caminha, caminhando, poetando...

caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!

domingo, 15 de novembro de 2009

Antípolis - a antirrepública

Segue, meus amigos,


Mais um poema. De protesto. Neste dia de Comemorações (Ha,ha,ha!!!)


Antípolis

(Ou “O corrupto”)


Seu rosto traduz

A face disforme.


Quebraram-lhe os cacos

Mosaico da decência.

O fäcies moralis se lhe desfigura.


Caem, por terra

Os poucos fragmentos

Honoris fragilis et horrendus

(Dis)ética...

Desalinhos!


Resta-lhe...

A lama.

O lago (pantanoso) da desonra,

Onde navega seu barco;

O lodo em que chafurda.


Onipotente proclama,

(A pólis sob seu jugo):

“Sou um deus,

O povo que exploda!!!”


Luiz Eduardo Caminha,

Ratones, Floripa, 15.11.2009

Dia em que deveria se comemorar

A Proclamação da “Rës-püblica”.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

coluna do caminha

Êta Colônia

No Brasil Colônia os coronéis do açúcar viviam no Nordeste. Hoje no Centro Oeste. Mas a prática é a mesma: vivem do erário público, melhor, do bolso do consumidor. O brasileiro, que paga impostos absurdos, convive com a adição de 20 a 25% de álcool na gasolina. A desculpa é um combustível mais limpo. Tudo engodo. Na real, garantimos parte da safra dos usineiros. Não para aí. Quando a safra cai, o preço sobe nas bombas. O Governo alardeia que somos auto-suficientes em petróleo desde 2007. Porque, então, não diminuem o percentual de álcool? Ou nos vendem gasolina pura? A resposta? Povo que não berra, paga! O coronelismo agradece.

Desculpa

Tudo por causa de uma tal de Reserva Energética Renovável – êta nome porreta! Enquanto isto o preço absurdo dos combustíveis é decidido na ante-sala do Gabinete da Presidência da República a Petrobrás atola-se em lucros. Sempre foi assim, inclusive agora, na era da auto-suficiência.

Vem mais

E já foi aprovada a adição de 5% de biodiesel no óleo diesel de petróleo. Os industriais do óleo vegetal agradecem. E dá-lhe a privatizar o dinheiro do contribuinte.

Lulário

Em entrevista para o jornal "Folha de S.Paulo" desta quinta-feira (22), o Presidente Lula saiu-se com esta: "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão". A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB reagiu por intermédio de seu secretário-geral, dom Dimas Barbosa: “Agora, Cristo não fez aliança com os fariseus. Pelo contrário, teve palavras muito duras para eles”. Cristo os chamava de hipócritas, raça de víboras, sepulcros caiados e por aí afora.

Fundação Sarney

Que coisa não? Quanta injustiça para com um acervo de um ex-Presidente da República. A Fundação José Sarney – aquela dos escândalos recentes de irregularidades com verbas públicas – vai fechar. Motivo? Depois das denúncias nenhum patrocinador quer ver seu nome vinculado com a instituição.

Pedágio

Não sou contra o pedágio, em que pese as rodovias terem sido construídas com o nosso dinheiro. Num país continental é preciso uma fonte permanente de recursos para mantê-las. Porém, o preço do pedágio é coisa de cadeia. O festerê é grande. As empresas – a maioria multinacionais – têm lucros muito superiores aos demais países do mundo onde existe a cobrança.

Culpa?

Desde os tempos de FHC é assim. Só que lá as empresas pagavam pelas rodovias privatizadas. Hoje recebem-nas de graça. O pedágio da era Lula diminuiu muito o valor, mas ainda é mais caro que em muitos países.

Negócio da China

Funciona assim: As empresas ganham as estradas feitas com nosso dinheiro. Fazem uma praça de pedágio, colocam um ou outro equipamento de segurança e passam a cobrar. Por exemplo: Eu quero montar uma casa de shows na Barra da Lagoa. Sim, tem que ser filé, tipo pub inglês. Coisa pra ganhar dinheiro. Falo com o governo que me dá terreno, casa e estoque. Eu entro e começo a faturar. Tal qual as estradas pedagiadas. Será que me dão uma boquinha assim? Ah! A caixa registradora eu compro, tá?

Em São Paulo

Na Rodovia dos Bandeirantes (duas a três pistas), a cada 40 Km há uma praça de pedágio. Cobram entre R$ 4,10 e 6,10 para carros de passeio ou por eixo, o que dá uma tarifa média de R$ 13,90 para cada 100 quilômetros. Na Rodovia Castello Branco o preço chega a R$ 14,40/100Km e na Raposo Tavares o valor é de R$ 4,50/100 Km.

Em Santa Catarina

Na BR-116 (uma a duas pistas), entre Curitiba e a divisa com o Rio Grande paga-se 5 pedágios de R$ 2,70 - uma média de R$ 3,20 cada 100 Km. Da divisa até Porto Alegre, pasmem, paga-se em média R$ 8,95. Na BR-101de Curitiba a Florianópolis, a cada praça R$ 1,10, o que significa em média R$ 2,00 cada 100 Km.

No Uruguai

Nas rodovias de duas a três pistas, o custo é de R$ 3,75 cada 100 Km. Mais caro que nos Estado Unidos. Mais barato que no Brasil. As estradas são construídas pelas concessionárias e os pedágios só são cobrados depois do trecho pronto.

Nos Estados Unidos

Na Florida Turnpike, de Miami a Orlando (4 pistas), uma das rodovias mais modernas do mundo, paga-se 01 dólar (R$ 1,80) cada 100 Km. O pedágio é opcional. O Governo oferece vias alternativas, com duas pistas, onde nada se paga. As estradas são construídas pelas concessionárias.

Comparando

Na Rodovia dos Imigrantes/SP, padrão semelhante às americanas, o preço a cada 100Km é R$ 50,00. Aplicada na Turnpike, daria uns 100 dólares para ir de Miami a Orlando. Certamente os americanos estariam na rua, fazendo protestos, quebrando tudo. Raiva de gente pobre e mesquinha!!!

Razão

Somos ou não um povo muito rico?

Lula e o TCU

O Presidente reclamou do Tribunal de Contas da União de emperrar as obras por desconfiar de superfaturamento. Quer que as obras continuem enquanto um Conselho analisaria as denúncias ou desconfianças. Casa de ferreiro, espeto de pau. No tempo de FHC seu partido quase parou o Brasil com denuncias a maioria infundadas.

Resgate Histórico

No dia 23 de março, Florianópolis comemora 277 anos de emancipação política. Fazemos uso de duas imagens do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina para homenagear a capital dos catarinenses.



















No podium

Florianópolis, por seus 277 anos.

Na guilhotina

O preço abusivo dos combustíveis no Brasil.

domingo, 25 de outubro de 2009

Coluna do Caminha

Prezados Amigos Leitores,

Depois de um tempo em hibernação passo a publicar novamente minha coluna que também estará à disposição no site PressFloripa no endereço http://www.pressfloripa.com.br/colunistas_noticias.php?col_id=29


Oktoberfest, outra vez!


Mais um ano de sucesso e recordes. Mais um ano da estéril discussão: qual será o futuro da Oktoberfest? É hora de mudar o discurso. A Oktoberfest é uma realidade, como a de Munique. Aos inteligentes cabe discutir formas de torná-la sempre mais atrativa e ponto de incremento ao desenvolvimento de Blumenau e Região. Um projeto de inclusão social, por exemplo, seria uma ótima pauta. Porque não usar parte do dinheiro arrecadado na construção de moradias populares, por exemplo? Ou, quem sabe, a cobrança de uma taxa nas contas de Hotéis, Restaurantes e comércio que permitisse mais bancos escolares, bolsas de estudo, preservação ambiental e por aí afora? Tá aí um assunto para a discussão na Câmara de Vereadores. Exemplos já existem.

Roubo

Mais um assalto ao bolso do contribuinte. Desde 2002, as distribuidoras de energia elétrica vem cobrando a mais nas contas. O rombo é de R$1 bi ao ano. Desde 2002 cerca de R$ 7 bilhões. Segundo a Folha de São Paulo “O governo sabe há dois anos, mas não fez nada para resolver”. São 63 distribuidoras no país que detém 63 milhões de ligações. Todos os consumidores regulares pagam o butim.

Pior

Conforme apurou a Folha o erro refere-se ao reajuste tarifário de 2002. De lá para cá se repete ano a ano o que permite o embolso indevido de dinheiro dos consumidores. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável pelos cálculos, admite que o erro existe, mas diz que não pode exigir ressarcimento.
"[Ficar com o dinheiro] é eticamente discutível, mas isso que as distribuidoras estão fazendo é o que legalmente está constituído. Nós temos plena certeza que esse é um dinheiro que não pertence à distribuidora", diz David Antunes Lima, superintendente de regulação econômica da Aneel.

Sujeira

É criminoso o desleixo do brasileiro com o meio ambiente. O lixo que produz é jogado em qualquer canto. Cada um suja um pouco e chafurda na sujeira dos outros. Não têm qualquer compromisso com a comunidade e o meio ambiente. Questão cultural.

Parque Nacional

Foi isto o que pude ver em recente visita ao Parque Nacional de São Joaquim. Em meio à pinheiros centenários, rios caudalosos, cascatas magníficas, fazendas fantásticas, plantações de maçã, cereja, kiwi, uva, entre outras, lá estava, soberano, o lixo do turista e do habitante da região. Sacolas plásticas, copos descartáveis, pedaços de móveis e eletrodomésticos, latinhas de alumínio, garrafas. Um futuro Tietê em meio à natureza.

Bate e volta

Nascem, no Parque, onze rios. A maioria leva suas águas para oeste, em direção ao Rio Uruguai e depois ao Paraná e Rio da Prata. Lá embaixo, entre o Uruguai e Argentina chegam ao Atlântico. A piada de mau gosto: o lixo jogado ali vai sujar a Argentina. Mas as correntes o trazem de volta à costa brasileira. Sem contar o lixo que fica lá mesmo, no Parque. É como sujar no prato que se come.

LHS em alta

De dois tradicionais políticos da serra catarinense: “Nunca nenhum governador fez tanto, por São Joaquim e região, quanto Luiz Henrique da Silveira”.

Aliança

Enquanto o Governador se esforça para manter a tríplice aliança (PMDB, PSDB, DEM) lideranças da própria base – especialmente do PMDB – fazem o contrário. Apostam na candidata do PT, Senadora Ideli Salvatti. Querem romper a tríplice aliança e afinar o PMDB estadual com o nacional. Uma das figuras de proa nesta costura é o atual Prefeito de Bom Jardim da Serra, ex-deputado Rivaldo Maccari.

Mau negócio

Segundo uma fonte próxima à Casa d’Agronômica o PMDB nacional sofre a pior crise de identidade de sua história. Culpa do fisiologismo de Sarney, Renan, e outros. Um entrave para uma aliança com o PT no Estado. Além disso, LHS tem queixas do PT que sempre se comportou como oposição, com feroz animosidade e crítica a seu governo.

Agradece

A Senadora agradece as costuras. Afinal, sua expressiva votação para o Senado precisa apenas de um empurrãzinho para chegar ao Palácio. Este pequeno gesto viria do PMDB, com as devidas contrapartidas, lógico!!! Torce, pelo menos, para que o partido libere seus líderes regionais para apoiar quem queiram. Não seria novidade.

Palanque

Nem a queda do palanque foi capaz de afastar o governador interino Deputado Jorginho Melo/PSDB de sua extensa Agenda. Com desenvoltura Jorginho mostrou que tem todos os cacoetes para o cargo. Candidato? Jura que a Deputado Federal. Pra Governador, vai com o atual Vice Leonel Pavan/PSDB, com a tríplice aliança, afirma.


Apostas em Blumenau

Se depender do PMDB, Marcelino Campos será eleito deputado federal com o apoio dos CDLs. Décio Lima é bem cotado para re-eleição. Para Estadual, Gilmar Knaesel/PSDB é aposta exata, mas espera-se que Blumenau faça pelo menos mais um deputado estadual. Despontam 3 nomes: Giancarlo Tomellin/PSDB, Jean Kuhlmann e Ismael dos Santos, ambos do DEM. Ainda corre para re-eleição a deputada Ana Paula Lima. Convenhamos, é muito deputado para o mesmo espaço. No atual momento, empossados os suplentes, os quatro últimos têm cadeira no Legislativo Catarinense.


Resgate Histórico



Blumenau,

Rua 15 de Novembro,
altura de sua conexão com a atual Rua Itajaí.

Início do Século XX.










Bom Jardim da Serra,

Serra do Doze (atual Rio do Rastro),
Antes de sua pavimentação
Década de 1970/80.









No podium


O governador Luiz Henrique da Silveira pela atenção dispensada à cultura em nosso Estado e pelas ações em prol do desenvolvimento da Região Serrana no Planalto Central de Santa Catarina.

Na guilhotina

As distribuidoras de energia elétrica que, à sorrelfa, associam-se àqueles que vivem de vilipendiar o povo brasileiro.

Luiz Eduardo Caminha - MTb-SC 2966
Floripa, Distrito de Ratonas, 19.10.2009

O Rio das Olimpíadas

Um Rio Olímpico

2009, 02 de Outubro. O Rio será sede das Olimpíadas de 2016, a primeira da América do Sul. Escolha histórica e merecida.

1992, Olimpíadas de Barcelona. Desde a escolha, o Prefeito determina: a Olimpíada será o estopim de modernização da cidade numa urbe digna de seus cidadãos. Um projeto de inclusão. A área do porto, decaída pelo meretrício e criminalidade, transforma-se numa moderna Vila Olímpica. Os problemas foram encarados visando o pós-olimpíada. A cidade carrancuda torna-se uma alegre porta do Mediterrâneo. Barcelona renasceu para os barcelonetas. Acordou para o mundo.

1992. ECO-92. O mundo se volta para o conflituoso Rio de Janeiro. Ecologistas e celebridades políticas da Terra no Brasil. A cidade se prepara. Melhor: o aparato do Estado se prepara. Como? Com um projeto de exclusão. Dos pobres, dos marginalizados, das favelas. Uma cidade das celebridades foi isolada dum outro Rio. Um cinturão de soldados, armados até os dentes, isolava o problema de segurança, da cidade dos problemas: o Rio dos guetos, da criminalidade.

Rio 1997. Jogos Panamericanos. Novos sonhos, velhas promessas: urbanização, obras faraônicas, Vila Olímpica pensada para uma futura Olimpíada. Tudo como o cidadão espera. No que deu? Jogos, nota 10. Aparato Olímpico nota 100. Cerimoniais nota 1000. Urbe: nota zero. Projetos sociais, inclassificáveis. Mudanças de orçamento, desvios de recursos, corrupção. A história se repete. Novamente a exclusão. Exército nas ruas.

Sou a favor dos Jogos e do Rio - quem não seria? Mas espero que a Olimpíada traga alento aos cariocas. De atributos naturais extraordinários, dum povo alegre de uma amabilidade incomum, o Rio não pode mais se curvar aos paroxismos dos marginais e à negligência das autoridades. Que os Jogos sejam um marco de renascimento da outrora Maravilhosa Cidade, orgulho nacional. Mas que não ocorra de se marginalizar o ser humano. O projeto não pode se resumir a uma passarela de vaidades. Nem, tampouco, um manjar de corrupção. Todos querem ver a Cidade Maravilhosa transformada num Olimpo brasileiro, um panteão de glórias.

Que prevaleça o bom senso. Salve-se o Rio de suas mazelas e construa-se uma urbe digna para sua gente. Uma cidade que vive aos pés do Cristo Redentor não pode conviver com o paradoxo demoníaco dos contrastes mais inumanos existentes no mundo. A fome, a miséria, a criminalidade, a corrupção, o roubo, não combinam com o espírito do carioca, muito menos com os ensinamentos do Mestre. Que se volte a cantar: foi um Rio que passou em minha vida....

Luiz Eduardo Caminha

Floripa, Distrito de Ratones, 05.10.2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um inquieto poema

Inquietudes

Seria acaso
Azul,
A cor “escarlate”
Que corre, veias adentro,
A nobreza?
Oh! Nobre amada?

E ao se lhe ferir
O coração,
Seria sem cor
A cor do sentimento
Que lhe domina
A frigidez de seus atos?

Acaso se reveste
De rubro carmim
A vio(lácea)lenta paixão,
Quando se lhes é dado
Apaixonar-se?
Apaixonas-te tu, oh! Mulher?

Qual nada, dirão!
Nobres não tem sentimento
Apaixonam-se tampouco.
Pálida é, portanto,
A tez de seu coração.

Pálido também o é,
O sangue que lhe corre
As veias;
Esquálida,
A vida que é
Seu dia a dia.

Até que a morte
Lúgubre sombra esguia,
Na negritude da noite,
Sem lua,
Leve-a daqui.

Entrega-te
Oh! Nobilíssima amada
Ou assim será...

Luiz Eduardo Caminha
Distrito de Ratones, Floripa, 08.10.2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Somos iguais perante Deus...

Quem é o maior?

“Tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3,19)

1978. Manchete: Descaso do governo na saúde. Médicos em greve. Eu fazia especialização no Rio de Janeiro e era do comando de greve. Reuniões infindáveis, discussões, negociações, assembléias. Os militares ameaçavam de urutus e o Exército, armas em punho, nos sitiava na Assembléia do Rio. Clima de guerrilha. Ao fim, algumas migalhas concedidas. Voltamos ao trabalho. Vitória de Pirro! Trinta e seis dias por quase nada.


Dias após, os lixeiros. Fedor de lixo acumulado nas calçadas, enxames de moscas toldando o céu. Uma semana. Tudo resolvido. O caos sanitário fez o Governo Municipal aceitar a maioria das reivindicações dos grevistas.

Vieram os motoristas de ônibus, profissional odiado pelos cariocas que os tinha como a escória. Gastei nove horas para fazer um trecho de quarenta minutos, de Vila Isabel ao Hospital, em Ipanema. Tudo engarrafado, buzinaço ensurdecedor. Doze horas de greve. O caos urbano elevou os motoristas à condição de gente. As empresas cederam a todas as reivindicações.

Qual destas categorias foi a maior? À luz da escala de valores estabelecida pelo status e por uma sociedade vítima do materialismo, a mais insignificante delas: os motoristas, seguida dos lixeiros e, por fim, nós, médicos. Uma inversão dos pés à cabeça.

Pode-se analisar estes episódios sob duas óticas: a paulina, inspirada provavelmente na milenar sabedoria dos vedas hindus: “o olho não pode dizer à mão: não preciso de ti. Nem a cabeça dizer aos pés: não necessito de vós. O corpo é um todo com muitos membros. Numa comunidade cada membro tem a sua função e todos formam um corpo cuja cabeça é o Cristo”, explica São Paulo. A outra visão é do próprio Mestre: “quem quiser ser o primeiro, seja o último, o servo de todos. Aquele que se tornar pequenino como uma criancinha, este será o maior... Quem se exalta será humilhado e quem for humilde será exaltado”.

Orgulho-me de ser médico. Minorar o sofrimento alheio e salvar vidas é função dignificante ante Deus e a sociedade. Mas, numa comunidade , não só o médico é importante. Todos o são. Costumo dizer: nascemos igualmente nus e ao morrermos, sejamos reis ou súditos, as minhocas comerão nossa carne. O importante é cada qual exercer sua função com humildade, visando o todo, a comunidade.
Bem diferente de alguns apaniguados do poder: a soberba os faz esquecer a comunidade a quem deveriam servir. Deus é quem está à sua direita. E o que vale é locupletar-se. Mateus, primeiro os meus! Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.

Luiz Eduardo Caminha
Distrito de Ratones,
Florianópolis, 27.08.2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Setembro, das flores, primavera, dos amores...

Lá embaixo, bem abaixo deste texto, vai uma poesia deste arremedo de poeta e escritor.

Setembro, mês que o ano todo, como parido em um momento, adentra à primavera, natureza sedenta da hibernação de “seu” inverno, sisudo, mal humorado, cinzento e frio. Seu inverno, sim, porque este à natureza pertence, pois que necessário se faz para que ela recobre as forças da eterna infância de um mundo que se fez velho porque o homem, este ser indócil, irrequieto, indomável e inconsequente, ancião o tornou, por seu agir. Mês que prosa e poesia se enfeitam, entrelaçam em laços que tentam colorir a aquarela da vida. Vida que explode em Outubro, em Francisco, o cantor das criaturas, o poeta maior que fez eco seu bradar pelos irmãos, pequeninos cacos dum prosaico mosaico, o mundo que vivemos. Vivamos Setembro, adentremos Outubro, com espírito renovado - já que o inverno se foi - pela primavera que espreguiça seu sorriso multicores, como se fosse possível tornar belo este disforme mundo multifacetado de misérias que nós, homens, compusemos a sorrir, com o mais absoluto cinismo.

Luiz Eduardo Caminha

Convido-os a visitar o Mural das Letras de Setembro/Outubro onde novos autores lá estão, a desfilar em nosso site Stammtisch Confrarias e Patotas...




Desilusão


Sonho,
Amargurado,
Agruras
Dum dia feliz...
Que não vem.

Sol, chuva,
Noite fria,
Lua nua,
Noite, dia,
Que se vão

Dia, noite,
Noite dia,
Cá espero.

A Felicidade?
Mera quimera,
Castelo d’areia.
Fere-me a alma.
Machuca-me
O coração que anseia
O vazio de sua ausência,
Preencher.

Tempo passa
Ela não vem
Nem a Felicidade,
Nem aquela,
Quem me dera,
Me pudera,
Fazer feliz...

Sorrir,
Quiçá,
Outra vez!!!

Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Distrito de Ratones, 14.09.2009