poemínimo
cá
no
sul
é
só
frio
que
dá
quiçá
saudade
do
verão
é
tão
frio
que
não
dá
pra
mim
mas
dá
um
bom
surf
prá
pinguim
Distrito (In)dependente dos Ratones,
Frio de 5 graus,
Floripa – SC – 03.08.2010
caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!
poemínimo
cá
no
sul
é
só
frio
que
dá
quiçá
saudade
do
verão
é
tão
frio
que
não
dá
pra
mim
mas
dá
um
bom
surf
prá
pinguim
Distrito (In)dependente dos Ratones,
Frio de 5 graus,
Floripa – SC – 03.08.2010
ACORDA SOCIEDADE
Acorda Sociedade!
Egoísta, escravizante
(escravocrata),
Olha ao teu redor,
Enxerga esta gente
Que tornaste marginal!
Escuta os clamores
Pelo pão, pela vida,
E antes que seja tarde,
Que o verdugo da justiça
Te faça sangrar,
Vai ao encontro do irmão,
Despede-te da luxúria
E corrige os teus erros
Frutos da ganância
Da hipocrisia
Da exploração.
Vai, anda logo,
Escuta, age
Antes que tarde seja,
Para a paz.
Luiz Eduardo Caminha
No livro "Reflexos", 1987
R O D A D E V I O L A
O som,
Enche de romantismo,
O ambiente cálido
Da cantina acolhedora.
Lá está êle,
Cinquenta anos após,
A dedilhar as notas
Que lhe mandam o coração.
Olhos cerrados,
Cabeça inclinada,
Violeiro e Violão,
Misturam-se ao transe,
Da platéia; apoteose.
As mãos,
Aquelas mãos cheias de rugas,
Dedos finos,
Mostram um movimento frenético.
O toque suave,
Compasso a compasso
Sobre as cordas do violão,
Embaraçam solos e arpejos,
Maviosa sinfonia.
A seu lado,
Um copo de cerveja,
Um bandolim afinado,
Uma mesa vazia.
A platéia delira,
Canta contente :
Naquela mesa,
Êles sentavam sempre...
P.S.: Homenagem aos anônimos boêmios,
a Jacó do Bandolim e a Velha Guarda,
que fizeram da música brasileira, o roman-
tismo, que até hoje, embalou tantas décadas.
Inverno 1
Cruel,
Sisudo,
Padrasto.
De mim?
Carrancudo,
Casmurro,
Sofrido.
Teu corpo?
Se amolda,
Me aquece,
Me envolve,
Me cobre.
Só tu,
Mulher,
Podes ser
Meu Sol!
Inverno 2
Frio intenso.
Na estepe
De minha mente
Nada cresce.
Nem mesmo
Um poema -
Que me aquece –
Que me aqueça!!!
Porventura...
Inverno?
Não rima
Com estéril?
Deveria!
É isto
Qu’ele faz:
Até a mente
Tolda,
Congela,
Nada produz!
Mínimo
Tu és,
Mulher,
No
Inverno,
Meu
Sol.
Meu
Verão.
Amenidades
Coisas boas do Inverno:
Uma cama bem quentinha,
Um ar quente no máximo,
Um café de pelar a boca
...
Só prá continuar
Debaixo dos cobertores.
Nada disto é melhor
Que a areia leito de uma praia,
Um Sol de verão,
Uma água de coco bem gelada,
De doer os dentes.
...
Quem gosta de frio e neve
É pinguim, urso polar e esquimó!
Lua invernal
Até a lua,
Amante dos boêmios,
Companheira dos notívagos,
Se acoberta;
Agasalha-se de nuvens,
Névoa,
Neblina;
Esconde-se
Do frio gelado.
Mas está lá!
Pronta, à espera,
O poeta sabe.
Antípodas
Lareira,
Vinho tinto,
Fondue
...
Pra passar o frio.
De minha parte,
Prefiro:
Sol,
Cerveja gelada
(ou água pura),
E... churrasco.
Mais alegre,
Minha praia.
Espectro
Foto noturna,
Riscos de luzes,
Rasgos melancólicos,
Soturnas lembranças.
Lúgubres sombras,
Espectros famélicos,
Andanças perdidas,
Descoloridas!
Uma tela disforme
Retrata a fome.
Miséria cansada
Da exclusão.
Quem vai parir o amanhã?
Quem vai colorir a vida?
A Esperança? Último grito de Pandora?
Ou a certeza? Dum triste futuro possível?
A argamassa, massa dos pobres,
Pão amanhecido, amolecido
Pelo suor diário de desatinos.
Faina diuturna, sede insaciável
De Justiça... e Paz, enfim!
Um Sepulcro futuro e garantido,
Repleto de sonhos, sussurros,
(Caiado pela hipocrisia)
Resta como digno descanso!
Distrito de Ratones – Florianópolis, 18.05.2010.
Festa na ilha
Primeiro friozinho d'outono
Lá vêm faceiras tainhas
Comida de sobra, festa na mesa
Pescador, pesca, pescada, doutor.
Primeiro calorzinho da primavera
Lá vêm raparigas faceiras
Saia rendada, sorriso convite
Festa, amasso, cama... namorador.
Aquelas, que dão de sobra,
No mar nas redes, n'areias,
Comidas de toda maneira.
Estas, mocinhas dadeiras,
Nas praias, nas dunas d’areia,Levanta a saia que sobra.
E como sobra!
Se sobra? Como!!!
Distrito de Ratones, Florianópolis, 12.05.2010