caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um inquieto poema

Inquietudes

Seria acaso
Azul,
A cor “escarlate”
Que corre, veias adentro,
A nobreza?
Oh! Nobre amada?

E ao se lhe ferir
O coração,
Seria sem cor
A cor do sentimento
Que lhe domina
A frigidez de seus atos?

Acaso se reveste
De rubro carmim
A vio(lácea)lenta paixão,
Quando se lhes é dado
Apaixonar-se?
Apaixonas-te tu, oh! Mulher?

Qual nada, dirão!
Nobres não tem sentimento
Apaixonam-se tampouco.
Pálida é, portanto,
A tez de seu coração.

Pálido também o é,
O sangue que lhe corre
As veias;
Esquálida,
A vida que é
Seu dia a dia.

Até que a morte
Lúgubre sombra esguia,
Na negritude da noite,
Sem lua,
Leve-a daqui.

Entrega-te
Oh! Nobilíssima amada
Ou assim será...

Luiz Eduardo Caminha
Distrito de Ratones, Floripa, 08.10.2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Somos iguais perante Deus...

Quem é o maior?

“Tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3,19)

1978. Manchete: Descaso do governo na saúde. Médicos em greve. Eu fazia especialização no Rio de Janeiro e era do comando de greve. Reuniões infindáveis, discussões, negociações, assembléias. Os militares ameaçavam de urutus e o Exército, armas em punho, nos sitiava na Assembléia do Rio. Clima de guerrilha. Ao fim, algumas migalhas concedidas. Voltamos ao trabalho. Vitória de Pirro! Trinta e seis dias por quase nada.


Dias após, os lixeiros. Fedor de lixo acumulado nas calçadas, enxames de moscas toldando o céu. Uma semana. Tudo resolvido. O caos sanitário fez o Governo Municipal aceitar a maioria das reivindicações dos grevistas.

Vieram os motoristas de ônibus, profissional odiado pelos cariocas que os tinha como a escória. Gastei nove horas para fazer um trecho de quarenta minutos, de Vila Isabel ao Hospital, em Ipanema. Tudo engarrafado, buzinaço ensurdecedor. Doze horas de greve. O caos urbano elevou os motoristas à condição de gente. As empresas cederam a todas as reivindicações.

Qual destas categorias foi a maior? À luz da escala de valores estabelecida pelo status e por uma sociedade vítima do materialismo, a mais insignificante delas: os motoristas, seguida dos lixeiros e, por fim, nós, médicos. Uma inversão dos pés à cabeça.

Pode-se analisar estes episódios sob duas óticas: a paulina, inspirada provavelmente na milenar sabedoria dos vedas hindus: “o olho não pode dizer à mão: não preciso de ti. Nem a cabeça dizer aos pés: não necessito de vós. O corpo é um todo com muitos membros. Numa comunidade cada membro tem a sua função e todos formam um corpo cuja cabeça é o Cristo”, explica São Paulo. A outra visão é do próprio Mestre: “quem quiser ser o primeiro, seja o último, o servo de todos. Aquele que se tornar pequenino como uma criancinha, este será o maior... Quem se exalta será humilhado e quem for humilde será exaltado”.

Orgulho-me de ser médico. Minorar o sofrimento alheio e salvar vidas é função dignificante ante Deus e a sociedade. Mas, numa comunidade , não só o médico é importante. Todos o são. Costumo dizer: nascemos igualmente nus e ao morrermos, sejamos reis ou súditos, as minhocas comerão nossa carne. O importante é cada qual exercer sua função com humildade, visando o todo, a comunidade.
Bem diferente de alguns apaniguados do poder: a soberba os faz esquecer a comunidade a quem deveriam servir. Deus é quem está à sua direita. E o que vale é locupletar-se. Mateus, primeiro os meus! Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.

Luiz Eduardo Caminha
Distrito de Ratones,
Florianópolis, 27.08.2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Setembro, das flores, primavera, dos amores...

Lá embaixo, bem abaixo deste texto, vai uma poesia deste arremedo de poeta e escritor.

Setembro, mês que o ano todo, como parido em um momento, adentra à primavera, natureza sedenta da hibernação de “seu” inverno, sisudo, mal humorado, cinzento e frio. Seu inverno, sim, porque este à natureza pertence, pois que necessário se faz para que ela recobre as forças da eterna infância de um mundo que se fez velho porque o homem, este ser indócil, irrequieto, indomável e inconsequente, ancião o tornou, por seu agir. Mês que prosa e poesia se enfeitam, entrelaçam em laços que tentam colorir a aquarela da vida. Vida que explode em Outubro, em Francisco, o cantor das criaturas, o poeta maior que fez eco seu bradar pelos irmãos, pequeninos cacos dum prosaico mosaico, o mundo que vivemos. Vivamos Setembro, adentremos Outubro, com espírito renovado - já que o inverno se foi - pela primavera que espreguiça seu sorriso multicores, como se fosse possível tornar belo este disforme mundo multifacetado de misérias que nós, homens, compusemos a sorrir, com o mais absoluto cinismo.

Luiz Eduardo Caminha

Convido-os a visitar o Mural das Letras de Setembro/Outubro onde novos autores lá estão, a desfilar em nosso site Stammtisch Confrarias e Patotas...




Desilusão


Sonho,
Amargurado,
Agruras
Dum dia feliz...
Que não vem.

Sol, chuva,
Noite fria,
Lua nua,
Noite, dia,
Que se vão

Dia, noite,
Noite dia,
Cá espero.

A Felicidade?
Mera quimera,
Castelo d’areia.
Fere-me a alma.
Machuca-me
O coração que anseia
O vazio de sua ausência,
Preencher.

Tempo passa
Ela não vem
Nem a Felicidade,
Nem aquela,
Quem me dera,
Me pudera,
Fazer feliz...

Sorrir,
Quiçá,
Outra vez!!!

Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Distrito de Ratones, 14.09.2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Blumenau, 159 anos

Blumenau revivida

Blumenau,21 de Agosto de 2009. O Prefeito João Paulo Kleinubing, ladeado pelo Diretor Erivaldo N. Caetano Junior e o gerente Alexandre P. Caminha, entregam à cidade o novo espaço do Procon e a Lei que regulamenta as atividades do órgão, entre elas o Poder de Polícia, que o torna mais eficaz. Presença do Vice-Governador Leonel Pavan, deputado Giancarlo Tomellin, vereadores, representantes do CDL, Sindilojas, entidades sindicais de trabalhadores, empresários. Clima de festa. Dia de cidadania. Festa de uma administração preocupada com os direitos do Consumidor. Blumenau 1 a 0.

Florianópolis, 23 de Agosto de 2009. Estádio da Ressacada, jogo Avaí x Flamengo. Arquibancadas e cadeiras tomadas. O Leão da Ilha em vias de se tornar o time que mais rodadas permanecera invicto na 1ª. Divisão do Futebol Brasileiro. 10 rodadas, mais precisamente.
De repente, acordes, som de instrumentos musicais. Nada das desafinadas bandinhas de torcidas. Uma verdadeira banda, du mann! O Prefeito JPK, ladeado pelo Presidente do Parque Vila Germânica, Norberto Mette, o Conselheiro Wilson Wan-dall, Princesas, Rainha e inúmeras autoridades, irrompem em meio à massa azurra. Promoviam a Oktoberfest 2009. Camisetas, canecos, chope, Ein Prosit! Todo o estádio, rádios e TVs se voltam para Blumenau. As cenas da tragédia de Novembro são relembradas em cada entrevista. O abnegado povo de Blumenau, mais uma vez, se supera e sobrepuja o infortúnio, mostra sua energia, como se quisesse humilhar a natureza pelos castigos que lhe impusera e... sai revivido!!! A voz de um manézinho se faz ouvir: “Blumenau! Dazum banho!” O Brasil inteiro ouviu pela TV o hino executado pela Banda Musical do Colégio Machado de Assis. Clima de alegria. Blumenau 2 a 0.

02 de Setembro de 2009. Blumenau, 159 Anos. A Rua XV revive a Wurststrasse colonial. Novo desfile, nova festa. Tudo novo, especialmente o espírito, a tenacidade, o Blumenauergeist, o desejo de vencer novamente, riscar da memória os rigores da tristeza. Só não se esquece o descaso do Governo Federal. Mais uma vez falta com a cidade, a região, o Estado. Como políticos da pior espécie, prometem e não cumprem!

Blumenau continuará produzindo, arrecadando impostos, esperando a esperança. Vencendo. Oktober à porta. Ein Prosit! Em 2010, uma nova Oktoberfest, uma nova eleição. Vai ter troco. Aqueles que prometeram e não cumpriram que esperem. Fahret zur Hölle!

Ah! Ia esquecendo: Avaí 3 a 0. Blumenau 1000 x 0.

Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Ratones, 01.09.2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ensaios sobre a ética

Verdade e ética

Quando fiz minha Pós Graduação em Wiesbaden, Alemanha, um amigo brasileiro, neurocirurgião, que se especializava na vizinha Mainz me contou que seu mestre resolveu fazer um jantar para colegas da especialidade. Sua intenção: aproximá-lo da nata da neurocirurgia alemã, uma das melhores do mundo. Uma honra para meu amigo. Trinta dias se passaram e não se tocou mais no assunto. Na Alemanha a discrição é uma virtude. Assim, nem ousou perguntar a respeito. Já havia esquecido quando o Correio trouxe o convite. O jantar seria dali a 3 semanas, um Sábado, na mesma época que uns parentes do Brasil vinham visita-lo. Quando chegasse a hora daria um jeito de atender os dois compromissos.
Mas brasileiro é brasileiro e Sábado, na Alemanha, é igual a todo o mundo. Dia de sair, jantar fora, ir a um bar com amigos, celebrar a vida. O dia chegou e ele esqueceu. Melhor dizendo, acompanhou os parentes a Frankfurt, abusou um pouco, passou da hora e o jantar dançou.
Na segunda-feira, o mestre cobrou a desfeita. Como se faz no Brasil, mentiu dizendo não ter sido avisado da data. Mesmo que o mestre insistisse no envio do convite pelo correio, continuou mentindo: nada recebera.
Dias depois um policial bateu à sua porta com uma convocação para uma audiência. Motivo: uma queixa contra o Correio. O inquérito apurava se o carteiro – que afirmava ter entregado a correspondência – estava ou não mentindo. Mentir, na Alemanha, como em qualquer lugar do mundo, exceto o Brasil, é caso grave. Gravíssimo se vinda de um agente público. Envergonhado, foi à delegacia e contou a verdade. A desculpa: no Brasil isto é normal. Levou uma descompostura e uma ameaça de processo caso reincidisse.
Agora pasmem. Se pego por mentir, um processo seria aberto para punir o carteiro com a perda do emprego. Mais, o juiz estabeleceria uma indenização por danos morais, paga pelo Estado às vítimas. Afinal, Correio é um serviço público e deve cumprir suas obrigações com a sociedade. Ademais, lá, mentir é antiético.
Aqui, se bobear, meu amigo e o mestre seriam processados por danos à imagem dos Correios. O agente público, impune, seria digno de pena; a verdade considerada coisa de encrenqueiro e a mentira um artifício da oposição e da imprensa golpista. É só ver o exemplo de alguns funcionários públicos e dos nossos políticos em Brasília. Mentir aqui é a praxe. Dizer a verdade é ser inconveniente. Tudo acabaria em pizza!

Luiz Eduardo Caminha
Ratones, Florianópolis, 18.08.2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ensaios sobre a Ética

Prezados amigos,

Segue artigo que tive o prazer de ver publicado no Jornal Folha de Blumenau no endereço:

http://www.folhadeblumenau.com.br/site/noticia.php?noticia=7295&url=noticia.php?noticia=7295


Consciência e Ética


A desobediência de Adão e Eva impõe uma reflexão sobre o momento atual. O Criador entrega ao homem a criação e exige-lhe uma recíproca ética: “jamais comer do fruto da árvore do bem e do mal”. A serpente seduz a mulher: se comerem serão iguais a Deus. A proposta traz, no bojo, o dualismo maniqueísta: obedecer a Deus, o bem ou ceder ao mal, a serpente. Eva cede. Come o fruto, convence Adão e, daí, tomam consciência de que estão nus.

Tapam-se com folhas de parreira e se escondem. O questionamento do Criador é óbvio: não está em jogo a transgressão, mas a consciente liberdade em transgredir. Quem lhes revelou que estavam nus? Adão culpa Eva, que culpa a serpente. Resultado: A serpente condenada a rastejar o resto de seus dias; Adão e Eva expulsos do Paraíso e condenados a trabalhar.

Criado à semelhança do Criador o homem nasce com um sinal divino, a consciência, um sininho que o alerta quando algo é abominável. Alimentada de conceitos que apontam o certo e o errado permite ao homem diferenciar o bem do mal.

O livre arbítrio consente que escolha. Quando vem a ocasião, o sininho toca. Ele recua ou faz que não “ouve”. Se isto ocorre, o sininho cresce. Badala forte. O homem deixa-o de lado. E faz. E erra. E se vê nu. Vestir as folhas da parreira, como se fosse um camaleão, esconder-se, são outros quinhentos. E aí está o problema.

Cônscio do erro espera as consequências. Se lhe são favoráveis ou nem são notadas, se sente poderoso, um deus. Cometer outros deslizes é questão de tempo, “boca de siri”, paciência, oportunidade e... falta de vergonha na cara - Sêneca diria assim?

Do erro, o homem vai ao crime. Encarcera a consciência numa redoma, e silencia o sininho. Cria novos valores, novos paradigmas comportamentais. O mundo é dos espertos, dos que se locupletam. Adere a uma nova raça corrupta, sem ética, onipotente.

Quando flagrado nos desvios, usa a camaleônica máscara da hipocrisia: “não sabia que era errado” ou, pior, “não sabia nada disto”. Sabia, sim. E muito!!! O que lhe faltou foi probidade, ética e, sobretudo, a consciência de executar o bem. Faltou o sininho. Não é o que vem acontecendo na política nacional?

Deus foi inflexível com Adão, Eva e a serpente. E, como a voz do povo é a voz de Deus, resta-me a esperança em crer que o povo expulsará de vez, pelo voto, estas anomalias humanas do Paraíso Planaltino.

Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Ratones, 11.08.2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Crônicas dum mané

Pois meus queridos amigos,

Aí vai mais uma crônica dum mané! Divirtam-se! Tem numerozinho com tradução lá no final.


Tás querendo u que, sô istepô!
Por Luiz Eduardo Caminha

Dia dessis recebi um i-meiu du mô amigo Jorge Müller, lá di Joinvilli, mas qui mora im Blumenau a uma carrada di tempo. Óia só o que qui eli dissi:

2009/6/22 Jorge Alberto Müller
Confrades bom dia! Amanhã pela manhã irei comprar os Mugilideos da ordem Perciformes e nome científico denominado de Chelon labrosus em Itajai. Tb comprarei algumas ovas q farei da seguinte forma: .....+ 1 l. de.....e + 4/3 de ... e uma pitada de.....diluido com conhaque fran......em 1/2 porção de....e levado ao forno 19 min.......então e servir com...... até lá!!
As Chelon labrosus segundo informações nesta quinzena estão mais saborosas pois as que não foram pegas ainda, já nadaram bastante e portanto estão mais magras e menos estressadas fazendo que sua carne fique mais suave e c/ baixíssimo índice de colesterol abaixo do prejudicial as artérias. Portanto viva as Chelon ..na areia importada da praia do Pinho(segundo o presidente Fred!). JORGE


Oi, ió, ió! U que qui é issu, guri?!
Foi assim co fiquei quandu li essi negócio. Aí ó. Non contei tempu. Respondi na horinha, puto dus córnus. Mas fiquei curiosu di sabê u que caquilo quiria dizê!

Qui nomi mais istrombóticu (1) é essi? Que qui essi alemão ta inventandu? comprar os Mugilideos da ordem Perciformes, um tar di Chelon labrosus? Tas querendu u que, sô istepô?! Nunca vi um nomi dessis na minha vida!
Devi sê di cumê, né? Purque u Jorgi ta falandu qui vai faze essi tróçu (2) lá nu Terça a todu vapô, nu Clubi Bela Vista! Devi di sê cumida!!!

Lá vem essis alemão digraçadu cum essis nomi du cão di novu. Chelon? Pareci é nomi di bucica (3). Ôtro dia foi u Braz, cum aqueli negóciu di dizê qui bacalhau não era bacalhau. Era um tar de Códi non sei u quê. Cód Gabus Morhua, foi u nomi qui eli invento pru bacalhau. Até hoji não inguli essi tróçu. To cá ispinha atravessada nu gogó(4)!
Agora vem u mô amigu Jorgi cum essi Chelon não sei das quanta. Assim não dá né!! Tas querendo me arromba, ô? O tás é querendu mi gozá, Jorge?
Mas qui devi di sê cumida, issu devi. I cumida du mar, purque u Jorgi tomem diz qui vai comprá im Itajaí! Muié da vida é qui não devi di sê. Essas tomém si comi, mas di outro jeitu, é craro! Mas issu não devi di sê! Lá nu Bela Vista, elis não deixo fazê issu! Nem cá vaca tussa!

I tem mais. Vai sê nu istamitichi dus terçaferino. Intão é cumida. Tem di sê!
Ah! Qués sabe u que qui é essi tar di istamitichi, né? Ô isplicu prumódintendê(5)! Istamitichi é u nomi qui us alemão dão pra uma roda di amigus qui si reuni todu u santu dia ou uma veis pur semana, só pra jogá conversa fora, tomá uns ferru(6), cume uma cumida ou jogá uma bolinha, um dominózinhu, uma botchinha ou ôtra coza qualqué(7). U importanti dessa rodinha é mermu tomá uns ferru. Bia gelada pra maioria. É paricidinhu cu’as nossa patota, as nossa rodinha.

Pois é! U Terça a todu vapô é um istamitichi qui si reuni toda as terça fera pra faze issu: toma uns ferru i cume uma cumidinha. Pur issu co achu qui essi tar di Chelon é mermu cumida. I ôtra! U Jorgi é um cuzinhêru dos bom. Faz rabada, caranguejada i tudu mais. Nunca isqueçu a rabada du Jorgi. Ê! Pó pará pur aí. Não é u qui voceis tão pensandu. É rabada di boi, mermu!!! Óia, a rabada du Jorgi é di lambe us beiçu!!! Agora, co nunca vi fala qui essi tar di Chelon é coza di cume, issu ô nunca vi.
Bem, u jeitu era i vê si tinha arguma coza nu pai dus burru, né?!
Piscurei(8) nu Orélio! Nada! Nu Micaélis! Nada! Vai vê, pensei cá cus môs botão, é nomi francês. Ô sei lá??? Arriscá não custa! Já qui a vaca tá indu pru breju mermu. Morra a Marta, morra farta! Vamu lá! Fui pru Michelin. Nada tomém! Nem nu Gugle incontrei arguma isplicação. Ô mo Santu Antonho! Ô, minha Nossa Sinhora da Lapa! Mi dá uma luz pru modo ô incontrá u que qui é issu. To já ficandu doidu di isquentá a mufa(9) di tantu piscurá. Essi istepô du Jorgi. Mi faze ficá incasquitadu(10) dessi jeito. Tu me pagas, sô lambisgóia(11). Sô ti incontro doti(12) di relho(13), só pra tu aprende.
Foi daí qui começaru a chegá as resposta pro i-maiu du Jorgi. Gente curiosa, querendo sabe qui merda(14) era aquilu. Genti querendu isplicação ou botandu mais lenha na fuguêra. Tava já virandu gozação!Tomém Um nomi dessis, só pudia dá falatório.

Chuveu resposta ao i-meiu du Jorgi, nu mô computadô.
I foi aí co discubri tudinhu! Qués sabê u que qui issu qué dize? Ô não dissi qui era coisa di cumê?? Mas voceis não vão acreditá! Só prus córnus du diabu! Começa qui essi tar di Chelon dus cambau a quatro(15) não é essi. É essa. É u nomi científicu das nossa tainha. Pódi issu? Não vi issu nem nu científicu, nem nu ginásio, nem na faucudade(16), nem im lugá ninhum aqui na isla. Im Flonóplis ninguém sabi dissu. Tainha é tainha, ô mané!!! Nem vem qui non tem ô! Nem mi istróva!(17) Tás tolo é? Pareci qui non reza(18), Ahn! Ahn! Ahn! Sai daí ô. Não mi intisica(19) não, sô intiquento.(20)

Até a Gracinha, aquela minha prima, filha da Tia Quita, qui é professora i criada nu Riberão, nu meiu dus pescado, non sabe disso. Duvideodó(21)! A manezada aqui nunca ôviu falá dissu. Nem u dotô Galvão e a a muié deli, a Cida, qui são formado em manezês na faucudade do Pântano do Sul sabiam dissu, sô amarelo(22).
Agora já si viu? Chamá a nossa tainha di Chelon sei lá du que!!! Só coza di alemão, mermo!!!

Daí, môs amigo, dispôs di sabê, fui obrigadu a mi alembrá quantas i quantas vezis ô cumi dessas bichinha. Cum ova, sem ova, iscalada, rechiada, frita im posta cum pirão di feijão, di tudu qui é jeitu! Na casa du Tiu Ernani i da Tia Zilma! Du tio Elson i da tia Dalva! No Brunu i na Iracema! Na tia Idalina i nu tio Geraldinu! Na casa du Ramón i da Terezinha, lá nu Reberão! Na casa dus môs irmão, u Bitinhu, a Anamaria! Nus môs quiridu cunhadu u Nei i a Malba. Na casa du seu Nilu Machadu, lá im São Miguel. Na casa du Bicudo, du seu Silviu Nocetti, lá na Praia di Fora. Mô Deus du céu! Cumi muitu dessas bichinha, im tudu qui é lugá i sempri nós chamava elas di tainha. Ahn! Ahn! Ahn! Chelon! Só pra ti mermo, alemão. Agora mi diz aqui: alemão di Joinvilli conheci di tainha? Só pudia dá nissu!

Óia! Ainda na semana passada cumemo uma, eu i a Seluta aqui em casa, cuns amigu lá di Brusqui. Rechiadinha com farofa di camarão, ova di tainha, muela, fígado i coração. Di tainha né o sô tanso!(23) . é purque tu non devi nem di sabê qui tainha tem muela, né? Qui nem galinha!.

Óia, nóis só non cumia muita tainha lá na casa da mãe i du pai purque u mô pai não suportava pexe.
Era o friu chegá, as vezis antes mermu du invernu i lá vinha e épuca das tainha. Vinham di monte. Us lançu(24) di rede, traziam pras praias uma, duas, cincu, à vezis quinzi, vinti tonelada da bichinha. Uma muntuêra(25). Era tainha a dá cum pau!(26). Ô coza linda di si vê, um lançu di tainha. I tem ôtra! Todu mundu qui ajuda a puxá a redi leva umas tainha pra casa. Duas, três, meia duza! Dependi da quantidade qui vem na redi. Tá certo! U ajudanti tem qui sê digêro(27). Vai até na pancada da maré(28), cum água nas canela, gruda na corda i vem aquela bicha(29) di ajudante puxandu... i puxandu..., até chegá incima da praia. Dai, quando si chega lá incima, tem qui saí na puada(30) i corrê até a pancada da maré di novu. I dá-lhe a puxá.

Óia genti! Voceis já viru água fervê, né?! Pôs quando a redi tá chegandu pertu, u mar ferve qui nem uma chalêra! Di tantu peixe! Daí, quandu u peixe tá tudo num monte na praia, começa a divisão. Tudu im montinhus. É lógicu qui us monti maió são dus pescadô, us camarada e du donu da redi i du barco qui foi ponhá a redi. Mas todu mundu leva tainha pra casa. É uma festa.

Mas vamu pará pur aqui quessas lembrança, purque mi dá munta tristeza. Minha mãe i mô pai, quanu a genti era piquenu, gostavam di nus leva pra vê essis lançu. Lá im Canasviera. Até na Lagoa, nu tempu qui ainda não tinha a avenida das rendêra, qui era tudu praia , tinha lançu di tainha. Di lembrá dus dois mi enchi us óiu di lágrima. Di saudade! Tão nu céu, ô sei! Mas a saudade aperta u coração da genti!
Posé(31), môs amigu! Intão tá!
Chelon labrosus é u nomi i sobrinomi das tainha. I vai tê festa nu Bela Vista. Vai te tainhada. Di todu tipu. Purque cuzinhá u Jorge sabi! Valeu Jorgi! Mas da próxima, tu vê si não mi inrola cum essis nomi distrambelhadu(32), vissi? Ô tu tás é querendu dá uma di bentivi di isgreja?(33)

Luiz Eduardo Caminha,
Ratones, Floripa, 23.06.2009

Prumódintendê

1. istrombóticu – estrambótico, esquisito.
2. tróçu – coisa
3. bucica – cadela guaipeca, vira-lata.
4. gogó – garganta
5. prumódintendê – de formas a entender
6. ferru – ferro, bebida alcoólica, cachaça.
7. quarqué – qualquer.
8. Piscurei – procurei
9. mufa – cabeça
10. incasquitadu – cismado
11. lambisgóia – metido
12. doti – te dou, dou-te;
13. doti di relho – dar uma surra.
14. merda – é merda (mesmo! Tás pensando o que o meu?) Ti peguei, hein?
15. us cambau – aos montes; us cambau a quatro, um monte e mais um pouco (uma enorme quantidade)
16. faucudade – faculdade
17. istróva – estorvar, atrapalhar, causar confusão.
18. Parece qui nom reza! – diz-se de uma pessoa que parece não ter muita convicção do que afirma ou diz-e para uma pessoa que conta algo muito fantasioso e inacreditável.
19. intisica – intica - cutuca com vara curta, perturba
20. intiquento – aquele que intica.
21. Duvideodó – duvido muito.
22. amarelo – diz-se quando se quer menosprezar ou fazer pouco caso de alguém.
23 tanso – atolesmado, pateta.
24. lançu – lanço. Lance de rede de pesca de cerco que se puxa na praia depois de colocada em torno do cardume por barcos. Toda quantidade de peixes que é pescado é chamada de um lanço.
25. muntuêra – grande quantidade.
26. a dá cum pau – em uma quantidade enorme.
27. digêro – ligeiro.
28. na pancada da maré – no lugar onde as ondas batem ao chegarem próximo da praia.
29. bicha – fila
30. puada – ligeiro, lépido, “na puada” – ligeiramente, rapidamente.
31. Posé - Pois é
32. distrambelhadu – destrambelhado, desarrumado.
33. dá uma di bentivi di isgreja – dar uma de bem-te-vi dea igreja – quando uma pessoa está querendo aparecer muito.

Que Deus os abençoe,

Caminha

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