltar a ser criança.

Nem que seja para desfrutar momentos,
Por ti curtidos, ou sequer vividos,
Instantes inocentes, alegres, joviais,
Sonhos, devaneios, da infância revivida.

Hiatos, em que tu chegavas,
Sem que se ouvisse o ladrar dos cães,
E lá estava ela, sorridente, cálida,
Pronta prá te permitir balbuciar: mamãe!!!

Floripa, Ratones, 03.05.2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Crônica

Depois de 3 meses de marchas e contramarchas com meu probleminhas de saúde (desta vez a anemia foi severa e nem conseguia concatenar as ideias), sinto-me um pouco melhor e ouso recomeçar umas “escrevinhadas”.
Segue, então, mais uma de minhas crônicas.

Desculpem a ausência. E me aturem! Estou começando a voltar. Devagarito como enterro de viúva rica.


Sobre a hipocrisia e a verdade

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Rui Barbosa.


22 de Abril de 2009. Assisto mais dois episódios da comédia chamada Brasil. O bate-boca no Supremo Tribunal Federal e no Congresso. Na Câmara Federal o episódio toma tons de picardia. O chamado baixo clero, agora com alguns aliados do alto clericalismo se digladiam por causa da “farra das passagens aéreas”. Mas o pitoresco Vossa Excelência é que dá o tom. Vossa Excelência prá lá, Vossa Excelência pra cá. Jogo de oratória, briga de terreiro ou rinha de galo? Sei não!!!.

Culpa do português, a nossa língua, última flor do lácio, cheia de sutilezas e nuances, hoje com a nova roupagem da reforma ortográfica. Em que pese esta “débâcle” ultrajante do nosso modo de escrever, a prática oral continua a mesma. Máscaras e vernizes denotam a hipocrisia do palavreado de efeito, cheio de firulas, de construções fricotadas que tentam atenuar a única obsessiva verdade: o que se diz não é bem o que se quer dizer, Vossas Excelências que não se ofendam.

Tentam esconder o que não se pode mitigar. Amo nossa língua. Nela, o branco não é bem branco é, quiçá, perdoem-me Excelências, uma pálida ausência de cor. O preto não é bem preto, nem negro, é um afro desiderato dos tempos modernos onde proferir uma verdade parece ofender e ser real, uma afronta. E por aí vão as excelências e hipocrisias como se falar a sério, defender o justo, ser honesto, íntegro e ético, fosse coisa de encrenqueiros, mal humorados e radicais. É seu Rui, começo a ter vergonha de ser assim. No tempo de minha avó, “Excelências” era uma oração cantada em dias de tempestades, raios e trovoadas. Para espantá-las. Hoje é um requinte lingüístico para doirar a hipocrisia.

Vejamos algumas destas idiossincrasias do vernáculo. Antigamente, homem que se deixava sodomizar por outro homem era bicha mesmo, frutinha ou, sem usar a finesse que os hipócritas de hoje exigem, viado. Viado sim, com i. Porque veado era aquele bicho cheio de galhos na cabeça. A nova norma é chamá-los homossexuais ou, importando a macaquice, “gays”. Posso até levar um processo por causa disso. Sei lá! Chamar quem é traído de corno, chifrudo, nem pensar. Melhor dizer, pessoa que usa enfeites na cabeça. Mulheres praticantes do baixo meretrício, as meretrizes, não são mais putas, são profissionais do sexo. Os dicionários que tirem este verbete de sua lista.

Nesta nova versão do português hipócrita, em substuição ao casto, não se pode mais chamar ninguém de mentiroso. Mesmo que este seja o maior de todos. O correto, agora, é dizer: Vossa Excelência me respeite! Vossa Excelência está faltando com a verdade. Como se faltar com a verdade não fosse o mesmo que mentira.

Ladrão, não é mais ladrão. Ainda mais se for da alta sociedade. Ladrão agora não é mais criminoso. Afinal ele só furta ou subtrai um bem ou bens de outrem. Bem feito!

Ética, então, nem falar. O que fizeram dela, da Moral, do decoro, temas tão estudados por filósofos como Platão, Aristóteles, Hipócrates? Isto para não apelarmos para o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo ou para Francisco de Assis, Lutero, Ghandi, Martim Luther, entre outros que pregaram a respeito. Hoje, nada mais são que práticas em extinção ou, na melhor das hipóteses, fugindo deste veredito, soam à gozação, baboseira, ingenuidade.

É, a coisa está feia. Ou melhor, despida de beleza, Vossa Excelência que me perdoe. Parece que os sentidos despertaram para a prática do reino da mentira, da falsidade, da cupidez, da imoralidade, da vergonha. O mundo virou. De ponta-cabeça. Os ianques, começando pelos “cow-boys” Reagan e Busch Pai mataram Brentwood e a mentira americana do consumo vai gerar 4,1 trilhão de dólares de prejuízo. Dinheiro? Que nada! Papéis! Títulos! Até o Bispo Fernado Lugo, enquanto padre, confessa ter tido um filho. Já são seis! Opash assume um filho de Raji fora do casamento e Maya está grávida de um Dalit. A Globo corrompendo os costumes hindus. Ainda tem alguma coisa de pé? Tem sim. A mentira ou, data vênia, a falta com a verdade.

Porém, nem tudo está perdido. De onde menos se espera vem a solução. Aquela parcela da classe política que domina estes meandros, a turma do baixo clero, dá um drible no português, na verdade, nesta coisa “démodé” e edita uma nova reforma. A receita? Antepor a cada verdade, a cada princípio moral, a cada enunciado ético, a cada palavra ou palavrão algumas magníficas e eloqüentes figuras de linguagem que conferem uma nova farda polida e cortez – embora hipócrita – ao discurso. Simples.

Alguns exemplos: use sistematicamente os termos Vossa Excelência, Vossa Senhoria, digníssimo senhor, eminente senhora, honroso cidadão e por aí vai. Antes de deitar palavrão, xingar, avacalhar, ou coisa pior tente o charmoso “data vênia” ou “com a devida vênia”. Ô, coisa linda que fica! Coisa de lordes ingleses. Experimente. Sim porque, agora, está definitivamente decidido: Só se pode dizer verdades, soltar palavrão, xingar, ou usar de termos diretos, na veia, se recorrermos a estes adornos retóricos.

Aliás o modelo já fez escola, haja vista o imbróglio do Supremo. “Lex sed lex”. Pois, façamos o mesmo. Quando quisermos, por exemplo, dizer que um determinado humanóide é um filho de uma prostituta, digamos: Com a devida vênia à digníssima senhora sua genitora, Vossa Senhoria é um eminente f.d.p. (com todas as onze letras), ou quem sabe, Vossa Excelência me perdoe, o nobre e eminente colega é um grandessíssimo e digníssimo filho da puta.

Nunca é tarde lembrar que a forma mais contusa ainda faz gênero, desde que se disfarce como o matuto mineiro, que para dizer a mesma coisa, pergunta ao incauto: “Ocê num é fio da Candinha? Cumi muuunto a sinhora sua mãe!” Sou mais o matuto. Rui Barbosa tinha razão. Tenho dito.

Luiz Eduardo Caminha, Ratones, Floripa, 23.04.2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sou, mesmo, um otimista!

Prezados Amigos,

Aí vai minha primeira incursão no Blog em 2009. Como acredito que cada um de nós, desde que faça a sua parte, pode somar esforços para mudar este mundão de Deus, vou de poema. Um poema que retrata nada mais que este óbvio que, de tanto, ulula (Epa! não é o Lula, nem a lula, aquele molusco que se confunde, às vezes, com o Presidente). Ulula do verbo ulular, que o Aurélio assim define:

ulular [Do lat. ululare.] - Verbo intransitivo.
1.Soltar (o cão) voz triste e lamentosa; ganir, uivar.
2.Gritar ou uivar, produzindo som plangente.

Então tá dito. Aí vai:

Ah! Um recadinho: "Tudo o que desejares que o outro te faça, fazei-o, tu, primeiro a ele" (Evangelho de Mateus 7,12)

Que Deus abençoe a todos.

Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém.


Otimista


Sim, sim!
Eu sei que sou!
Um otimista prepotente.
Compulsivo e compulsório.

Forjado no talhe da ideologia,
No malho da consciência.
Ideológica, idiosincrásica,
Idiopática...mente.
Que, às vezes, mente,
Para dizer verdades,
Ou verbetes,
De uma vida.

Sou crítico,
Mordaz
Lúgubre,
Mas poço profundo,
De sonhos
E esperanças.

Quem disse que não vou mudar o mundo?
Vou sim! Se vou!
Você vai ... também!
Ele vai, nós vamos!
Cada um de nós,
Erráticos cidadãos
Deste planeta Gaya, vai!

Para melhor...
Ou para pior.
Basta querer,
Basta viver,
Dia após dia.

Não há um só
Que ao ocaso chegue,
Sem que marcas fiquem
De nossa passagem,
De nossas ações.
Como rastros
De nossos pés,
Rastejantes,
O sol por testemunha,
O pó como rastilho.

O que virá?
Depende do rumo,
Do norte que
Quisermos singre,
A nossa nau,
A nossa nave mãe...
Terra.

Tenho (ainda) esperança,
Sou otimista!

Luiz Eduardo Caminha
Ratones, Floripa, 06.01.2009

sábado, 20 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL!!! oh!oh!oh!

Feliz Natal

Gente, me desculpem, tá? Mas acho uma tolice esta história de copiarmos tudo o que os americanos fazem. Tá certo! Tá certo! O Papai Noel não é invenção deles. Dizem que vem de São Nicolau Taumaturgo, Arcebispo de Mira na Turquia em 280 d.C. Homem de bom coração, costumava ajudar anonimamente as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi declarado santo, pela Igreja Católica, depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. A transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e correu o mundo inteiro.

Até o final do século XIX o Papai Noel era representado por um velhinho de barba branca e roupas marrom (uma bata como as que são usadas pelos bispos e pelo papa até hoje).

É aí que entram os americanos. Foi a Coca-cola que, em 1881, numa campanha publicitária inventou o Papai Noel Vermelho, de gorro com pom-pom branco e tudo mais.
Até aí tudo bem! O velhinho é mesmo simpático e agrada adultos e crianças. Mas aí vem a macaquice: Esse tal de Ho! Ho! Ho! que, em inglês, se escreve com a letra aga (H), mas se pronuncia como um erre (R) vindo da garganta. Pois não é que os macaquitos escrevem em inglês (com H) e ao pronunciar, ao invés de O! O! O! (já que a letra aga, em português não tem som) o fazem imitando os americanos, ou seja Ro! Ro! Ro! Convenhamos, é ridículo!

Mas eu comecei a escrever este texto não para tocar o pau no Papai Noel ou nos macaquitos. Afinal, como já referi, acho o velhinho simpático e, quanto a questão dos macaquitos e macaquices, não adianta espernear. Somos assim mesmo. Brasileiros! Com uma potencialidade enorme para imitar. Sem precisar, é lógico, porque em tudo e por tudo somos melhores que muitos. Bem, deixa isto prá lá.

O meu questionamento é que essa massificação do Papai Noel, fruto de um mercantilismo exagerado e de uma vocação escrava para o consumo, tem feito o homem esquecer o centro das celebrações de Natal. Gente!!! Natal é data cristã, que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Deus que se fez homem, no ventre de uma mulher, para nos trazer a mensagem de Salvação.

Pois é! Eu sei! Tem gente até que vai dizer: Mas o Caminha, hein? Se sair com esta agora? É porque, realmente, os sentimentos trazidos por este ato da bondade de Deus estão sendo jogados prá escanteio. Existem crianças, famílias inteiras, que passam o período natalino sem lembrar do Menino Jesus, da família de Nazaré, sem nem saber o que é um presépio, sem sequer pensar em Deus. Tá lá isto certo?

E a respeito da fraternidade, dos pobres desvalidos, dos excluídos da sociedade? Será que Natal é só presente? É só consumo?

Pois foi pensando neste blá-blá-blá todo que resolvi fazer um poema, este que segue abaixo, sobre o Natal. Tá certo! A motivação também foi a dureza por que passou a gente de Blumenau e região e pela qual, agora, passam cariocas e mineiros. Daí, pode parecer que eu esteja sendo meio chato, casmurro, mas fica a mensagem para reflexão. E, ao fim ao cabo, Blumenau vem mostrando, mais uma vez, a sua inequívoca vocação para a tenacidade, a luta, o re-nascimento, a re-construção.

Que Deus os ilumine e lhes propicie um Santo e Feliz Natal e um Novo Ano cheio de Paz, Saúde e Felicidade. Mas, acima de tudo, que vocês, meus amigos, possam, por pouco que seja, pensar neste menino, Jesus, e em tantos outros meninos que não tiveram a sorte que temos.

Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!!!

Caminha,
Floripa, Ratones, 19.12.2008
- Ah! Aí vai a poesia:



Natal

Eu quis escrever Natal.
Num berço, uma gruta,
Um menino,
Emanuel,
Deus Conosco!

Eu quis fazer Natal!
Na calçada, na rua,
Um maltrapilho,
João, José,
Quem sabe?
O Homem desfigurado.

Eu quis entender Natal.
O homem imagem
Semelhança de Deus,
Ali, cheio de chagas,
Ferido
Ultrajado,
Mais parecia o Jesus da Cruz!

Eu quis pensar Natal,
Não ouso, não posso,
A dor, tristeza,
Não me permite,
A dura realidade,
Não deixa,
Que eu veja,
Deus, nos homens.

Ao lado do homem,
Uma criança,
Um cachorro sarnento,
Um brinquedo quebrado.

Suas mãozinhas afagavam,
Aqueles cabelos desgrenhados,
Sua fome balbuciava,
Papai, quero um pão.

Uma lágrima seca,
Marcava o rosto molhado,
Pela chuva da miséria.
Aí eu soube, compreendi,
Havia um Natal a construir.

Saio da pasmaceira,
Ergo os olhos aos céus,
Atravesso a rua,

Em meio a fogos,
Papais Noéis bordados,
A festa rolava numa casa.

Entro, grito,
Gente! Do outro lado da rua,
Eu vi o menino!
Eu vi Jesus!
Um prato, por favor,
Mesmo que seja de migalhas,
Quero entender o Natal!!!

Quero estender o prato,
Enxugar o pranto,
Dar feições àqueles seres,
Pobres, desvalidos,
Que nada têm.

Em meio à noite,
Madrugada alta,
A chuva, enxurrada,
A terra encharcada,
Treme.
Tudo desmorona.

Em poucos minutos, Tudo é igual,
Ninguém tem nada,
Como o homem,
Como a criança,

A lama, misturava,
Os pedaços de móveis,
Aos retalhos daquelas vidas,
Tudo se foi,
Água abaixo.

Todos, então, compreenderam,
Há um Natal a construir!!!

Luiz Eduardo Caminha,

Floripa, 15.12.2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sessão de autógrafos de meu livro



Sessão de Autógrafos






Querido Amigos,






Com uma ponta de felicidade e prazer comunico e convido-os para a Sessão de Autógrafos que marca o lançamento de meu livvro "Saboreando Crônicas" em Florianópolis.




Além das crônicas, tenho certeza que cada um de vocês vai se deliciar com as receitas incluídas, que eu mesmo fiz questão de testar, já que fazem parte de minhas receitas favoritas.






O evento está marcado para o dia 18.12.2008, Quinta-Feira próxima, a partir das 18:30 horas na Livraria Livros & livros, na Rua Jerônimo Coelho, 215 - Centro.Espero contar com sua presença e agradeço a divulgação.







Contra-capa:




Saboreando Crônicas nasceu cerca de dez anos atrás, fruto de crônicas e contos que vi, ouvi, vivi ou, algumas vezes, imaginei.


Como sempre tive uma intensa atividade sócio-comunitária partilhada com amigos e uma atividade profissional frenética, de 30 anos, que compartilhei, na privacidade de meu consultório, com meus pacientes, os fatos aqui narrados tiveram como nascedouro este fantástico intercâmbio de experiências que fui, pouco a pouco, colocando nos arquivos de meu computador.


A par disto, meu gosto por cozinhar me fez relacionar as crônicas e contos com algum tipo de iguaria. Assim, fatos e pratos foram sempre se misturando em minha mente, como se um sabor me servisse de estímulo cognitivo para um caso.


Daí pra frente, foram inúmeras as crônicas, inúmeros sabores que ouso trazer aos meus potenciais leitores.


É minha terceira incursão na experiência benfazeja de expor em prosa ou em verso, os retalhos de minha vida.Espero que gostem, literalmente falando. Que as crônicas e contos despertem, em todos, o sabor das receitas.

O Autor.