caminha, caminhando, poetando, vivendo como Deus me permite viver. É assim que vou. É desse jeito que sou. E aqui vão: notícias mensagens, poesias, crônicas, artigos, enfim, tudo que gosto e sou, parte dos caminhos que este caminhante procura seguir. Apenas isto!

sábado, 20 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL!!! oh!oh!oh!

Feliz Natal

Gente, me desculpem, tá? Mas acho uma tolice esta história de copiarmos tudo o que os americanos fazem. Tá certo! Tá certo! O Papai Noel não é invenção deles. Dizem que vem de São Nicolau Taumaturgo, Arcebispo de Mira na Turquia em 280 d.C. Homem de bom coração, costumava ajudar anonimamente as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi declarado santo, pela Igreja Católica, depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. A transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e correu o mundo inteiro.

Até o final do século XIX o Papai Noel era representado por um velhinho de barba branca e roupas marrom (uma bata como as que são usadas pelos bispos e pelo papa até hoje).

É aí que entram os americanos. Foi a Coca-cola que, em 1881, numa campanha publicitária inventou o Papai Noel Vermelho, de gorro com pom-pom branco e tudo mais.
Até aí tudo bem! O velhinho é mesmo simpático e agrada adultos e crianças. Mas aí vem a macaquice: Esse tal de Ho! Ho! Ho! que, em inglês, se escreve com a letra aga (H), mas se pronuncia como um erre (R) vindo da garganta. Pois não é que os macaquitos escrevem em inglês (com H) e ao pronunciar, ao invés de O! O! O! (já que a letra aga, em português não tem som) o fazem imitando os americanos, ou seja Ro! Ro! Ro! Convenhamos, é ridículo!

Mas eu comecei a escrever este texto não para tocar o pau no Papai Noel ou nos macaquitos. Afinal, como já referi, acho o velhinho simpático e, quanto a questão dos macaquitos e macaquices, não adianta espernear. Somos assim mesmo. Brasileiros! Com uma potencialidade enorme para imitar. Sem precisar, é lógico, porque em tudo e por tudo somos melhores que muitos. Bem, deixa isto prá lá.

O meu questionamento é que essa massificação do Papai Noel, fruto de um mercantilismo exagerado e de uma vocação escrava para o consumo, tem feito o homem esquecer o centro das celebrações de Natal. Gente!!! Natal é data cristã, que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Deus que se fez homem, no ventre de uma mulher, para nos trazer a mensagem de Salvação.

Pois é! Eu sei! Tem gente até que vai dizer: Mas o Caminha, hein? Se sair com esta agora? É porque, realmente, os sentimentos trazidos por este ato da bondade de Deus estão sendo jogados prá escanteio. Existem crianças, famílias inteiras, que passam o período natalino sem lembrar do Menino Jesus, da família de Nazaré, sem nem saber o que é um presépio, sem sequer pensar em Deus. Tá lá isto certo?

E a respeito da fraternidade, dos pobres desvalidos, dos excluídos da sociedade? Será que Natal é só presente? É só consumo?

Pois foi pensando neste blá-blá-blá todo que resolvi fazer um poema, este que segue abaixo, sobre o Natal. Tá certo! A motivação também foi a dureza por que passou a gente de Blumenau e região e pela qual, agora, passam cariocas e mineiros. Daí, pode parecer que eu esteja sendo meio chato, casmurro, mas fica a mensagem para reflexão. E, ao fim ao cabo, Blumenau vem mostrando, mais uma vez, a sua inequívoca vocação para a tenacidade, a luta, o re-nascimento, a re-construção.

Que Deus os ilumine e lhes propicie um Santo e Feliz Natal e um Novo Ano cheio de Paz, Saúde e Felicidade. Mas, acima de tudo, que vocês, meus amigos, possam, por pouco que seja, pensar neste menino, Jesus, e em tantos outros meninos que não tiveram a sorte que temos.

Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!!!

Caminha,
Floripa, Ratones, 19.12.2008
- Ah! Aí vai a poesia:



Natal

Eu quis escrever Natal.
Num berço, uma gruta,
Um menino,
Emanuel,
Deus Conosco!

Eu quis fazer Natal!
Na calçada, na rua,
Um maltrapilho,
João, José,
Quem sabe?
O Homem desfigurado.

Eu quis entender Natal.
O homem imagem
Semelhança de Deus,
Ali, cheio de chagas,
Ferido
Ultrajado,
Mais parecia o Jesus da Cruz!

Eu quis pensar Natal,
Não ouso, não posso,
A dor, tristeza,
Não me permite,
A dura realidade,
Não deixa,
Que eu veja,
Deus, nos homens.

Ao lado do homem,
Uma criança,
Um cachorro sarnento,
Um brinquedo quebrado.

Suas mãozinhas afagavam,
Aqueles cabelos desgrenhados,
Sua fome balbuciava,
Papai, quero um pão.

Uma lágrima seca,
Marcava o rosto molhado,
Pela chuva da miséria.
Aí eu soube, compreendi,
Havia um Natal a construir.

Saio da pasmaceira,
Ergo os olhos aos céus,
Atravesso a rua,

Em meio a fogos,
Papais Noéis bordados,
A festa rolava numa casa.

Entro, grito,
Gente! Do outro lado da rua,
Eu vi o menino!
Eu vi Jesus!
Um prato, por favor,
Mesmo que seja de migalhas,
Quero entender o Natal!!!

Quero estender o prato,
Enxugar o pranto,
Dar feições àqueles seres,
Pobres, desvalidos,
Que nada têm.

Em meio à noite,
Madrugada alta,
A chuva, enxurrada,
A terra encharcada,
Treme.
Tudo desmorona.

Em poucos minutos, Tudo é igual,
Ninguém tem nada,
Como o homem,
Como a criança,

A lama, misturava,
Os pedaços de móveis,
Aos retalhos daquelas vidas,
Tudo se foi,
Água abaixo.

Todos, então, compreenderam,
Há um Natal a construir!!!

Luiz Eduardo Caminha,

Floripa, 15.12.2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sessão de autógrafos de meu livro



Sessão de Autógrafos






Querido Amigos,






Com uma ponta de felicidade e prazer comunico e convido-os para a Sessão de Autógrafos que marca o lançamento de meu livvro "Saboreando Crônicas" em Florianópolis.




Além das crônicas, tenho certeza que cada um de vocês vai se deliciar com as receitas incluídas, que eu mesmo fiz questão de testar, já que fazem parte de minhas receitas favoritas.






O evento está marcado para o dia 18.12.2008, Quinta-Feira próxima, a partir das 18:30 horas na Livraria Livros & livros, na Rua Jerônimo Coelho, 215 - Centro.Espero contar com sua presença e agradeço a divulgação.







Contra-capa:




Saboreando Crônicas nasceu cerca de dez anos atrás, fruto de crônicas e contos que vi, ouvi, vivi ou, algumas vezes, imaginei.


Como sempre tive uma intensa atividade sócio-comunitária partilhada com amigos e uma atividade profissional frenética, de 30 anos, que compartilhei, na privacidade de meu consultório, com meus pacientes, os fatos aqui narrados tiveram como nascedouro este fantástico intercâmbio de experiências que fui, pouco a pouco, colocando nos arquivos de meu computador.


A par disto, meu gosto por cozinhar me fez relacionar as crônicas e contos com algum tipo de iguaria. Assim, fatos e pratos foram sempre se misturando em minha mente, como se um sabor me servisse de estímulo cognitivo para um caso.


Daí pra frente, foram inúmeras as crônicas, inúmeros sabores que ouso trazer aos meus potenciais leitores.


É minha terceira incursão na experiência benfazeja de expor em prosa ou em verso, os retalhos de minha vida.Espero que gostem, literalmente falando. Que as crônicas e contos despertem, em todos, o sabor das receitas.

O Autor.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Os cães e gatos abandonados

Prezados Amigos,

Esta crônica é dedicada à uma prima, Eleonora Campos Schlemper Mendonça, bióloga, moradora, como eu, dos Ratones, que além de suas atividades profissionais e domésticas, ainda se dedica à árdua missão de tirar das ruas os animais de estimação (especialmente cachorros) que alguns desavisados, mal intencionados e irresponsáveis "donos" (ou seriam carrascos?) insistem em abandonar em nosso bairro e em outros bairros de Floripa.

Prendam suas cabritas

Nosso matuto tem algumas tiradas filosóficas, baseadas no que observa da vida, que são sensacionais. “Prendam suas cabritas que meu cabrito tá solto” é uma delas. O conselho busca eximir de culpa o filho adolescente, com os hormônios sexuais a mil, que não pode ver um “rabo de saia”, sem que não se enrabiche atrás! Daí, como diz o popular: “criança que faz criança, não é mais criança!”, é muito claro o conselho do matuto aos pais das moçoilas namoradeiras: Cuidem de suas filhas porque meu filho tá solto. Se algo acontecer não tenho culpa.

Assim como não há cantor que faça sucesso sem que haja quem o escute, também não há cantada – por melhor que seja – que termine numa cama sem que haja a conivência de quem é cantada ou cantado.
Também é assim no reino animal. Um cabrito só cobre uma cabrita se esta der o sinal – conivente ou não – de que está no cio. O mesmo se dá com cães, gatos, e todos os outros animais, à exceção dos símios que, neste aspecto, parecem seguir a cartilha sexual do bicho homem: bobeou? Babau!

Fujo deste intróito para adentrar ao pacato vilarejo onde vivo, cá na região norte de Florianópolis, no bairro rural – melhor, distrito - conhecido por Ratones.

Nosso distrito passou a ser desova de filhotes de cachorros, fruto de escapulidas de alguma cadela de raça, ou o destino de cães e gatos cujos donos, por pura irresponsabilidade, resolveram deles dar cabo seja por que a “madame” aborreceu-se com o pobre animal, seja por um casório desfeito, seja pela mudança de uma casa para um apartamento, ou outro motivo qualquer. E creiam, há muitos! Isto sem contar os que são jogados do alto de uma ponte, em um saco qualquer, nos diversos ribeirões que irrigam nossa paradisíaca ilha - um ato covarde e selvagem próprio de ignominiosa deturpação de alguns espécimes de nossa raça humana. O mais comum, dentre tantos, é a desova de filhotes de 2 a 6 meses – coitadinhos! – nascidos de uma cadela de pura raça com um vira-lata qualquer ou com um belo espécime de outra raça que, vendo-a à rua, depois de uma escapadela, acoita-a no cio e, acaba por, digamos, fazer-lhe mal – ou bem, sei lá!!!
Às vezes, a ninhada é um mimo. Outras, uns bichinhos vira-latas não tão jeitosos, embora quando ainda bebês – é assim que se diz? – pareçam todos uns amores.

O que me dá nos nervos é a desfaçatez, a irresponsabilidade, a selvageria - seja lá que nome se dá - destes ex-donos inescrupulosos e irresponsáveis. Não cuidam de seus bichos – ditos de estimação! Pois eu digo: estimação os cambau!!! – e quem paga o pato, além dos filhotes, é uma comunidade que nada tem a ver com estes energúmenos cidadãos de araque.

Inconformados com a traição de sua estimada cadela impõem à sua indesejável ninhada um destino cruel: o abandono – isto se não tiverem alguns filhinhos pudicos que resolvem vê-los crescer, “só prá ver no que vão dar”! Se forem mimosinhos, procuram parentes e amigos para presentear. Se forem feinhos – e muitos o serão – condenam-nos às ruas, à própria sorte, se é que pode se chamar a isto de sorte!. Deveriam ser presos!

Vai daí que ouso sugerir a esta corja de malandros:

1 - se você quer dar fim a um de seus bichos, telefone ou procure as inúmeras associações de proteção a animais abandonados – tem gente na fila esperando para adotar um bicho destes;

2 - se não quiser uma ninhada indesejada, providencie a castração de sua cadela ou bichana;

3 – se ainda assim não for de seu agrado, doe o bichinho para alguém porque você está entre aqueles que não tem a menor capacidade de assumir uma responsabilidade destas. Cuide apenas de seus filhos, que já é muito!

Agora se nada disto servir, siga o conselho do matuto: amarre sua cabrita (ou cadela, ou gata, ou o bicho que o carregue) porque tá cheio de cabrito solto e nós não temos que estar consertando um ato que é fruto de sua omissão.

Nem nós, nem os bichos merecem isto! Tá certo, seu coió?!

Luiz Eduardo Caminha
Floripa, Ratones, 10.11.2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

À Blumenau

Súplica

O choro,
Rangido
De dentes,
Dos entes
Gemidos,
Queridos,
Toldam
A mente,
De horror!

Casas,
Pontes,
Gentes,
Lama,
Dor,
Gritos,
Suspiros
Agônicos,
Tudo é pavor!

E a vida?
Continua?
Como esperar,
Agora,
A esperança?

Ajuda-nos
Senhor!

Tua Criação,
Ferida,
Ultrajada,
Não agüenta mais!

Nós, tampouco!!!


P.S.: Dedico estes versos à gente amiga e valorosa de nossa Blumenau e região, em especial a todos que perderam seus entes queridos, seus pertences e que, apesar de tudo, ainda teimam a teimosa certeza de construir um amanhã!!!

Luiz Eduardo Caminha
01.12.2008

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Blumenau, a ordem é reconstruir

Blumenau, a ordem é reconstruir


As imagens das últimas tragédias dormitavam nos recônditos da mente dos blumenauenses. Lampejos que iam e viam, cada vez mais raramente. As marcas das cheias de 1983 e 84 não passavam de pálidas fotos de arquivos. Da enxurrada do Garcia, que vitimara 21 pessoas em 1990, ficara uma certeza, ainda que incerta: Nada daquilo voltaria a acontecer!

Lembro das campanhas de solidariedade. Pertencíamos, eu e minha esposa, ao Posto da Defesa Civil da Igreja Matriz. Estávamos em plena Oktoberfest. Fomos à Proeb, naquela tarde em que Helmuth Högl chorou emocionado. Inúmeras pessoas, mesmo vivendo o drama, compareceram para comprar um CD da banda cuja renda seria destinada aos atingidos.
O Brasil se solidarizava com envio de gêneros alimentícios, água, roupas, colchões, depósitos em dinheiro. Blumenau responderia, mais tarde, em favor das vítimas de catástrofes semelhantes em Petrópolis e no Nordeste.


Tudo! Tudo isto parecia estar esquecido na face risonha de uma geração de jovens – crianças à época – que, agora, tocam a cidade.
De repente, lembranças sacudidas trazem à baila novas imagens e tensões, outras tristezas, muitas dores. A tragédia voltou! E pior! Muito pior! Blumenau e região são vítimas de novo. Com uma intensidade jamais vista.
Morros pareciam torres de castelos de areia. Ribeirões transformados em caudalosos rios de entulhos, pedaços de móveis, água barrenta de cor escarlate. O sangue da terra misturando-se ao das vítimas dos soterramentos. Não mais um único bairro, mas a cidade, a região inteira sofre a fúria de uma natureza que parece querer vingança. É a maior tragédia da história de Santa Catarina. Os números da catástrofe ampliam-se. Uma calamidade! Os efeitos são inúmeras vezes superiores aos do passado. Para alguns, o Apocalipse começava a sair da letra. O Brasil se solidariza novamente.


Num abrigo a esperança veste-se de criança. De aniversário, sonha uma festinha. Seus pais choram os parentes vitimados. O espectro da morte, foice à mão, ceifa vidas. Parece não haver sobrado pedra sobre pedra. Apesar disso, o povo já pensa o amanhã, a reconstrução. Respira - pois respirar é preciso - a esperança de uma vida nova. Brioso e corajoso povo! Das cinzas, das brumas, fará nova colheita, verá o sol reluzir de novo. Revive-se Jeremias que, apesar das desgraças, mantém sua inabalável fé em Deus na esperança certeza de um futuro melhor.


Não se ouve mais “Hallo Blumenau! Bom dia Brasil! Dezessete dias de folia!”, a música que Helmut Högl celebrizou como um hino da Oktoberfest. No rádio a voz de Ivan Lins: “Começar de novo e contar comigo. Vai valer a pena ter amanhecido”.

A ordem é reconstruir e pelo que conheço dessa gente, isto é uma questão de tempo. Muito pouco tempo! Avante – mais uma vez – Blumenau!

Luiz Eduardo Caminha
27.11.2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Poesia e futebol

Eu estava aqui quieto, em Ratones, Norte da ilha, Floripa. Aí me provocaram. E dá-lhe provocação! Aliás, eu nunca soube direito se os torcedores do Figueira sentem maior prazer em ver seu time vencer ou o meu Avaí perder.
"Bom cabrito não berra! Espera a vez!", diz o ditado. Resolvi esperar! Pois aí está: Avaí na Série A. Eles à beira de descer para a "B". Uma pena! Eu até queria que eles não caíssem (verdade???)!
Logo agora!? Já teríamos 6 pontos garantidos no ano que vem! Não faz mal! Outros pontos virão!

Como me provocaram, aí vai minha resposta! Perdoem-me aqueles que não se imiscuem nestas contendas.


Poesia e futebol

Cá,
Na Ilha da Magia,
Os ecos do silêncio,
Vindos do continente,
Se rompem, ao amanhecer,
Pelo rugido do Leão.

Lá,
No continente,
Aves de mau agouro,
Em crise intestina,
Enchem de excrementos,
Alvi-negros,
A Figueira!

O que ouve?
O que ouvem?

Estão na muda!
Silentes,
Ouvindo o rugido,
Que vem crescendo:

Uh! Avaí!
Uh! Avaí!
Uh Avaí!
Uh! Avaí!

O céu é o limite!
E é Azul e Branco!

Luiz Eduardo Caminha,
Floripa, Ratones, 11.11.2008*

* Na noite em que o meu Avaí Futebol Clube, o Leão da Ilha subiu à Série “A” do Campeonato Brasileiro!
Com três rodadas de antecipação!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

caminha, caminhando, poetando...: Mais um poema

caminha, caminhando, poetando...: Entrega

Mais um poema

Amigos, aí vai mais um de meus poemas. Este nasceu inspirado na obra de Almiro Caldeira de Andrade "Ao encontro da manhã".


ENTREGA

O por do sol
Vive o ocaso,
Noite de mais um dia.

O astro-rei esgueira-se
Poente afora.
Vai aquecer outros lugares.

Cá, a dama da noite,
Assume seu papel
De concubina radiante.

Prateia o ébano.
De suas tranças pendem
Raios de luz inebriantes.

A mata prateia-se num pranto.
A debulhar lágrimas cintilantes.

No céu, estrelas fagulham,
Diamantes em fundo negro.

No mar, a nau solitária
Procura um porto seguro,
Onde o sol possa,
Novamente,
Iniciar a faina,
D’um novo dia.

Àquela noite, na praia se ouvia
Só o mar a respirar...
E os gemidos da guria
Virgem moça a se entregar.

Luiz Eduardo Caminha

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Crônicas dum mané!!!

Crônicas dum mané!

Meus amigos,

Esta crônica surgiu depois que meu amigo João Braz da Silva, de Blumenau, me enviou o seguinte e-mail:


MEUS AMIGOS.

DENTRO DA VELHA MÁXIMA DE QUE “JBS TAMBEM É CULTURA”, ANEXO DADOS INTERESSANTES SOBRE CULINÁRIA, MAIS ESPECIFICAMENTE SOBRE O FAMOSO BACALHAU.

Abraços

Braz


Curiosidades sobre o BACALHAU...

Os peixes que são transformados em bacalhau

São cinco os peixes transformados em bacalhau (veja também Fotografias com os peixes, os respectivos tipos salgados e secos, e as formas de corte.)


O primeiro é o Cod Gadus Morhua, o Bacalhau do Atlântico Norte, o legítimo bacalhau;

A seguir o Saithe, o Ling e o Zarbo, que também são peixes salgados e secos.

O quinto peixe é o Cod Gadus Macrocephalus , o Bacalhau do Pacífico
ou do Alaska.



Portanto, fica claro o seguinte:

"Não existe em todo o mundo um peixe denominado Bacalhau, e sim a forma de sua conservação: peixe salgado !".


Até aqui foi o e-mail de meu amigo Braz!





Inconformado com tamanho assinte cultural e gastronômico resolvi colocar na tela de meu computador, utilizando-me daquela ferramenta chamada WORD, que o Bill nos disponibilizou para substituir o fantástico Fácil (lembram dele? Um editor de texto - o primeiro do Brasil - criado em Blumenau). Pois então tá! Aí vai a crônica para o deleite de quem aprecia uma boa história dos manézinhos da ilha (Floripa, é claro!).


NOTAS PRELIMINARES

1 - Apenas para efeito de compreensão da pronúncia do manézinho, tomei a licença de acentuar as palavras paroxítonas.
2 - Da mesma forma, o manézinho não pronuncia a letra r ao final dos verbos fazendo tônica a última sílaba.
3 – Nas expressões em “manezês” tomei a liberdade de justapor um número para explicar seu significado. Ao fim da crônica acrescentei um pequeno dicionário destas expressões.
4 – Finalmente uma dedicatória: à minha Avó Mimosa, minha mãe Edy, à tia Quita, aos tios Ernani e Zilma, aos primos Bruno e Iracema, à tia Maróca, ao Elsinho e a outros tantos manézinhos citados ou esquecidos, gente com quem aprendi muitas das expressões aqui contidas. Ah! E ao meu amigo Braz, afinal sem seu e-mail esta estória não aconteceria.
O resto foi tentar expressar o jeito de falar dos manézinhos de Floripa. Perdoem-me, portanto, se não estiver de acordo com sua simplicidade, alegria e jeito ligeiro de se expressar.

Bem, agora chega de explicações, embromações, e vamos à crônica, senão vocês enjoam e acabam ficando por aqui.



Tás tolo é?

Ói genti, é u siguinti. Quando eu recibi u i-meiu du mô amigu Braz, lá di Blumenau – ô terrinha di genti galega, não? Parece tudu uns caneco di chopi. Tudu loirinho! – me arrepiô us cabelu. Quase nem acreditei. Pois num é qui essi i-meiu – porqui será que tem essi nomi, hein? Pareci cois di gagu. Purque não é só meiu? Tem qui sê i-meiu? I si fossi intêro? Seria i-intêro? Vai vê qui é purquê num leva selo esta jóça(1)! Mas ô dizia qui essi i-meiu mi dexô maluco. Fiquei doidu. Puto memo! Cheguei até a sortá um palavrão daquelis. Sabi? Aquele qui tem as inicial pqp. To iscrevendo i não possu dizê um palavrão dessi aqui né, ô! Si não num fica nada bem! Vai sê um pegapacapá(2)!

Lá u Braz dizia qui u tal du bacalhau non é bacalhau? Pódi issu? Sabi comé(3) quele si chama? COD GADUS MORHUA! Ô sei. Tu também vaish dizê Códuquê? É issu memo qui tu tá leno(4). COD GADUS MORHUA. Agora ô vô dize u nomi feiu. Ah! Vô memo! Não güento(5) issu. Puta quius pariu!!!! Ô passei a vida intêra cumendu essi bichu i agora u Braz vem mi dizê qui ô non cumi bacalhau, sô! Ô cumi foi essi tal di Cód di não sei quê? Ô nomizinhu impombadu(6), não? Vô até iscrevê ele di novu, cumódi(7) vê si aprendi: COD GADUS MORHUA. Issu é uma sacanagi. Ói, ió, ió! Vai ti cagá sô amarelo!(8) Óia, Braz! Bem qui tu pudia mi deixá vivê u restu di minha vidinha sem sabê dessi ingano. Sô viadinhu!

Mas u Braz non é di menti, co sei. Quandu eli diz é purque é verdade. Eli é daquela turma do Sino-Saimão(9) . I eu acreditu nessa turma.

Pió(10) ô, non é issu! Digerinho, digerinho(11), mi passô pela cabeça quanta gente si inganô cum essi bichinhu. A minha tia Quita purexemplu(12). Lá du Riberão! Tadinha dela! Passô a vida intêra preparando nus dia di festa u tal di bacalhau – é purque bacalhau – ou essa pomboca(13) dessi nomi – só si cumia im dia di festa. I agora? Bateu a caçuleta(14) e morreu inganada. Tadinha. Vô telefoná pru João José, pru Carlinho, pra Lili i prá Gracinha, qui são fios da tia Quita, só pra contá prá elis issu. Comé qui vamu recuperá essi prejuízu?

Ainda bem qui a tia Quita si fartava memo era im cumê(15) cocoroca, canhanha, berbigão i camarão, cum pirão di nailo i arroz, na épuca qui camarão nu Riberão dava di cambulhão(16) . Ah! I tainha, nu invernu com pirão di fejão.

Ô mô pai não tem probrema. Si foi tamém. Qui Deus o tenha, mô quiridu! Mas non gostava di pêxe. Daí saiu nu lucru. Ou vai vê qui nem tantu. Lembru qui eli gostava di fazê um agradinhu a alguns parente. Môs avósh, môs tiush. Passava nu Mercado e comprava uns quilinhu du bichu pra dá di presenti. Ô(17) , pelu menus, nunca di(18) essi bichu prá ninguém, né! Mas qui cumi, cumi. I tamém tô nu prejú. A minha mãe tomém, si istrepô essi tempu todinho.

Mô Deus du céu, mo fio. Só di pensá na muntuêra(19) di genti qui cumeu essa praga inganado. Dá até arrepiu na ispinha. Dijaôje(20), dispois dessa nutíça(21) ô fiquei pensando nu mô tio Ernani. Gostava dum bacalhau quera(22) dincardi(23). Tadinho. Ô mô pombo(24)! Mô quiridu padrinho. Já si foi tamém e non disconfiô qui tava inganado u tempu todu. Tomém tem u siguinti: si eli sabe antes, quandu era vivinho da silva, ia ficá cum cara di cachorro mijando na chuva(25), di tanta vergonha qui passô cunvidandu genti pra cumê u bacalhau da tia Zilma.

I u Bruno? a Iracema? U Tiu Élson? A tia Dalva? O Elsinho tadinho, qui quandu ainda era vivu mi mandô uma caxa intêra di presente?

Até im Blumenau! O Arvaru Bruqi! Qui todu u derradêro du anu faiz um dessi bichu di incardi prá turma do Terça a Todu Vapô, lá du Bela Vista? Será qui todu mundu tá inganado? Aqui im Flonópis nunca ninguém viu fala du tal di Cód não sei quê. Todu mundu pensa qui bacalhau é bacalhau. Qui nem eu, até qui recibi essi i-meiu digraçado(26).

Puta quius pariu, Braz. Tô até cum dô di cabeça. Di tantu pensá. Pópará! Pópará pur aí(27)! Qués sabê? Mofas(28), sô istepô(29) ! Côa pomba na balaia(30) . Ô é qui non vô mais fica ajojado(31) cum issu não. Vás dormi cos bilro na almofada(32) si tavas pensandu em mi incomodá com uma nutíça dessa. Tás tolo é?

Essa coza(33) já passô dus limiti. Di tantu ficá aqui incasquitado(34) acabei me cortandu cum caniveti. Tava dicascando(35) umas ostra e óia u qui deu essi distraimento(36) . Cortei us dedu. I corte cum coza du mar verte uma sangüêra danada. Ainda bem qui a muié, a Seluta, tinha pópatapataio(37) , qui istancô a sangüêra toda. Vi jeitu di tê qui i pru hospitali.

Essa tua istória vai dá qui falá. Cumé cus homi agora vão chamar a periquita quandu não tá bem lavada? Chêru di quê? Era di bacalhau! Agora mi diz. Tu achas qui elis vão dizê qui a periquita da fulana ou da beltrana tá cum chêru di COD GADUS MORHUA? Arrombassi ô! Dessi di langa(38) .

Achu bom é fica puraqui. Tá bom! Tá bom! Si u qui cumi foi essa coza qui tá aí, Deus mi livri i mi guardi. Já minervei(39) ! Võ é mi acarmá qui non possu mistressá. Vô é dá di mamá prá inchada(40) ! Ô sempre pensei qui fossi bacalhau, memo! Prá mim vai sê sempri bacalhau i prontu!

Luiz Eduardo Caminha
Floripa, 26.09.2008


Prumódintendê: (De maneira a entender)

Apenas para efeito de compreensão da pronúncia do manézinho, mantive os acentos nas palavras paroxítonas.
Da mesma forma o manézinho não pronuncia a letra r (erre) ou a letra u final das conjugações verbais fazendo tônica a última sílaba.

1 - Jóça - coisa
2 - Pegapacapá – “pegar para capar”, diz-se de uma coisa que vai causar muita confusão.
3 – Comé – Como é.
4 – Leno – lendo
5 – Guento – agüento.
6 – Impombadu – metido, exibido, pomposo.
7 – Cumódi – de maneira a
8 - Sô amarelo – xingamento que significa: seu fraco, seu doente.
9 – Sino-Saimão - Signo de Salomão. Também Estrela de Davi.
10 – Pió – pior
11 – Digerinho – ligeirinho
12 – Purexemplu – Por exemplo
13 – Pomboca – droga, coisa sem valor, também: lamparina cônica à querosene. Também é usado como nome do órgão genital feminino – o mesmo que pomba.
14 – Bateu a caçuleta – o mesmo que bateu as botas, bateu as canelas – Morreu.
15 - Cumê – comer
16 – Cambulhão – em grande quantidade
17 – Ô – Eu.
18 - Nunca di – nunca dei.
19 – Muntuêra – aos montes, em grande quantidade.
20 - Dijaôje – ainda há pouco, ainda agora, hoje mesmo.
21 - Nutíça – notícia
22 – Quera - forma sincopada de “que era”.
23 – Dincardi – de encardir – diz-se de uma pessoa que é fanática, gosta demais ou aprecia muito alguma coisa “gostava de bacalhau dincardi” = gostava demais de bacalhau ou era fanático por bacalhau. Também é usado para significar algo fantástico.
24 – Mô pombo – o mesmo que mô quirido. Expressões carinhosas que significam “meu querido”.
25 - Cum cara di cachorro mijando na chuva – envergonhado.
26 – Digraçado – desgraçado.
27 – Pópará – Pode parar.
28 – Mofas – esperas, cansas.
29 – Istepô – usualmente é usada para dizer que uma pessoa não vale nada. Quando usada com amigos adquire uma forma carinhosa de tratamento, para significar que a pessoa vive fazendo troça, brincadeiras.
30 - Mofas, côa pomba na balaia – (o mesmo que mofas, com a pomba no balaio) - em meados do século passado, as dietas para doentes costumavam apresentar uma sopa de carne de pombos. Os vendedores de pombos compareciam ao mercado municipal de Florianópolis para vende-los. Usavam um balaio de vime ou balaio caiçara (feito pelos índios carijós e pelos pescadores) para manter os pombos presos. A expressão “mofar côa pomba na balaia” era dita àqueles que não conseguiam vender seus pombos depois de uma manhã inteira de feira. Passou então a ser usada pelos manézinhos para expressar que “uma pessoa pode esperar a vida inteira que aquilo que deseja nunca vai acontecer”.
31 – Ajojado – caído, cabisbaixo.
32 - Dormi cos bilro na almofada – cansar de esperar.
33 – Coza – coisa
34 - Incasquitado – ficar cismado, preocupar-se.
35– Dicascando – descascando.
36 – Distraimento – distração.
37 – pópatapataio – Pó para tapar talho ou corte, nome que o manézinho dava para a “sulfa em pó”, antigamente muito usada em curativos.
38 - Dessi di langa – ganhar uma disputa com grande vantagem, levar a melhor.
39 – minervei – me enervei, fiquei nervoso, me irritei.
40 - Dá di mamá prá inchada – ficar no ócio, na preguiça, sem fazer nada. Diz-se também daquele que é preguiçoso.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A B S O L U T O
Luiz Eduardo Caminha

Há algo,
Por mais que tente,
Entender,
Não consiga.

Algo sublime,
Maior que meu eu,
Acima de mim.

Espaço sem fronteiras,
Unidade sem limites,
Síntese do todo,
Universo sem fim,
Eterna Eternidade.

Há um Alguém,
Absoluto Maior,
Perfeição Maiúscula,
Que não compreendo,
Medroso que sou,
Que busco, admito,
Que sei , existe.

Há um vazio imenso,
Que enche espaços,
Que envolve tudo,
Absolutiza o todo.

Nele,
Deposito meu eu,
Deponho os meus,
Minha fé,
Minhas esperanças.

Há, sim, Alguém,
Que está dentro de mim,
Me ocupa, transporta,
Me envolve.
Alguém que preciso achar!
Está em mim... Eu sei!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

De volta....

Queridos amigos,

após uma breve ausência motivada por uns probleminhas de saúde, aqui estou de novo, caminhando, caminhante, escrevendo, escrevente, poetanto e penitente, pedindo escusas pelo lapso de tempo destas últimas postagens.

As borboletas voltaram

Fazia muito tempo que eu não via voar uma borboleta azul. Daquelas, grandes, com dois círculos pretos nas asas como se fossem olhos a perscrutar o mundo, a natureza por onde passam. Aliás, não apenas as azuis, as amarelas, brancas e até aquelas rajadas, alaranjadas, imitando pele de onça-pintada, tão comuns, também estas, há muito que eu não as via.

Sentado na varanda de minha casa, escutando um ou outro piar de passarinhos nas árvores vizinhas, divertindo-me com o toc-toc insistente de um pica-pau de penacho, no tronco de uma antiga figueira, à cata de minúsculas presas para seu sustento, pousei os olhos no portão distante uns 30 metros. Foi de repente, como se saltasse por cima do muro, qual intrusa suspeita, ela apareceu. Uma borboleta azul. Parecia atender ao meu chamado. Veio batendo asas, saltitante, naquele vôo de sobe e desce, vai para um lado, para outro, como se num jeitoso bailado uma atleta olímpica ou, quem sabe, de uma bailarina do balé Bolshoi. Aquelas, onde fios transparentes as fazem voar pelos palcos, como se asas tivessem.

E veio voando, chegando de mansinho, alegre, faceira como menina moça a desfilar para os olhos cobiçosos de supostos pretendentes. Pousou numa folha de hibiscos amarelos. O verde, o amarelo, o azul, compunham uma aquarela pintada pelas mãos de Deus.

Ficou ali um tempo. As asas num movimento lento, delicado e continuo, de abrir e fechar, como se a ajudassem a equilibrar. É! Fazia muito tempo que meus olhos não brilhavam com imagens assim.

O piar triste de um sabiá branco me acordou do transe. Fazia, também, muito tempo que não ouvia o cantar alegre de um sabiá laranjeira. E os sabias brancos, parecem se negar a dobrar. Ficam só piando. Meus pensamentos pareceram uma provocação. Como a me dar satisfação, o sabiá branco resolveu fazer um dobrado. Cantou uma, dobrou duas vezes, dobrou de novo. Agora sim, menino! Estás cantando alegre, exclamei, em êxtase!

Voltei os olhos à borboleta azul. Lá estava. Descansando. Daqui a pouco partiria para outros vôos, outros olhares, outros lugares.

E foi aí que me veio um pensamento: Porque será que as borboletas sumiram? Não conseguia resposta, por mais que tentasse. Bem que meu jardineiro tentou convencer-me. Para ele, que aprendera tudo da profissão com o velho pai, a culpa era dos sagüís e do progresso. É uma mania que tem o pessoal antigo do interior da ilha. Tudo é culpa dos sagüis. Para eles, estes bichinhos sorrateiros, comem os filhotes dos pássaros, ainda indefesos, nos ninhos. Foram eles que espantaram toda a bicharada, os passarinhos, o macaco-prego, os bugios, as aracuãs, para a densa Mata Atlântica, ainda exuberante, em que pese a mão do homem a desferir-lhe contínuos atentados. “São uns peste, dotô!” Dizia em seu falar ligeiro dos manézinhos.

Por mais que eu tentasse argumentar o contrário, nada o convencia. Argumentei que eles não nasceram ali, foram trazidos, multiplicaram-se e tomaram seu espaço. Só comiam os passarinhos por necessidade de sobrevivência e, mesmo assim, só o faziam nas casas aonde ninguém se dispunha a alimentá-los. Não era o nosso caso. Em nossa casa eu nunca vira ou tivera notícia de um sagüi que tenha investido contra um ninho de passarinho.

De fato, os sagüis chegaram à Florianópolis pelas mãos do próprio bicho homem. Na década de 60 era moda importar, do norte, casais destes pequenos e graciosos símios. Eram dóceis, fáceis de domesticar, engraçados. Aquilo virou febre. Até eu tive um. Machinho, a quem chamava Chico, foi meu pai quem o trouxe de uma viagem à Manaus. Morreu. E sua morte foi tão triste que nunca mais quis ter outro. Contraiu uma gripe, fez uma complicação pulmonar e passou seus últimos dias com uma dificuldade atroz para respirar. Fazia carinha de sofrimento. Penso que até chorou. Morreu em minhas mãos. Agonizando, sofrendo, fazendo caretas de dor. Parecia um ser humano.

Mas eu contava da febre que foram os sagüis. Fruto de sua vida a dois, em casais, começaram a aparecer os filhotes. Era preciso aumentar o espaço. Não sabíamos, os ilhéus, os hábitos familiais desta raça. A fêmea, dona do pedaço, tem os machos a seu serviço, inclusive os procriados. Cada fêmea, oito a nove machos. Não deu mais para segurar. Começaram a soltar os bichinhos, eles ganharam as matas e conquistaram seus espaços. Como são mais domésticos, ganharam o lugar de domínio dos macacos pregos, mais ariscos e lépidos. Os bugios, ao contrário, era só fruto da má fama. Nunca estiveram próximo das casas. Sempre guardaram a devida distância. Muito mais selvagens, só eram vistos em bandos, bem dentro da mata. Às vezes, em alguns lugares, se ouviam seus gritos, bem longe.

Pois daí, a culpar os sagüis pela ausência das borboletas, era apenas uma cisma. Talvez para justificar a sana de alguns que adoravam dar pilotadas nos bichinhos, munidos de funda, ou estilingue, como queiram. Havia mais uma incompatibilidade na história que meu jardineiro contava. Os passarinhos, em muitas casas da ilha, tinham voltado ao convívio das famílias que lhes ofereciam alimentos, dispostos em comedouros colocados nos quintais e jardins. Mas, falava alto a segunda hipótese do jardineiro: o progresso. A chegada do homem, com suas casas, destruindo a mata daqueles cerca de 500 metros que separam os morros da ilha de sua orla marítima ou lacustre.

Isto entretanto, não explicava, de todo, a ausência das borboletas. Afinal, muita mata ainda havia. Porque elas não estavam lá? E se estivessem, porque, volta e meia, não vinham para as casas voando fagueiras?

Já que o jardineiro continuava a argumentar contra os sagüis, fiz uma provocação. Chamei sua atenção para a constante presença destes bichinhos nos fundos de nosso quintal. “Sim, o dotô i sua muié vivi dandu comida pra elis!”, foi sua resposta em franco manezês. Foi aí que apontei para a borboleta azul. Ele se espantou . Correu a me explicar que estes bichos traziam sorte para a casa que visitavam. Palavras de seu velho e experiente pai. Alguma coisa de bom, que iria trazer muita alegria deveria, segundo ele, acontecer.

Era fim de tarde. Um bando de gralhas voltava de sua jornada diária fazendo aquela algazarra. A borboleta azul alçou vôo e se foi. Visitar outros lugares. Levar sorte para outras casas. Graciosa, saltitando no ar, tal qual chegara.

Naquela noite pensei muito sobre o que meu jardineiro havia falado. Dia seguinte, acordei bem cedo. Uma raridade para um ser notívago como eu. Algo, no entanto, me chamava a acordar. O sol estava ainda a se espreguiçar. Seus raios matinais pareciam plêiades de braços tentando agarrar as árvores. O céu azul límpido prometia um lindo dia. Um bando de andorinhas sobrevoava o telhado alto do quarto de minha filha. E foi aí que vi. Muitas. Dezenas de borboletas amarelas e brancas. Daquelas pequenas que vivem em bandos. Sobrevoavam elegantes as folhagens baixas do jardim. Em Ratones, pensei, as borboletas são madrugadeiras. Estão aí! Será? Será que sou eu quem tem perdido a oportunidade de vê-las todas as manhãs?

Canários, rolinhas, tico-ticos, ferreirinhas e bico-de-lacres partilhavam, num gorjear contínuo, os comedouros. Um bando de tirivas passou ao alto, enchendo o ar com o som de seu palrar. O toc-toc frenético do pica-pau continuava. Até meus ocasionais visitantes, um casal de papagaios, se fez presente neste dia. A natureza parecia em festa. Fiquei feliz. Fazia tempo que não me sentia tão alegre. Aí pensei: seria a tal sorte, trazida pela borboleta azul? E o sumiço das borboletas?

Nem sei! Sei apenas que voltaram. Prenúncio, quem sabe, da primavera. Bem, os sagüis? Continuam por lá, serelepes e faceiros. Como toda a bicharada.

Luiz Eduardo Caminha,

Ratones, Florianópolis, 20.09.2008

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O dinheiro sobra? Mas a fome mata

O paradoxo da vida em Marte e da fome no mundo...

O 2º. Semestre de 2008 vem tarazendo, em seu bojo, notícias paradoxais e inacreditáveis. As bravatas de Chávez e Morales; a absurda intromissão dos arapongas da Abin, numa negação ao estado de direito; a cara-de-pau destes espiões orwellianos bisbilhotando a maior autoridade do Poder Judiciário; o atentado eleitoral das milícias cariocas, a infindável crise do mercado americano, etecetera. Neste compasso, uma notícia chama-nos à reflexão: a NASA anunciou a possibilidade de ter havido vida em Marte, num passado distante. Foi um "frisson". Ovação geral! Aplausos! Era preciso descobrir, ao menos, uma bactéria, umazinha que fosse para justificar a prosaica missão.

Não quero ir contra os avanços da ciência. Sei muito bem a contribuição trazida pelos projetos espaciais às conquistas tecnológicas. Estaria sendo uma besta se não admitisse a evolução da comunicação entre os povos, da velocidade e transparência nas informações – excluído o lixo – que nos permitiu a internet, o progresso nos transportes, na educação – fora do Brasil, é claro – os avanços na saúde, enfim a evolução dos últimos tempos nas mais diversas áreas da atividade humana.

Entretanto, a missão da Sonda Phoenix traduz uma aberração sem princípios, sem nexo. A simples possibilidade de vida primitiva – uma simples bactéria – no Planeta Vermelho, ampliou a missão por mais 3 semanas ao custo de US$ 2 milhões. O Projeto todo já custou US$420 milhões de dólares. Às custas desta fantástica descoberta, 31 cientistas apresentaram à NASA – que se entusiamou – um planejamento da ordem de US$ 16 bilhões – isto mesmo 16 bilhões – de dólares para a continuidade das explorações do vizinho planeta. O que temos a ver com isto? Vejamos!

Cerca de 820 milhões de pessoas – seres humanos e portanto, vida plena e organizada – vivem o flagelo da fome. Destes, estima-se que 100 milhões, apenas este ano, não escaparão da morte por desnutrição ou outras doenças cuja origem é a falta de comida. O Projeto Phoenix concederia a estes seres humanos, nada menos que alimento suficiente por 15 dias. É pouco? Sim, muito pouco! Serviria, ao menos,para morrerem fartos. Mas se tomarmos todo o dinheiro necessário para realizar o sonho daqueles 31 cientistas veremos outro número. Os recursos afastariam este risco por 8 meses. Mas, o pior vem agora. Os Estados Unidos da América já gastaram U$ 500 bilhões com a imbecilidade da guerra do Iraque. Este montante tiraria do risco de morte esta vida organizada e faminta do planeta Terra por 16,5 anos. Juntos, apenas esses dois paradoxos salvariam cerca de 1,7 milhões de pessoas.

Quer mais? O aumento do custo dos alimentos no mundo faria o mesmo. Ou seja, concederia mais 16,5 anos a estes seres.

Talvez esta seja uma perversa forma de controle populacional, mas que é um paradoxo, lá isto é? 1,7 milhões de pessoas mortas para se provar (ou não) a existência de uma bactéria em Marte. Ou 1,7 milhões de pessoas em troco do lucro gerado pelo aumento dos alimentos no planeta Terra. Não é de mudar de planeta?

P.S.: No momento em que fazia esta reflexão, a FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - anuncia que não são mais 820 milhões de famintos no mundo. Este número passou para 927 milhões.

"E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher Ele os criou" (Gênesis,1 27)

Farrinha

O Brasil não escapa dos gastos paradoxais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES - financia US$650 milhões para Ferrovias na Bolívia e Colômbia. Na Argentina, Chile, Equador, Paraguai, Venezuela e República Dominicana, o dinheiro brasileiro também financia obras num valor total de US$ 1,3 bilhão. Destes, US$ 954 milhões já foram liberados até março. O BNDES também financiará duas moderníssimas rodovias que cruzarão a Bolívia em direção ao Oceano Pacífico. Enquanto bolivianos transitam em boas rodovias financiadas pelo dinheiro brasileiro, trens se locomovem às custas deste dinheiro na Bolívia e Colômbia, nós, o zé povinho divide espaço entre rodovias esburacadas, ferrovias inexistentes e uma possibilidade cada vez maior de crise no abastecimento de gás.

domingo, 14 de setembro de 2008

Ensaio sobre a Criação

Amigos,

Assim que comecei a escrever este texto, eu pensei fazê-lo uma poesia. Depois virou Ensaio. E aí está, entre ganchos e garranchos, aos trancos e barrancos, este texto-poema, um pouco angústia, do que sinto, senti, ou fui sentindo, na medida em que os versos-semi-versos escapuliam de minha mente e declinavam, como a torrente das cascatas, pela ponta de meus dedos, no teclado de meu computador. Eles não têm nada de rima, de métrica, nem tampouco de estética. Neles, a métrica, a rima, a estética que me valeram foram aquelas que a própria Criação faz perceber, seja em nossas mentes, seja em nosso olhar.

Eu os dedico à escritora e poeta Lígia Leivas, não somente porque está assumindo este desafio de presidir a Academia Sulbrasileira de Letras, mas sobretudo, por sua incontida e incansável luta em defesa do Meio-Ambiente, da Criação!!!

ENSAIOS SOBRE A CRIAÇÃO
Luiz Eduardo Caminha


ENSAIO 1

“No princípio eram as trevas. A Terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam os abismos” (Gênesis 1, 1-2)

... E Deus se fez poeta e se pôs a pensar e agir!


No céu, os luzeiros,
Estrelas cintilantes,
Para pontilhar,
Como contas de diamantes,
O ébano manto de brigadeiro.

O Sol, calidamente,
Fará suas jornadas,
Para aquecer,
Com fagulhas doiradas,
Os seres caminhantes.

Águas para saciar a sede,
Sejam criadas,
Para vingar a criação,
Animais terrenos, das águas,
Toda a Terra, todo o verde.

O ar, de límpido azul,
Imaculado,
Píncaros, montanhas,
Florestas, mananciais.

Nas matas, o som da bicharada,
O canto dos pássaros,
Lembrarão uma sinfonia,
De anjos celestiais.

E pensou Deus: O berço,
Onde deitarei o ápice da Criação,
Está pronto. Falta preenchê-lo!!!
Falta-lhe minha obra prima,
O sumo fruto de minhas mãos,
Escultura de meus sentimentos,
Minha imagem e semelhança,
Reflexo de meu ser.

Formosa obra que guarde,
Na razão,
A fonte do equilíbrio,
Um ser tão perfeito
Quanto Eu que o crio.

E faço deitar neste berço,
A síntese de minha obra,
Um menino, um homem,
Minha Imagem,
Minha semelhança!!!

A Criação está pronta,
Deixemos que o Homem a cuide,
Zele por ela e... dela usufrua!!!


“...Tendo Deus terminado a obra que tinha feito, descansou de seu trabalho”.” (Gênesis 2, 2).


ENSAIO 2

“...e Deus viu que tudo isto era bom... Deus criou o homem, à sua imagem. Imagem de Deus o criou. Homem e mulher os criou” (Gênesis 1, 25; 27)

...Será que Deus se enganou?

Sou
A antítese do paradoxo
A lógica do irracional.
A água que passa o moinho,
E a gota que se fez oceano.
A corporificação do etéreo,
O éter da matéria,
E o pouco, quase nada,
Que sobra de concreto,
No abstrato.

O resultado adolescente da marginalidade
E a esperança do menino travesso.
A paz alvissareira da guerra
E o pipocar sanguinário da metralha.
Sou ensejo,desejo, inveja,
Do ódio dos amargurados.
Sou a luz numa caverna
E a solidão do ébano,
Nas noites sem luar.

Sou,
O início do fim,
E o epílogo do começo.
Sou,
O erro da bala perdida,
O alvo certo do tiro errado,

Eu sou produto desta sociedade,
Que prefere o sangue
Fora das veias, nas calçadas,
As ruas tingidas
De feridas pútridas,
A carniça fétida,
Que o abutre abandonou.

Eu sou o reflexo
De uma humanidade
Pérola prima do Pai eterno,
Riscada, toldada,
Amassada, pisoteada,
Desfigurada, desalmada.

Eu sou o Homem,
O bicho homem,
Criatura errática,
O erro
Que contrasta o belo,
A magnífica Criação.

Aliás, talvez eu seja,
O engano do Criador!!!


ENSAIO 3

“Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno? Eu vos envio profetas, sábios e doutores. Matareis e crucificareis uns e açoitareis outros... Em verdade vos digo: todos estes crimes pesam sobre esta raça” (Mateus 23, 33-36)

E Deus falou ao homem,..
Por sábios e profetas,
Tentou, em vão,
Corrigir seu rumo,
Aprumar-lhe a mente,
Fazê-lo recompor a Criação,
Da qual lhe confiara ser,
O Senhor

.... E o homem prosseguiu,
Sua errática caminhada,
Trilhando veredas de incertezas,
Descaminhos da sedução,
Sendas da cobiça,
Da inveja, ganância,
Da perdição!!!


ENSAIO 4

“E o Anjo Gabriel disse a Maria: o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lucas 1,35)

E Deus perdoou..
Não! Eu não posso deixar
Minha obra abandonada.
Salvá-los-ei,
Uma, duas,
Mais uma vez,
A última por certo:
Enviarei Meu Filho!!!

...E veio o Filho!
Que sequer ousou,
Tirar um único traço da Lei,...

E ensinou:
O caminho da volta é um só!
AMOR! Amar o Pai,
O Criador,
Amar o próximo,
A Criação...


ENSAIO 5

“Deus, o Senhor, viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos do seu coração estavam continuamente voltados para o mal” (Gênesis 6,5)

E o Homem O matou!!! ... E maculou a Criação!

Não parou aí!
Agora se dispõe,
Matar a Criação.

Irmãos, animais,
Florestas,
Mares e águas,
Planeta Terra, Gaia,
Uni-vos, todos!

Ele está aí.
A todo tempo!
O tempo todo!
E quer matar,
Destruir,
Queimar,
Dilapidar,
Poluir,
Assombrar!!!


ENSAIO FINAL

“Porque a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir” (Lucas 12, 48)

E continua ensandecido,
Nesta cruzada insana,
Matando, ultrajando,
Humilhando,
Plantando guerras,
DESAMOR!!!
Destruindo a Criação!
Opondo-se ao CRIADOR!

Até quando, oh! Senhor!
Até onde irá o homem
Para merecer,
De novo, Teu perdão?
Até o apocalipse?
Holocausto do planeta?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

MENSAGEM

Salvem o Planeta
por Luiz Eduardo Caminha

No livro do Gênesis, após concluída a Criação, salta aos olhos uma missão e um compromisso sério para o homem e a raça humana: “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E Deus disse: Eu vos dou todas as ervas que dão sementes e que estão sobre toda a superfície da terra; e todas as árvores, que dão fruto e que dão sementes: isto será vosso alimento” (Gênesis 1, 28-29). Esta era a missão.

Há, entretanto, um detalhe que precede a criação do próprio homem: “E Deus viu que tudo isto era bom” (Gênesis 1, 25). Este era o compromisso.

Ao conferir esta missão ao homem, Deus propiciou-lhe um lugar onde emanava leite e mel, um éden, um paraíso, como se estivesse a preparar um ambiente perfeito, equilibrado, para assentar a obra máxima de sua criação, feita à sua imagem e semelhança, o homem.

Mas o compromisso era um recado direto, objetivo: tudo isto, toda a terra eu criei para o vosso deleite, para o vosso sustento, para vossa sobrevivência. É preciso, pois, conservá-la, para que continue dando fruto, para que o equilíbrio seja completo, para que isto continue sendo bom.

O Homem, entretanto, nada entendeu e, desde os remotos tempos jamais se preocupou com o compromisso que estava embutido naquele mandado. Egoísta, prepotente, arrogante, se adonou de tudo sem medir qualquer conseqüência sobre os danos que viesse a causar àquele Paraíso criado. Foi em frente nas suas atrocidades. Caçou por caçar, matou para se divertir, rasgou o ventre da terra mãe para expor-lhe as entranhas, como se isto nunca pudesse chegar a um fim que prejudicasse a si próprio. E a sensação era esta mesma! A Terra era tão soberba que seus recursos pareciam infindáveis, inesgotáveis.

E o homem não parou! Foram inúmeros os avisos, notadamente depois da revolução industrial: as riquezas deste planeta não são infinitas. Mas o soberbo animal, na sua quase irracionalidade, continuou seu caminho de destruição, seu rastro de insanidade como se quisesse vingar-se daquele legado.

Hoje, em pleno nascedouro de um novo século, a Terra começa a esboçar seus sinais de cansaço, de esgotamento. O aviso é outro, muito mais contundente, sinistro: a Terra está morrendo!

Será que haverá ainda como reverter? Pergunta-se uma parte da humanidade estupefata com tamanha destruição. Efeito estufa, buracos negros, queimadas, poluição das fontes de água doce, emissão estarrecedora de gás carbônico, destruição das matas e de todo o seu sistema ecológico, espécies que desaparecem, pela ação nefasta do homem e pela ganância da sociedade. O resultado disto tudo é óbvio: as mudanças climáticas, os fenômenos naturais, verdadeiras hecatombes, jamais vistos com tal intensidade e freqüência, poluição, seca, geleiras, outrora perenes, que se derretem para não mais voltar e outros que tais.

É preciso fazer algo. Urge que se faça! A mãe terra não pode esperar mais. Não agüenta mais, sozinha, os golpes que lhe desferem. A Terra está sangrando e precisa da solidariedade dos homens, daqueles com consciência, que possam unir-se pelas mãos, pela voz, pelos atos e partirem para uma grande e imemorial batalha – talvez a última. Estandarte na mão, vamos à guerra! Não uma guerra de armas. Uma guerra onde a Paz, acima de tudo, seja a principal bandeira e a Esperança o nosso cajado.

Forças começam a se mexer. Discuta com seus amigos. Passe e-mails. Mande mensagens e... corra para a Praça, para as ruas de sua cidade e comece pelo mais humildes dos gestos: Peça perdão a Mãe Terra! Peça perdão ao Criador pelo mal que fizemos à toda a Criação.

Eu, você, somos apenas uma gotinha neste oceano todo de destruição. Neste incêndio feroz a que submeteram a natureza. Mas somos, cada um, uma gota. Como dizia Tereza de Calcutá “Sim, eu sou uma gota no oceano, mas ele seria menor sem mim”. Esta batalha não tem credo, raça, não tem ricos ou pobres. É a batalha da humanidade.

Revigoremos o mandado do Criador e salvemos o berço das criaturas. Sem ele, ou com ele destruído, não sobreviveremos!!!

Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!

Luiz Eduardo Caminha.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ENSAIOS 2...

Queridos amigos e irmãos,

aí vai mais um de meus ensaios dando continuidade àquilo que propús no anterior. Talvez alguns encarem como uma provocação, afinal, da maneira como vão as coisas, está cada vez mais fácil admitir que o bicho homem tem feito de tudo para se desfigurar perante Deus e perante seus semelhantes.

Que Deus os abençoe sempre,

Caminha

O SOPRO DA DIFERENÇA
Por Luiz Eduardo Caminha

Continuo a falar sobre o problema das nuances lingüísticas, especialmente da dificuldade que têm as traduções de serem fiéis quando o termo ou a expressão a ser traduzida traz em sua essência um sentimento. Já me referi ao intraduzível “saudade”, de nossa língua, sem similar em outra qualquer. Em outro exemplo citei a tradução da passagem bíblica em que Jesus Cristo cobra de Pedro uma profissão de amor. leia aqui

Quero propor, agora, uma discussão sobre o termo ALMA que, a meu ver, é paupérrimo ao tentar propor o seu verdadeiro significado. ALMA vem do latim “anima”, que quer dizer “vida animada”. Mas o que vem a ser isto? O termo vem dos antigos escritos bíblicos, mais precisamente do Gênesis, quando descreve a criação do homem: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, do barro, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2,7).

Aqui aparece um componente que enriquece a origem do vocábulo que o nosso português traduz por alma. Mais uma vez, o esforço do tradutor acabou por não expressar a essência do termo. Na versão grega da Bíblia – que precede a vulgata latina – há uma confusão ao se tentar tornar claro o gesto do Criador: “o sopro, o fôlego da vida”. Os gregos já faziam uma distinção entre o corpo e a “psique”, o “ser psíquico”, que dominava o corpo, a “id” ou a mente. Ao tentar “cristianizar” a expressão o tradutor da vulgata utilizou-se do vocábulo “anima” (latino) que expressava uma diferenciação do homem (um animal animado) dos outros animais (inanimados).

Quanto rolo, não? Talvez fosse o momento de fazermos um parêntese para vermos aonde estamos pisando.

Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se sobretudo da língua grega. Foi nesta língua que todo o Novo Testamento foi redigido, incluindo a Carta aos Romanos de São Paulo, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes.

No século IV a Igreja já está consolidada em Roma e em todo o Império Romano e é então que São Jerônimo traduz, pelo menos, o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina. A Vulgata, originária deste trabalho, foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras.

Foi a primeira - e por séculos a única - versão da Bíblia para o latim e apresentou o Velho Testamento traduzido diretamente do hebraico, mas não sem deixar alguns vícios lingüísticos da tradução grega conhecida como Septuaginta.

A pedido do Papa Dâmaso I, São Jerônimo teve a liberdade de adaptar o texto ao latim vulgar e retirou do conjunto os livros considerados apócrifos. A esta versão deu-se o nome de Vulgata que foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções. Com o Concílio Vaticano II foi procedida uma revisão geral da Vulgata e o resultado disto foi a Nova Vulgata que serve de base para as bíblias modernas.

Feito este parêntese, voltemos ao âmago deste artigo.

Fica patente, na versão grega – traduzida do hebraico – o sentido daquele “sopro” que transformou o homem em ser vivente. Melhor dizendo: o homem, um dos animais da Criação, só se diferencia dos outros e é feito imagem e semelhança de Deus, no exato momento em que o próprio Criador sopra-lhe – pelas narinas – aquilo que viria a diferenciá-lo, torná-lo impar: a vida de Deus inserida num animal, no homem, em nós. É aí que somos “animados” como seres viventes, seres que possuem, dentro de si, a essência divina.

É isto também que nos torna “irmãos” porque todos, sem exceção, recebem este “componente genético” - o gen do Criador - se é que assim posso comparar.
É isto que nos torna únicos: este GEN que recebemos diretamente de Deus. Este é o sopro da diferença. Algo só concedido a nós como DOM GRATUITO de Deus. Portanto, não se trata de diferenciar o racional (nós, seres humanos) do irracional (os animais e vegetais). Até porque, não poucas vezes, somos nós os irracionais.

Agora, então, cabe-nos questionar: Quando invejamos, desejamos mal a um outro ser, atentamos contra a natureza, promovemos a violência, quando disputamos espaços e calcamos os outros como se fossem trampolins para nossas vaidades, nossas cobiças, nossas vantagens, nossos egoísmos, estamos sendo “diferentes”? Estamos sendo expressão da imagem que herdamos de Deus? Seguramente que não!

Ora, Deus é bondade, é Amor, é Equilíbrio, é Justiça, é Paz. Só quando trilhamos estes caminhos, estamos impondo aos outros esta diferença. Estamos sendo sua imagem. Sua semelhança. E, sem dúvida, o foco desta nossa maneira de ser é o próximo, o que convive conosco, primeiro na nossa família, depois entre os parentes, os amigos, a comunidade, o mundo que nos rodeia, inclusive a natureza, sim, porque não? Ela é a expressão de toda a obra, da qual somos os seres privilegiados, diferenciados.

Sempre que atentarmos contra um destes vetores estamos desfigurando a IMAGEM DE DEUS EM NÓS! A ALMA, como quer o português. Pior, estamos nos equiparando aos outros tantos animais que, embora obra do Criador, não receberam por parte d’Ele a atenção que nos foi concedida naquele “sopro da diferença”. E quanto não custou a Deus incluir na Criação esta criatura que somos nós? Difícil avaliar? Talvez não. Valeu a vida de Jesus Cristo, o Filho único de Deus. Será que alguém estaria disposto a entregar a vida de algum de seus filhos, mesmo que não o único, por qualquer ser humano? Pois é o que valemos. Apenas porque Deus nos escolheu para sermos a sua imagem e semelhança na Criação. É pouco? Talvez, para uns, não passe de um sopro!

Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!

Luiz Eduardo Caminha

domingo, 24 de agosto de 2008

ENSAIOS

Prezados Amigos,

Desculpando minha ousadia, começo hoje um novo quadro deste Blog, onde pretendo colocar alguns de meus ensaios, resultado de estudos e elucubrações que passam em minha mente enquanto, orando, reflito... e daí, ponho tudo escritinho no papel.

Que Deus abençoe a todos.

Caminha


PROFISSÃO DE AMOR
Por Luiz Eduardo Caminha

Embora seja uma das línguas consideradas ricas em vocabulário o português passa dificuldade em expressar certos termos ou situações que a língua mãe, o latim, contém. É conhecido nosso intraduzível “saudade” e, talvez esteja neste vocábulo algo o mais próximo possível do que pretendo dizer. No vocábulo saudade está embutido um sentimento inerente ao estado de ser do agente que o vive (ou interpreta). As línguas oriundas dos povos bárbaros, entre elas o alemão e o inglês e outras nórdicas, não conseguem, por mais que tentem, exprimir sentimentos mais significativos que o próprio vocábulo. O uso do verbo “to miss” no inglês (sentir falta) não retrata, nem de longe, o conteúdo sentimental do vocábulo em questão. Quando o inglês fala “I miss you” está apenas e tão secamente dizendo “eu senti falta de você, da sua presença”. Ora sentir falta da presença de alguém, convenhamos, não é o mesmo que dizermos “eu senti saudades de você” ou mesmo, quando em qualquer referência à pessoa, tempo ou lugar, apenas balbuciamos com o coração próximo à boca: “que saudade”!

Os germânicos vão um pouco além na ânsia de exprimir este sentimento. Usam quase sempre uma palavra para cada situação, como é o caso de Heimweh para representar a “saudade” de casa ou da pátria. Na verdade Heimweh seria o equivalente ao nosso “banzo”, uma espécie de melancolia muito presente entre os negros africanos – até morriam disto – que sentiam saudades de sua tribo, sua nação, a África.

Fiz este preâmbulo para voltar a afirmar: comparada ao latim e ao grego, o português, em muitos casos deixa a desejar. Isto fica patente quando tentamos traduzir textos originalmente escritos nestas línguas que compõe um número significativo dos termos que utilizamos.

Por exemplo: na versão grega da Bíblia – a mais próxima do hebraico – quando ocorre a passagem em que Jesus Cristo reclama a confirmação do amor de Simão Pedro (João 21, 15-19), podemos ver a sutil diferença da pedagogia do Mestre. Na versão para o português, Cristo faz a mesma pergunta por 3 vezes: “Simão, filho de João, amas-me mais que estes?” Pedro responde, por duas vezes: “Sim Senhor tu sabes que te amo”. A cada resposta Cristo mostrava a missão que confiaria a Pedro: Apascenta as minhas ovelhas. Ao deparar-se com a insistente pergunta, pela 3ª. vez, a versão portuguesa mostra uma certa tristeza em Pedro e, desta vez, Simão Pedro lhe diz: “Senhor tu sabes tudo. Sabes também que te amo”. Mas aí trago à reflexão o que o texto hebraico nos reporta: Na verdade, nas duas primeiras vezes em que Jesus faz a pergunta o texto não tem nada a acrescentar.
As traduções expressam o mesmo sentido, são fiéis ao enunciado. Entretanto as duas primeiras respostas de Pedro é que foram traduzidas erroneamente. Pedro responde a Jesus com um vocábulo que não tem, em hipótese alguma, o significado do sentimento que quer o Mestre. Pedro apenas diz: “Senhor, tu sabes que eu gosto de ti”. Repararam na enorme diferença?

Cristo passou pregando o AMOR entre os homens como um mandamento tão poderoso como O AMOR A DEUS e, exige de Pedro a amplitude deste amor. Pedro, um homem rude, não capta esta sutileza. Só vem a percebê-la quando o Mestre inverte a pergunta, o que também não foi obedecido no texto grego e português.

Pergunta o Cristo, nesta 3ª. vez: Simão, filho de João, tu gostas de mim mais que estes outros”. Aí é que Pedro percebe a troca do verbo que concede à questão um sentimento muito mais amplo. Era como se Cristo apenas quisesse saber se Pedro gostava do Mestre como se gosta de um parente, de uma outra pessoa qualquer. Por isto ele se entristece.

Não é muito difícil entender porque a tradição quis ligar esta tripla profissão com a tríplice negação. Nem é de todo impossível perceber que Pedro tenha se lembrado do episódio em que negara o Mestre. Triste, por ser tardo em compreender ele corrige-se em tempo: “Senhor, tu tudo sabes. E sabes que eu te amo”.

É esta a resposta que a pedagogia do Mestre quer: AMOR, mais que tudo. Não o amor carnal, erótico. O AMOR de quem é capaz de trocar sua vida pela de um semelhante, exemplo que o Mestre acabara de dar na sua morte de Cruz.

Quando pois estivermos a refletir sobre a nossa condição humana e a outra que nos faz filhos diletos por quem o Pai Celeste, por AMOR a todas as criaturas, entregou seu próprio Filho é preciso que respondamos: Qual o sentimento que nutrimos por Deus, por Jesus Cristo? Apenas os admitimos e até temos uma grande admiração? Ou somos daqueles que “gostamos” deles? Quem sabe nós somos aqueles que dizem – bem alto ou baixinho – “eu os AMO”.

Qualquer que seja a resposta é bom saber que há uma outra lição que nos foi deixada pelo Mestre, além de seu ato de extremo AMOR por nós: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1ª. Carta de João 4,20).

São estas pequenas sutilezas linguísticas e das traduções que mudam a essência de toda a mensagem. Também assim o é quando tratamos do termo alma (do latim “anima”). Bem, mas disto eu falo na próxima...

Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!

Luiz Eduardo Caminha

domingo, 17 de agosto de 2008

A Chave de Ouro

Pode parecer, meus amigos, que esteja um pouquinho longa. Quase duas laudas. É muito? Mas foi o espaço mínimo que consegui para resumir tudo - ou quase tudo - do que penso ser a presença de Deus em cada um de nós. Espero que gostem e postem seus comentáris. Se não gostarem, sem problemas, podem também postar sua crítica.

Que Deus abençoe a todos.

A Chave de Ouro

O Livro Sagrado ao descrever a criação do homem o faz desta forma : “E então Deus criou o homem, a sua imagem e semelhança, homem e mulher os criou, à imagem de Deus os criou”.
Ao tentarmos enveredar pelos magníficos campos que a interpretação pode dar a este momento impar da Criação, uma coisa fica clara: o homem foi criado para viver em plenitude, semelhantemente a seu Criador.
Deus é pleno, é harmonia, amor, equilíbrio, infinito, o bem. Por mais que tentemos, não existem palavra,s em dicionário algum, em qualquer língua, que consiga expressar a concepção de Deus. Nossa mente não consegue dimensionar este ser. Talvez a melhor expressão para definir Deus seja “Deus é tudo e o todo”. O homem é finito e não consegue mensurar o infinito, o absoluto. Entretanto, isto tem pouca importância. O que importa mesmo é sabermos a essência do porquê e para o que fomos criados. Ora, se fomos criados à imagem e semelhança de um ser pleno foi para isto que fomos criados.
Na verdade, este desejo, esta vontade do Criador, está impregnada em nós mesmos. Como uma sementinha esperando o momento de desabrochar, dentro de nós, a árvore que dá sentido à vida. Como uma marca, uma assinatura que o artista faz ao terminar sua obra. Dentro de cada um de nós há uma espécie de memória, um pequeno “chip” que tem armazenado esta noção do absoluto, de Deus. Uma matriz situada em alguma gaveta do subconsciente, onde está impresso que fomos criados para o bem, para a felicidade, para vivermos em paz, em harmonia, em equilíbrio, no amor.
O que precisamos, e aí está o grande segredo de quem consegue, é descobrirmos o nosso programa, o “software” que abre este “chip”, libera esta matriz e nos põe as condições para buscarmos estes paradigmas.
O próprio Jesus Cristo, quando esteve em nosso meio apontou este programa, nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de São Mateus - que nos reportam a uma síntese de todos os ensinamentos do Mestre. O Sermão da Montanha.
Faça uma experiência. Pegue a sua Bíblia, o seu Novo Testamento e procure ler pausadamente, refletindo, meditando sobre cada versículo. Faça isto com sua família. Você vai ter uma agradável surpresa. Só para lembrar Evangelho de São Mateus, capítulos 5 , 6 e 7.
Neste sermão Cristo dá a receita para começarmos a busca por uma vida feliz. Falando a seus seguidores Jesus pergunta ; “Qual dos mandamentos vos parece ser o maior? Um dos presentes respondeu “O maior dos mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas” Mas há um segundo mandamento, disse Jesus, que é tão grande como este “Ama o próximo como se fosse a ti mesmo” e segue, entre tantos ensinamentos, dizendo. “Eu não vim para tirar um jota ou um traço da lei . Eu só vim para subrogá-la”. Há que se dizer, a letra jota é a menor do alfabeto hebraico, a língua do povo escolhido por Deus, os hebreus, para quem o Mestre ensinava.
Mas, é no versículo 12, do capítulo 7, que Cristo revela o segredo, Chave de Ouro, que abrirá aquela gaveta do subconsciente e liberará a matriz que nos faz “imagem e semelhança de Deus” – “Tudo o que desejares que os homens vos façam, fazei-o vós primeiro a eles”.
Ora todos queremos, para nós próprios, coisas boas. Pois façamos para os outros coisas que sejam boas. Todos querem ser amados. Pois esqueçamos o ódio, a mágoa, o rancor. Amemos primeiro os outros, que são nossos irmãos nesta Criação. Todos queremos o bem. Pois façamos primeiro, para os outros, o bem. Todos queremos a paz. Pois sejamos apóstolos da paz. Gostamos da gratidão de nossos filhos de nossos amigos, das pessoas. Pois sejamos gratos por nossos filhos, nossos amigos. Saibamos ser gratos às pessoas que nos rodeiam. Todos apreciam um afago, um carinho, um abraço, um sorriso. Pois vamos, primeiro, ser ternos, afáveis, distribuir os braços a todos que precisam de abraços. Não sejamos amargos. Sejamos os primeiros a sorrir para os outros, para a vida. Muitas e muitas vezes precisamos de um ombro amigo. Pois estejam os nossos ombros sempre livres para quem quiser repousar sobre eles as suas angústias, as suas aflições.
Lembrem-se : fomos feitos para viver no amor, sem ódios, sem guerras, sem conflitos, sem inveja. Fomos moldados para a harmonia, o equilíbrio, a paz. Vivamos pois, assim com os nossos próximos mais próximos, a nossa família, o nosso vizinho, os nossos amigos, a comunidade, com todas as pessoas, com a natureza, com a água, o mar, os céus, o mundo que nos rodeia, porque, como nós, foram os seres e elementos concebidos como obra de uma só Criação.
Não importa a fé que você professa, a religião que você tem, busquemos todos a felicidade. Afinal, quem somos nós para julgar? É o próprio Mestre quem recomenda.: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com a mesma medida que porventura julgares sereis vós também julgados”.
Vejam a beleza destes pensamentos extraídos do livro “A arte da felicidade” de Howard C. Cutler, Médico Psiquiatra e de Tenzin Gyatso, o Dalai Lama : “Acredito que o objetivo de nossa vida seja a busca da felicidade. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta ou naquela religião, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto acho que a motivação de nossa vida é a felicidade”.
Quando você mantém um sentimento de compaixão, bondade e amor, algo abre automaticamente sua porta interna. Com isso, você pode se comunicar mais facilmente com as outras pessoas. E isto cria uma espécie de abertura. Você descobre que todos os seres humanos são exatamente iguais a você e tudo fica mais fácil para se relacionar com eles.
Você acredita nestas coisas? Pois eu acredito! Sabe aqueles momentos em que você está triste? Isto acontece pela saudade que você tem daquela matriz, daquela sementinha imagem de Deus que está plantada em você e, por algum motivo, você esqueceu ou não encontrou. Sabe aqueles momentos de angústia, de dúvida? São saudades desta sementinha. Saudades do Deus que habita em você.
Somos um templo. Um templo que abriga o Criador. Deus está em nós... e se faz! Basta que estejamos abertos a isto. Basta que queiramos.

domingo, 3 de agosto de 2008

Implacável tempo

Aí vai, meus queridos amigos, mais uma de minhas incursões poéticas fruto de uma reflexão sobre o tempo que tão sofregamente jogamos fora no corre da vida. Corre-corre que nos faz perder o rumo e a capacidade de dedicar mais tempo a tantos que merecem e nos fazem sentir bem.


Implacável e escasso tempo.

Tem sido tanto o corre-corre
Que mal me ocorre
Cruzar as sendas
Dos meus prazeres

Ah! se mais tempo eu tivesse,
Mais tempo disporia,
Prá viver a euforia,
De conviver vocês.

Tempo, entretanto,
É questão de preferência.
Hei de fazê-lo, por certo, acontecer,
Nem que o último sendero me reste,
Nem que me arraste.

Aí, quem sabe,
Não mais pedirei perdão,
Àqueles a quem gostaria de dividir mais,
Todo o escasso tempo,
Que me resta!!!

Luiz Eduardo Caminha, em 26.06.2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Mais dois poemas

Prezados Amigos,

Aqui vão mais dois poemas. Um deles (íntimo) que tive o prazer de ver selecionado no 5o. Concurso Guamanisse de Contos, Crônicas e Poesias. O outro! Bem, o outro é mais um desabafo, afinal não sei o que está acontecendo com a polícia. Em Blumenau, uma vez, eles quase fizeram o mesmo com meu filho. A desculpa é sempre a mesma para justificar seu despreparo e sua violência. Do jeito que vai, vamos soltar os bandidos e nos proteger nas cadeias.

Tá um abuso! Saem atirando como se fossemos bandidos. Cuidem-se pois: Ao ver uma Blitz! Rezem! E muito!


ÍNTIMO
Luiz Eduardo Caminha

Voas,
Um cavalo alado.

Buscas,
Um mistério insondável.

Gritas,
Um sussurro incontido.

Sonhas,
Um sonho impossível.

Vives,
Uma vontade infinda.

És,
O âmago etéreo de um ser.

A consciência íntima,
Do eu.


Polícia bandida?

Corra! Corra!
Fuja se puder!
Um ladrão?
Um bandido?
Triste sina!

Se ficar,
Ele me pega.
Se correr?
A polícia,
Me assassina!

Vou ficar!!!

domingo, 20 de julho de 2008

O mar, onde a terra jaz

Mar


Se tem uma coisa que eu gosto, navegar, sem dúvida, talvez seja uma das que mais aprecio. Tá certo! Gosto também de mergulhar, bater fotos submarinas, tocar um violão, cantar, viajar. Bem, tem um monte de coisas que eu gosto. Mas o mar!!! Ah! o mar - é demais! É de...mar! de a...mar!

Esta poesia abaixo foi pré-selecionada no II Concurso Guemanisse de Contos e Poesias. Entre quase 1.500. Fala de mim! Fala de mar! Dá até, com esforço de vocês, sentir o barulhinho das ondas e o frescor da brisa que refresca a tez marcada bronze pelo Sol.


O MAR, ONDE A TERRA JAZ
Luiz Eduardo Caminha


Mesmo que haja vento,
Que o mar se encapele;
Mesmo que as ondas se agigantem,
E o vento sul traga o frio;
Mesmo que não haja peixe,
E o céu azul das manhãs, não desperte;
Mesmo que o sol ainda durma,
E seus raios não aqueçam o dia;

Eu vou pro mar,
Lá, onde a terra jaz.

É lá, que viaja minha mente,
Que eu sinto Paz!!!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Queridos amigos que ousam visitar este espaço,

Aí vai uma reflexão, uma oração em crônica que escrevi muitos anos atrás quando apresentava o Programa FELIZCIDADE, na TV Galega de Blumenau. Nos dias que passamos, em que a violência parece ter se tornado a regra e a vilania uma virtude, penso que ainda está muito atual.

A Chave de Ouro

O Livro Sagrado ao descrever a criação do homem o faz desta forma : “E então Deus criou o homem, a sua imagem e semelhança, homem e mulher os criou, à imagem de Deus os criou”.
Ao tentarmos enveredar pelos magníficos campos que a interpretação pode dar a este momento impar da Criação, não fica difícil imaginar que o homem foi criado para viver em plenitude semelhantemente a seu Criador.

Deus é pleno, é harmonia, amor, equilíbrio, infinito, o bem. Por mais que tentemos, não existem palavras em dicionário algum, em qualquer língua, que consiga expressar a concepção de Deus. Nossa mente não consegue dimensionar este ser. Talvez a melhor expressão para definir a Deus seja “Deus é tudo e o todo” Porque? Simplesmente porque o homem é finito e não consegue mensurar o infinito, o absoluto. Entretanto, isto tem pouca importância. O que importa mesmo é sabermos a essência do porque e para que fomos criados. Ora, se fomos criados à imagem e semelhança de um ser pleno é para isto que fomos criados.

Na verdade, este desejo, esta vontade do Criador, está impregnada em nós mesmos. Como uma sementinha esperando o momento de desabrochar dentro de nós mesmos a árvore que dá sentido à vida, como uma marca, uma assinatura que o artista faz ao terminar sua obra. Dentro de cada um de nós há uma espécie de memória, um pequeno “chip” que tem armazenado esta memória do absoluto, de Deus. Uma matriz situada em alguma gaveta do subconsciente, onde está impresso que fomos criados para o bem, para a felicidade, para vivermos em paz, em harmonia, em equilíbrio, no amor.

O que precisamos, e aí está o grande segredo de quem vive assim, é descobrirmos o nosso programa, o nosso software que abre esta gaveta, libera esta matriz e nos põe as condições para buscarmos estes paradigmas.

O próprio Jesus Cristo, quando esteve em nosso meio apontou a chave para este programa. Esta chave você pode encontrar nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de São Mateus que reporta todos os ensinamentos do Mestre no chamado Sermão da Montanha.

Faça uma experiência. Pegue a sua Bíblia, o seu Novo Testamento e procure ler pausadamente, refletindo, meditando sobre cada versículo. Faça isto com sua família. Você vai ter uma agradável surpresa. Só para lembrar Evangelho de São Mateus, capítulos 5 , 6 e 7. É exatamente neste sermão que Cristo dá a receita para começarmos a busca por uma vida feliz.

Falando a seus seguidores Jesus pergunta ; “Qual dos mandamentos vos parece ser o maior. Um dos presentes respondeu “O maior dos mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas” Mas há um segundo mandamento, disse Jesus, que é tão grande como este “Ama o próximo como se fosse a ti mesmo” e segue, entre tantos ensinamentos dizendo. “Eu não vim para tirar um jota ou um traço da lei . Eu só vim para subrogá-la”. Há que se dizer, a letra jota é a menor do alfabeto hebraico, a língua do povo escolhido por Deus, os hebreus, para quem o Mestre ensinava.

Mas, é no versículo 12 do capítulo 7 que Cristo mostra o programa, o software, a Chave de Ouro, que abrirá aquela gaveta do subconsciente e liberará a matriz que nos faz “imagem e semelhança de Deus” – “Tudo o que desejares que os homens vos façam, fazei-o vós primeiro a eles”.

Ora todos nós queremos para nós próprios coisas boas. Pois façamos para os outros coisas que sejam boas. Todos querem ser amados. Pois esqueçamos o ódio, a mágoa, o rancor. Amemos primeiro os outros, que são nossos irmãos nesta Criação. Todos nós queremos o bem. Pois façamos primeiro para os outros o bem. Todos queremos a paz. Pois sejamos apóstolos da paz. Todos gostamos da gratidão de nossos filhos de nossos amigos, das pessoas. Pois sejamos, nós, gratos por nossos filhos, nossos amigos. Saibamos ser gratos às passoas que nos rodeiam. Todos gostam de um afago, um carinho, um abraço, um sorriso. Pois vamos nós próprios, primeiro, ser ternos, afáveis, distribuir os braços a todos que precisam de abraços. Não sejamos amargos. Sejamos nós os primeiros a sorrir, para os outros, para a vida. Muitas e muitas vezes precisamos de um ombro amigo. Pois estejam os nossos ombros sempre livres para quem quiser repousar sobre eles as suas angústias, as suas aflições.

Lembrem-se : nós fomos feitos para viver no amor, sem ódios, sem guerras, sem conflitos, sem inveja. Fomos moldados para a harmonia, o equilíbrio, a paz. Vivamos pois assim com os nossos próximos mais próximos, a nossa família, o nosso vizinho, os nossos amigos, a comunidade, com todas as pessoas, com a natureza, com a água, o mar, os céus, o mundo que nos rodeia, porque como nós foram os seres e elementos concebidos como obra de uma só Criação.

Não importa a fé que você professa, a religião que você tem, busquemos todos a felicidade. Afinal quem somos nós para julgarmos. É o próprio Mestre quem recomenda.: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com a mesma medida que porventura julgares sereis vós também julgados”.

Vejam a beleza destes pensamentos extraídos do livro “A arte da felicidade” de Howard C. Cutler, Médico Psiquiatra e de Tenzin Gyatso, o Dalai Lama : “Acredito que o objetivo de nossa vida seja a busca da felicidade. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta ou naquela religião, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto acho que a motivação de nossa vida é a felicidade. Quando você mantém um sentimento de compaixão, bondade e amor, algo abre automaticamente sua porta interna. Com isso, você pode se comunicar mais facilmente com as outra pessoas. E esse sentimento de calor cria uma espécie de abertura. Você descobre que todos os seres humanos são exatamente iguais a você e se torna capaz de se relacionar mais facilmente com eles.

Você acredita nestas coisas? Pois eu acredito! Sabe aqueles momentos que você está triste ? Isto acontece pela saudade que você tem daquela matriz, daquela sementinha imagem de Deus que está plantada em você e, por algum motivo, você esqueceu ou não encontrou. Sabe aqueles momentos de angústia, de dúvida? São saudades desta sementinha. Saudades do Deus que habita em você.

Somos um templo. Um templo que abriga o Criador. Deus está em nós... e se faz! Basta que estejamos abertos a isto. Basta que queiramos.

Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!

domingo, 13 de julho de 2008

Esse Cara

Queridos Amigos,



Uma semaninha fora foi bastante. Exames de novo, novas consultas, mas graças a Deus, está tudo bem.

A foto é um brinde. Tirei num dia em que estava em Barreiros, município de São José. Uma vista da Baía Norte. Ao fundo, a Ilha de Santa Catarina. A luz, do Sol, diz muito do que está aí embaixo.

Aí vai uma singelo poemoração a alguém que me é Norte, é sentido de minha vida.


ESSE CARA

Manhã cedo, eu desperto, feliz estou me vendo,
Um cara, um encontro, há tempos não o via,
Um cara que faz tempo, há tempos me dizia,
Vem comigo meu irmão, toma a mão que te estendo.

Faz tempo ele me chama, (Este cara, amigo meu)
Me inebria, como o vinho,
Me alumia, é meu caminho,
Na entrega, ele me ama.(Se entregou, por mim morreu)

Sinto acesa qual a chama, a fé me move a esperança,
Meu caminho faz suave o suor de minha andança,
Brilha longe a sua luz, nele some toda a maldade,

Com ele, de mãos dadas, vivo alegre minha lida,
Ele aplaina as montanhas, diz baixinho: eu sou vida,
Vou em paz, feliz eu vou, ele é minha verdade.

Sem esse cara não há luz,
Sem sua luz, eu sou ninguém,
Seu amor me fez alguém,
Esse cara...é Jesus!

domingo, 6 de julho de 2008

Clamor

Queridos amigos que ousam freqüentar este Blog,

Aí vai mais um poema que tive a honra de ver selecionado no III Concurso Guemanisse de Contos e Poesias.
Minha fonte inspiradora foi, de novo, a sociedade dos invejosos, aquela "seita" que vive me querendo calar. Mas se estrepam! Não calo! E pronto!
Hei que dar voz a minha voz incontida.

Que Deus os abençoe!

C L A M O R*

Luiz Eduardo Caminha

* Poesia selecionada no 3º. Concurso Guemanisse de Contos e Poesias


Vou deixar de cantar,

Parar de falar,

Ouvidos cerrados,

A sociedade alienada,

Não me quer ouvir,

Não me escuta mais.

O silêncio será minha forma,

Meu olhar, o meu estilo,

Os ouvidos, minhas antenas,

A mente, minha fonte de arquivos,

O recuo, minha estratégia.

Quando, então, pensarem que morri,

Quando minha voz esquecerem,

Eis que farei ressurgir

Meu timbre,

Como um címbalo,

Que retine,

Como o badalo,

Que fere forte o sino.

O eco de minha voz,

Mexerá as consciências,

Doe a quem doer,

Fira a quem ferir!!!