caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Prum frio máximo, um poeminha mínimo


poemínimo


cá

no

sul

é

só

frio

que

dá


quiçá

saudade

do

verão


é

tão

frio

que

não

dá

pra

mim

mas

dá

um

bom

surf

prá

pinguim


Luiz Eduardo Caminha

Distrito (In)dependente dos Ratones,

Frio de 5 graus,

Floripa – SC – 03.08.2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

um dia, esta sociedade pagará!

ACORDA SOCIEDADE

Acorda Sociedade!

Egoísta, escravizante

(escravocrata),

Olha ao teu redor,

Enxerga esta gente

Que tornaste marginal!

Escuta os clamores

Pelo pão, pela vida,

E antes que seja tarde,

Que o verdugo da justiça

Te faça sangrar,

Vai ao encontro do irmão,

Despede-te da luxúria

E corrige os teus erros

Frutos da ganância

Da hipocrisia

Da exploração.

Vai, anda logo,

Escuta, age

Antes que tarde seja,

Para a paz.


Luiz Eduardo Caminha

No livro "Reflexos", 1987

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Aos Notívagos e Boêmios

R O D A D E V I O L A


O som,

Enche de romantismo,

O ambiente cálido

Da cantina acolhedora.


Lá está êle,

Cinquenta anos após,

A dedilhar as notas

Que lhe mandam o coração.


Olhos cerrados,

Cabeça inclinada,

Violeiro e Violão,

Misturam-se ao transe,

Da platéia; apoteose.


As mãos,

Aquelas mãos cheias de rugas,

Dedos finos,

Mostram um movimento frenético.


O toque suave,

Compasso a compasso

Sobre as cordas do violão,

Embaraçam solos e arpejos,

Maviosa sinfonia.


A seu lado,

Um copo de cerveja,

Um bandolim afinado,

Uma mesa vazia.


A platéia delira,

Canta contente :

Naquela mesa,

Êles sentavam sempre...


P.S.: Homenagem aos anônimos boêmios,

a Jacó do Bandolim e a Velha Guarda,

que fizeram da música brasileira, o roman-

tismo, que até hoje, embalou tantas décadas.


Luiz Eduardo Caminha

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Reflexões poéticas ou nada poéticas sobre o Inverno

Inverno 1



Cruel,

Sisudo,

Padrasto.



De mim?



Carrancudo,

Casmurro,

Sofrido.



Teu corpo?



Se amolda,

Me aquece,

Me envolve,

Me cobre.



Só tu,

Mulher,

Podes ser

Meu Sol!




Inverno 2




Frio intenso.



Na estepe

De minha mente

Nada cresce.



Nem mesmo

Um poema -

Que me aquece –

Que me aqueça!!!




Porventura...



Inverno?

Não rima

Com estéril?



Deveria!



É isto

Qu’ele faz:



Até a mente

Tolda,

Congela,

Nada produz!





Mínimo



Tu és,

Mulher,

No

Inverno,

Meu

Sol.

Meu

Verão.





Amenidades



Coisas boas do Inverno:

Uma cama bem quentinha,

Um ar quente no máximo,

Um café de pelar a boca

...



Só prá continuar

Debaixo dos cobertores.



Nada disto é melhor

Que a areia leito de uma praia,

Um Sol de verão,

Uma água de coco bem gelada,

De doer os dentes.

...



Quem gosta de frio e neve

É pinguim, urso polar e esquimó!





Lua invernal



Até a lua,

Amante dos boêmios,

Companheira dos notívagos,

Se acoberta;

Agasalha-se de nuvens,

Névoa,

Neblina;

Esconde-se

Do frio gelado.

Mas está lá!

Pronta, à espera,

O poeta sabe.




Antípodas



Lareira,

Vinho tinto,

Fondue

...

Pra passar o frio.



De minha parte,

Prefiro:



Sol,

Cerveja gelada

(ou água pura),

E... churrasco.



Mais alegre,

Minha praia.



Luiz Eduardo Caminha,

Distrito (In)dependente de Ratones – Floripa, 18.06.2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ainda a saudade...

Orfandade

Eu não imaginava
Ficar órfão tão cedo.
Aliás, eu nunca
Imaginei-me um órfão.

Estou nos cinqüenta e oito,
Quase cinqüenta e nove,
Primeiro meu pai,
Tristeza, melancolia.
Depois um irmão,
Dor, sentimento.
Mas ainda tinha uma mãe.
O fel da dor compensava!

Daí... ela resolveu partir,
Bateu asas
Como um pássaro,
Uma borboleta
Foi ao encontro dos seus,
Do outro lado.

O velho útero,
Sacrário dos filhos,
Já não vivia.
O cordão umbelical
Definitivamente se partira.
Um silêncio ensurdecedor,
Eco de uma ausência.

Foi aí que senti a orfandade.
Ficou fácil entender saudade.
Tão fácil! Tão amarga!
Sem graça, senti-la!


A Hamilton e Edy, meus pais, 1 ano depois que ela partiu para encontra-lo e reverem, juntos, meu irmão!

P.S.: Daí me vi cantarolando aquela musiquinha: Mãezinha do céu / Eu não sei rezar / Eu só sei dizer / Que quero te amar...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Certo futuro funéreo do excluído

Espectro


Foto noturna,

Riscos de luzes,

Rasgos melancólicos,

Soturnas lembranças.


Lúgubres sombras,

Espectros famélicos,

Andanças perdidas,

Descoloridas!


Uma tela disforme

Retrata a fome.

Miséria cansada

Da exclusão.


Quem vai parir o amanhã?

Quem vai colorir a vida?

A Esperança? Último grito de Pandora?

Ou a certeza? Dum triste futuro possível?


A argamassa, massa dos pobres,

Pão amanhecido, amolecido

Pelo suor diário de desatinos.

Faina diuturna, sede insaciável

De Justiça... e Paz, enfim!


Um Sepulcro futuro e garantido,

Repleto de sonhos, sussurros,

(Caiado pela hipocrisia)

Resta como digno descanso!


Luiz Eduardo Caminha

Distrito de Ratones – Florianópolis, 18.05.2010.

sábado, 15 de maio de 2010

Outono... é festa na ilha!


Festa na ilha


Primeiro friozinho d'outono

Lá vêm faceiras tainhas

Comida de sobra, festa na mesa

Pescador, pesca, pescada, doutor.


Primeiro calorzinho da primavera

Lá vêm raparigas faceiras

Saia rendada, sorriso convite

Festa, amasso, cama... namorador.


Aquelas, que dão de sobra,

No mar nas redes, n'areias,

Comidas de toda maneira.


Estas, mocinhas dadeiras,

Nas praias, nas dunas d’areia,

Levanta a saia que sobra.


E como sobra!

Se sobra? Como!!!


Luiz Eduardo Caminha

Distrito de Ratones, Florianópolis, 12.05.2010